Autor Tópico: Motas elétricas: a face politicamente correta do motociclismo moderno  (Lida 670 vezes)

Janeiro 05, 2026, 23:47:09, 23:47
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JoãoPVCarvalho

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As motas elétricas são frequentemente apresentadas como a evolução natural do motociclismo: limpas, silenciosas, responsáveis. A escolha certa para quem “se preocupa”. O problema é que, fora do discurso institucional e das campanhas de marketing, continuam praticamente ausentes das estradas sobretudo onde o motociclismo é vivido como lazer e não apenas como meio de transporte.

Há algo de curioso nesta narrativa. Defende-se o elétrico como solução ambiental, mas evita-se falar do custo real das baterias, do seu ciclo de vida ou da dependência de infraestruturas que ainda não existem fora dos grandes centros urbanos. Fala-se de progresso, mas ignora-se que grande parte dos motociclistas simplesmente não reconhece ali a experiência que os levou a andar de mota.

Por outro lado, os modelos térmicos começam a ser retratados como relíquias de um passado barulhento e irresponsável, quase como se quem os escolhe fosse automaticamente resistente à mudança ou indiferente ao impacto social e ambiental. Como se décadas de evolução em eficiência, emissões e segurança tivessem sido irrelevantes. Como se gostar de mecânica, som e carácter fosse sinónimo de desinformação.

Talvez o desconforto venha exatamente daqui: o elétrico surge envolto numa superioridade moral implícita, enquanto o térmico é empurrado para o papel de vício tolerado. E no meio disto fica uma comunidade dividida entre quem adere ao discurso certo e quem continua a preferir aquilo que sente, mesmo correndo o risco de ser visto como ultrapassado.

A questão não é se o elétrico vai existir, isso é inevitável. A questão é se esta transição está a ser feita para servir os motociclistas ou para os educar à força. E se, no processo, não se está a reduzir o motociclismo a algo funcional, higienizado e socialmente aceitável… mas cada vez menos desejado.
Um planeamento cuidado é meio caminho andado.✌
by JDilemas

Janeiro 06, 2026, 00:50:38, 00:50
Responder #1

Markito

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É tudo parte do "politicamente correcto"...
Isto daria pano para mangas...
vejamos uma questão, como exemplo...
Fala-se e é 100% verdade que a Europa está em completa decadência...
É uma sombra do que era o baluarte do mundo, tinha uma identidade e força...
Era respeitada...
Hoje, a Europa está preocupada com as pegadas carbónicas, a energia verde, a tolerância tola e à falácia do multi culturalismo...
Não percebendo (a Europa) da figura ridícula que faz e que está escavando o seu buraco até à sua aniquilação.
E sim, até nas motos se ilustra tal....

Janeiro 06, 2026, 01:16:59, 01:16
Responder #2

2low

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É um ponto de vista...

Podemos ver o que se passa na realidade em redor do motociclismo e mais propriamente em redor das eléctricas:

MotoE que recorria a motos da marca Energica passou a usar motos Ducati electricas, desde 2023.
Ainda segui algumas corridas da era Energica, já Ducati nunca vi uma corrida e nem sequer vejo assim publicidade como acontecia antes, chegámos a falar por cá de uma prova em que arderam todas as motoE que estavam armazenadas antes de uma prova, talvez um problema de aquecimento/carregamento...
Não é estranho a Ducati fornecer motos eléctricas ao motoE e para já a única coisa eléctrica que vendem ser uma ebike?!

Energica entrou entretanto em liquidação e faliu, deixaram de comercializar motos mas têm de garantir peças durante 10 anos já a contar...
...logo após terem lançado uma moto bem catita, a Experia.
Perdemos também restantes modelos que alavancaram a marca, se bem que desde inicio foi a Ego que marcou o nascimento da marca, uma desportiva bem bonita.
Chegamos a ter um companheiro por cá que teve uma Ego e julgo que outro com uma Esse.

Nas exposições de motos apenas se viu praticamente uma marca tradicional a desenvolver modelos e as os comercializar - Kawasaki - mas com dois modelos mais para uso citadino por terem características mais próximas de uma tradicional 125cc  (embora o preço faça a malta torcer o nariz) e têm também para já 1 modelo hibrido (Z7 hibrid), que me parece ser aquilo que vai acontecer a curto prazo com restantes marcas. E provavelmente dentro das hibridas irão aparecer soluções com recurso a hidrogénio, igualmente para já em desenvolvimento pela Kawasaki.

Afinal a Honda está agora com o seu primeiro concept electrico, uma 125cc, com peso/aparência de uma naked estilizada tipo NC700S pelo preço de uma 1000cc...
...se bem que esse é o mal geral de tudo o que é novidade, seja electrico ou nao... e obviamente que não só na Honda como restantes marcas...

A olhar para sites como "andar de moto" ou "mevmobility" vê-se que as motos eléctricas que mais se comercializam e de origem oriental serão Super Soco's e umas quantas scooters.
A zevtech que foi uma empresa pioneira no mundo dos electricos em Portugal, onde chegou a vender carros e motos como Fisker/Tesla(ainda sem representação oficial da marca)/outras e Volta/Energica/outras deixou de comercializar veiculos electricos e virou-se para outras áreas da "electrificação", estranho largar-se um nicho de mercado em crescimento...

Olha...já nem me lembrava... até a Royal Enfield tem andado a desenvolver uma "himalayan" electrica e recentemente já apareceram imagens de seu concept já com aspecto quase de produção.

Bem... da parte de construtoras europeias/japonesas/indianas estão claramente atrasados e o que escrevi em cima parece-me um quase resumo do que se tem passado, mesmo que me tenha escapado alguns outros momentos ou cenas importantes para o debate deste tópico.
Já quanto aos Amaricanos... a Harley Davidson tem a sua coqueluche eléctrica bem implementada no mercado e já se vão vendo algumas.
Têm também a marca Zero, que para mim o modelo SR/S é bastante interessante, embora ao vivo possa desiludir em alguns aspectos.
Houve em tempos uma "explosão de noticias" sobre novos modelos de marcas americanas, ainda como concept mas com "groundfundings" e afins para o seu desenvolvimento e comercialização...falou-se de um modelo que seria a futura Tesla...mas tem estado tudo muito mais frio no mundo das 2 rodas eléctricas (com guiador)  :D

Portanto... posto isto...
Nos próximos 2 a 5 anos teremos o mercado com mais soluções hibridas do que propriamente Energicas ou Teslas electricas...
E reparem que os Chineses não estão a investir em motos eléctricas porque a BYD bem que podia fazer e tiraria qualquer oportunidade da Tesla querer assumir um papel importante nas motos electricas...

Mas venham de lá mais comentários e que acrescentem bem mais ao meu resumo simplista.


Como entretanto já tinham comentado, edito e acrescento que não vou comentar a parte politica daquilo que se passa na Europa e em Portugal.
É melhor não comentar.
« Última modificação: Janeiro 06, 2026, 01:27:00, 01:27 por 2low »
Grão a Grão, Comemos Feijão!
E sempre com boa disposição!

(na realidade dá gozo puxar por ela pelo que é de contar uns 6Lt/100km)

Janeiro 06, 2026, 17:52:23, 17:52
Responder #3

TuCa

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não descurando tudo o que foi dito, que concordo

quero só partilhar o seguinte, a "mudança" pode estar mais próxima do que se pensa.. pois o grande problema nas motas era a dimensão/peso da bateria para se ter uma autonomia vs potencia interessante.
com a chegada das baterias de estado sólido, onde até já foi apresentada uma solução que entrou em produção para o comércio comum, o jogo vai mudar
dou o exemplo da Verge Motorcycles, que é a primeira marca de motas a utilizar este tipo de baterias, e temos motas a carregar na totalidade em menos de 10 minutos e autonomia para 600km
durante o decorrer de 2026, veremos muitas novidades certamente

já agora, a bateria que foi apresentada na CES: https://www.donutlab.com/battery/


Janeiro 06, 2026, 18:11:53, 18:11
Responder #4

2low

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Aceito essa perspectiva/opinião mas face às alterações que estão a suceder na Europa com o prolongamento da comercialização de veiculos a combustão, acredito assim que nas motos e veiculos de luxo e exóticos o processo de transição será mais lento, por tudo o que significa mudar tecnologias e custos envolvidos com essa transição rápida que poderia ditar a automutilaçao da construtora/comercializadora...
A tecnologia das baterias de estado sólido são um avanço significativo e que será utilizada nos veiculos citadinos para venda em massa, e quando estiverem bem "afinadinhos" e desenvolvidos veremos o que entretanto virá de novo para surpreender.
Aponto para outras datas o surginento de motos eléctricas para substituir todas as que estamos habituados a sonhar...
Bai ser giro por exemplo uma GS eléctrica, em termos de aspecto a GS1300adv já se parece...assim um trambolho quadrado para albergar as baterias...  :lolol:

« Última modificação: Janeiro 06, 2026, 18:13:08, 18:13 por 2low »
Grão a Grão, Comemos Feijão!
E sempre com boa disposição!

(na realidade dá gozo puxar por ela pelo que é de contar uns 6Lt/100km)

Janeiro 06, 2026, 22:03:59, 22:03
Responder #5

Cross

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É inevitável e existirão mais modelos eléctricos e mais eficientes nos próximos anos. Não é uma questão de ambiente apesar de dar jeito para empurrar agendas e lobbies... mas sim uma questão industrial e tecnológica. É necessário inovação ou as motos ou alias qualquer producto morre por não captar novos clientes. É necessário que sejam mais acessíveis, mais simples, mais seguras e se mais limpas melhor porque é "cool". Nas motos ICE, vamos de euro6,7,8... de classe em classe e nada mais de novo... alguns avanços só nas classes mais altas e €€€€ e não nos modelos de entrada ou mais acessíveis. Temos que ter mais diversidade e isso também são as eléctricas.

Todas as projeções de vendas de motos nos paises mais desenvolvidos são de declínio das vendas desde alguns anos atrás. Os putos mais novos não querem andar de moto porque não é cool, os país empurram os carros por serem mais seguros etc, mas principalmente porque existe um estigma na sociendade associado ao motociclista, em especial ao jovem e o motociclo, ou é barulho, ou é segurança ou só porque sim pelos dados históricos...
É isto que temos que mudar. As motos não têm que ser electrodomésticos nem objectos de culto dos mais puristas petrolheads... tem que existir diversidade e abertura dos motociclistas para abraçar todos estes diferentes novos conceitos e deixarem-se de merdas, principalmente voltar as raizes do motociclista, que é apenas o prazer de andar de moto!





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« Última modificação: Janeiro 07, 2026, 22:52:24, 22:52 por Cross »
Bom Senso e Senso Comum nunca fez mal a ninguém!

Janeiro 06, 2026, 22:37:43, 22:37
Responder #6

JoãoPVCarvalho

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o problema das motas elétricas não é a tecnologia, é a narrativa artificial que foi construída à volta delas.

Durante anos venderam-nos a ideia de que o motociclismo elétrico estava “mesmo aí”, que era inevitável, maduro e desejado. A realidade encarrega-se de desmontar isso peça a peça. A MotoE é talvez o melhor exemplo: muda de fornecedor, muda de discurso, perde visibilidade, perde relevância. A Ducati entra, mas entra de lado, fornece motos para um campeonato e vende… bicicletas elétricas. Se isto não é um sinal de falta de convicção no produto, não sei o que será.

A falência da Energica devia ter sido um choque de realidade maior do que foi. Não era uma startup de garagem: tinha produto, tinha presença em competição, tinha modelos interessantes como a Experia. E mesmo assim não aguentou. O argumento clássico de que “faliu porque era cedo demais” começa a soar a desculpa reciclada. Quantos “cedo demais” são precisos até aceitarmos que o mercado simplesmente não quer isto na forma atual?

Depois há a hipocrisia institucional: critica-se o térmico como obsoleto, poluente, socialmente irresponsável… mas quando chega a hora de colocar produtos reais, acessíveis e desejáveis no mercado elétrico, o que aparece são scooters urbanas, 125 disfarçadas de naked e preços que insultam qualquer noção de bom senso. Pedem consciência ambiental, mas ignoram custo, ciclo de vida das baterias, obsolescência acelerada e ausência de infraestrutura fora do meio urbano.

As marcas tradicionais sabem isto. Por isso hesitam, atrasam, testam, desviam-se. A Kawasaki, que muitos acusam de conservadora, parece paradoxalmente a mais honesta: percebeu que o híbrido é o compromisso possível, não o elétrico puro. O resto anda a empurrar conceitos para salões e comunicados de imprensa, enquanto continua a vender aquilo que as pessoas efetivamente compram: motas térmicas.

E convém dizer o incómodo: se os chineses acreditassem verdadeiramente no futuro das motas elétricas de média e alta cilindrada, já teriam inundado o mercado. A BYD não é uma startup idealista. É pragmatismo puro. Se não entrou, é porque os números não fecham.

No fundo, o elétrico nas motas parece cada vez mais uma figura politicamente correta, útil para cumprir agendas, relatórios e marketing ESG, mas ainda incapaz de substituir aquilo que torna o motociclismo… motociclismo. O térmico não sobrevive por ignorância dos utilizadores, mas porque continua a oferecer algo que o elétrico ainda não conseguiu: liberdade real, versatilidade e emoção sem condicionantes constantes.

Talvez o elétrico venha a ter o seu espaço. Mas insistir que ele é o futuro inevitável soa cada vez mais a wishful thinking. E o mercado, como sempre, está a responder com indiferença que, é pior do que rejeição.
Um planeamento cuidado é meio caminho andado.✌
by JDilemas

Janeiro 07, 2026, 00:46:09, 00:46
Responder #7

Markito

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JoãoPVCarvalho -  :palmas:
Concordo em absoluto com o exposto !  :nice:
Realmente, em alguns aspectos, os veículos eléctricos tem uma ou outra vantagem.
Só que não gosto particularmente que me impinjam pela boca dentro doutrinas e dogmas, seja em que matéria for.
As duas possibilidades podem coexistir, sem problema algum.
Prezo muito uma questão...
Liberdade de escolha. 

Janeiro 11, 2026, 17:48:26, 17:48
Responder #8

JoãoPVCarvalho

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Vou meter aqui uma acha para a fogueira — e não, não mudei de opinião sobre mobilidade elétrica… mas talvez esteja a mudar a razão pela qual ela vai inevitavelmente ganhar.

Coloco em anexo um gráfico simples (linha temporal) que mostra algo que muitos preferem ignorar: à medida que os EUA apertaram a Venezuela, o petróleo venezuelano foi sendo empurrado quase exclusivamente para a China. Não é coincidência, é estratégia.



O que estamos a ver agora não é uma cruzada moral, nem “democracia a caminho de Caracas”. É controlo de energia.
Com a Rússia já economicamente devastada pela guerra da Ucrânia, sobra um alvo óbvio: a China.
E qual é uma das alavancas mais eficazes para estrangular uma economia industrial? Energia.

A ocupação americana da Venezuela (chamem-lhe o que quiserem) não é sobre Maduro.
É sobre cortar uma das principais artérias energéticas da China.

E quando olhamos para o resto do tabuleiro:

.Rússia enfraquecida e dependente da guerra
.China sob pressão energética e comercial
.EUA a reposicionar-se agressivamente
.Europa financeiramente drenada pelo esforço de apoiar a Ucrânia…

Percebemos porque é que, de repente, a Groenlândia volta ao discurso de Trump.
Não é folclore. É geoestratégia pura: rotas, minerais críticos, posição militar e controlo do Ártico.
Trump não olha para a Europa como aliada forte, olha para uma Europa velha e cansada, endividada e vulnerável, demasiado ocupada a sustentar uma guerra para se defender de outra.

E é aqui que entra a parte que muitos não querem ouvir:

👉 A mobilidade elétrica não vai vencer porque é “verde”.
👉 Vai vencer porque reduz dependência geopolítica do petróleo.

Menos petróleo = menos Venezuela, menos Médio Oriente, menos Rússia como arma política.
Mais eletrificação = mais produção local, mais renováveis, mais autonomia estratágica.

Mesmo quem odeia elétricos devia perceber isto:
o motor elétrico pode acabar por ser o maior equalizador de poder global do século XXI, não por ideologia, mas por necessidade.

E se a Europa não acordar rapidamente, arrisca-se a ficar exatamente onde a História costuma colocar os distraídos:

encurralada entre duas guerras, uma quente e outra económica, enquanto o mundo desliza perigosamente para algo que já começa a cheirar a WW3.
Um planeamento cuidado é meio caminho andado.✌
by JDilemas

Janeiro 13, 2026, 06:36:55, 06:36
Responder #9

Markito

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"olha para uma Europa velha e cansada, endividada e vulnerável, demasiado ocupada a sustentar uma guerra para se defender de outra."
É a pura realidade...
Os politicos dos últimos anos e actuais são uma pura anedota.
Estão preocupados com imbecilidades e com imbecis...
Devíamos ter um Trump na Europa, mas à décadas...
Os outros preocupam-se com o que é realmente importante para a sobrevivência das suas nações e nós por cá, andamos ocupados com pegadas carbónicas, com o gelo do polos, com os plásticos, com a energia verde (entretanto arrasaram com a produção automóvel, parabens) e com o arco iris...
Assim se afunda uma civilização e parece-me que já não à volta a dar...
Enfim...

 

Janeiro 13, 2026, 09:55:13, 09:55
Responder #10

EML

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"olha para uma Europa velha e cansada, endividada e vulnerável, demasiado ocupada a sustentar uma guerra para se defender de outra."
É a pura realidade...
Os politicos dos últimos anos e actuais são uma pura anedota.
Estão preocupados com imbecilidades e com imbecis...
Devíamos ter um Trump na Europa, mas à décadas...
Os outros preocupam-se com o que é realmente importante para a sobrevivência das suas nações e nós por cá, andamos ocupados com pegadas carbónicas, com o gelo do polos, com os plásticos, com a energia verde (entretanto arrasaram com a produção automóvel, parabens) e com o arco iris...
Assim se afunda uma civilização e parece-me que já não à volta a dar...
Enfim...
Em vez de um Trump que promove a caça ao imigrantes e a violência nas ruas, matando perigosas terroristas internas como uma mãe americana com três filhos e enche os bolsos dos amigos super mega ricos, precisamos é de novos Jaques Delors, Mário Soares, Sá Carneiros e outros com igual qualidade.
Precisamos de políticos que queiram melhorar a vida de todos, com fibra e visão de futuro!
Boas curvas! :bandeiraportugal:
Sym Symphony 125 ST (8/2018) - 2,64 l/100 km (27985 Km - 17/12/2025)

Janeiro 13, 2026, 22:15:18, 22:15
Responder #11

Markito

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Mário Soares ?
Ele é um exemplo para quem ? Aquele que tinha a opinião de atirar portugueses aos tubarões ?
Ok...
Temos visões muito diferentes das coisas...
Voltemos às motos...
Eu acho que podem coexistir quer os veículos a energia eléctrica, quer a combustão...
Ambas têm vantagens e desvantagens...
É usar bom senso e não ideologias cegas...
Lembro que á pouco tempo atrás, era a euforia do verde e agora existe (muita) moderação...
E novamente, podem e devem coexistir ao mesmo tempo e espaço, com equilíbrio e bom senso...


Janeiro 14, 2026, 11:43:35, 11:43
Responder #12

dfelix

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Por outro lado, os modelos térmicos começam a ser retratados como relíquias de um passado barulhento e irresponsável, quase como se quem os escolhe fosse automaticamente resistente à mudança ou indiferente ao impacto social e ambiental.

Estamos em 2026.
O mercado não mudou desde que escrevi isto em Julho de 2020.

A oferta de motos elétricas não é maior do que já era há 6 anos.
E parece-me existirem menos construtores hoje do que havia há 10 anos atrás.

Sem alternativas válidas não há transição.
Sem transição não há resistência.

« Última modificação: Janeiro 14, 2026, 12:47:45, 12:47 por dfelix »

Janeiro 16, 2026, 18:12:05, 18:12
Responder #13

Gentleman rider

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O mercado não mudou desde que escrevi em Julho de 2020.

Por acaso mudou. Surgiu a Stark que constrói uma moto todo-o-terreno (Varg) que é competitiva com uma equivalente ICE. Nas competições em que a Varg é autorizada a entrar (e existem vários campeonatos que impossibilitam a participação da Stark) bate-se de igual para igual com as motos de combustão.

Para provas de longa distância (rally raids) a Varg não tem a autonomia necessária para andar um dia inteiro. Ainda assim o piloto português Bianchi Prata e a sua equipa têm demonstrado que é possível trocar a bateria de uma Varg em pouco mais de 1 minuto.

No mercado a Varg é igualmente muito competitiva custando mais ou menos o mesmo que as suas rivais a gasolina e, claro, sendo uma proposta com custos de manutenção muito mais baixos.

Recentemente a Stark mostrou imagens das suas futuras motos de estrada que, defende a marca, serão competitivas em preço e capacidades com as motos ICE equivalentes. Face ao que a Varg oferece não tenho razões para duvidar.


Contudo a Stark pode não vir a ser a primeira marca de motos a oferecer um modelo de estrada eléctrico competitivo.

A Verge lançou recentemente uma moto com baterias Donut Lab sólidas que, a ser verdade a promessa, tem autonomia e velocidade de carregamento compatível com uma utilização normal.

O preço ainda é muito elevado quando comparado a uma rival ICE mas a falta de autonomia e/ou velocidade de carregamento parece estar definitivamente ultrapassada.

Também a Ducati mostrou recentemente um protótipo de uma moto eléctrica com bateria sólida pelo que uma versão de produção não deverá estar longe. Provavelmente veremos já no EICMA 2026.


Nas cidades (leia-se scooters para commuting ou entregas ao domicílio) a solução eléctrica faz muito mais sentido do que a solução a combustão.

No todo-o-terreno igualmente uma moto eléctrica já é capaz de fazer coisas que uma equivalente ICE não consegue.

E não tenho grandes dúvidas que também na estrada e nas pistas de asfalto dentro de poucos anos as motos eléctricas vão conseguir performances melhores do que as actuais ICE.

A falência da Energica devia ter sido um choque de realidade maior do que foi. Não era uma startup de garagem: tinha produto, tinha presença em competição, tinha modelos interessantes como a Experia. E mesmo assim não aguentou. O argumento clássico de que “faliu porque era cedo demais” começa a soar a desculpa reciclada. Quantos “cedo demais” são precisos até aceitarmos que o mercado simplesmente não quer isto na forma atual?

A Energica não tinha produto nem modelos interessantes. Era uma novidade e como todas as novidades há sempre alguns consumidores que se sentem atraídos. Mas a esmagadora maioria que faz contas não gasta dinheiro em novidades que não trazem nada de melhor.

Segundo sei houve um grupo de investidores que injectou dinheiro na Energica pelo que ela continua em funcionamento. Contudo a marca terá de renovar completamente a gama se quiser vender uma vez que os modelos que conhecemos até hoje estão completamente obsoletos ao lado de uma Verge ou Stark.
« Última modificação: Janeiro 16, 2026, 18:25:54, 18:25 por Gentleman rider »