Porque queremos sempre mais?
Damos uso ao real potencial do que compramos?
(https://motohive.in/wp-content/uploads/2016/08/featured_what_bike.jpg)
O título deste tópico não é agora uma reflexão tirada da cartola de um momento para o outro...
Trata-se de olhar para o que encontro como uma "vida motociclista" enquanto um todo algo vasto (e felizmente posso dizer que conheço um número razoável de motociclistas), admitindo perfeitamente que não poderei generalizar em demasia pois existem sempre excepções, mas acreditando que...preparem-se...não serão assim tantos os que realmente fazem uso - até mesmo aproximado que seja - do real potencial da moto que compraram.
Começo desde já por mim...
Acaso precisaria para a maior parte da minha utilização, de um mamute que pesa +270Kg, que tem uma protecção aerodinâmica ridícula, que me custa a manobrar a baixa velocidade e que só se sente realmente "como peixe na água" quando está em estrada? Que raio, gosto da moto (obviamente), mas roça um bocado o ridículo da coisa...
E prosseguimos...
Acaso o meu conhecido com uma RT1200 necessitaria mesmo de a ter, visto que só dá umas voltas muito de vez em quando, ganha imenso pó na garagem e quando eventualmente se lembra que a tem é para fazer trajectos relativamente curtos e com uma condução a que não faltam sinónimos para "calma"?
E o tipo que comprou uma moto p'ró mato, mas que só avista algum mato quando se aproxima ali da berma da estrada?
E nas desportivas, nas Adventures, nas pseudo-Adventures, nas chopper, nas grandes turísticas...sim, até nas maxiscooters?
A reflexão dir-me-ão estar muito assente em suposição, conjectura, ou que cai um pouco no exagero...mas será mesmo assim para um razoável número de motociclistas?
Sim...isto pode ter na base um pouco do caminho que leva à razão ou emoção (ou mesmo o equilíbrio da tal adequação), mas acho que vai um pouco mais longe do que isso. A sério!
Isto vai mesmo da própria utilização, do próprio proveito (ou falta dele), do benefício obtido com aquilo que se traduzem muitas compras...
Dizem-me..."Ah...e então o prazer que se retira quando se roda o punho direito? Dou por bem empregue os valentes milhares de €€€'s que dei por ela".
Muito bem...será uma resposta válida, assim como outro qualquer que responda que anda só ao fim-
de-semana e fazer uns 20Kms o ajuda a libertar do stress. Tudo bem!
Mas assim acabamos por voltar ao tema do tópico!!
Afinal dá-se um real uso - mesmo que somente aproximado - ao motociclo adquirido, ou não??
E se já temos algo que vai cumprindo, mesmo que fortuitamente, a função que lhe está destinada, então porque compramos a seguinte ainda com mais cilindrada, mais velocidade, mais potência do que a anterior...fazendo o mesmo tipo de utilização que já se fazia anteriormente?
Ou acaso os super fugazes momentos que alguns retiram com a sua nova aquisição, acabam por suplantar aquilo que foi/é uma compra desvirtuada da necessidade e utilização?
Deixo-vos o tópico à disposição e podem chamar-me o que quiserem! Na verdade estou-me lixando... :D
Mas acho que há temas que valem a pena a reflexão e não viro a cara a evidências e a coisas que acabam por fazer pouco nexo, mesmo que esteja a apontar igualmente para mim mesmo e tenha de dizer:
"Sim. Que raio! Estou no mesmo lote dessa malta! E pouco me importa...".
Somos consumistas puros!
E sim, caramba! Claro que há excepções e quem ainda dê um real e continuado uso daquilo que comprou, mas estamos a falar de um número mais diminuto por contraponto a quem não o faz.
Seja da cultura que se foi enraizando, ou de uma crescente propensão ao consumo de algo que na verdade se torna supérfluo em face da real necessidade/utilização, seja por via de uma diferente procura de momentos de felicidade ou bem estar, seja uma influência colectiva que nos leva a desejar sempre mais e melhor...enfim...seja pelo que for, a compra de um motociclo tem em muitos casos, algo de compulsivo e também, em certa medida e em determinados casos, de pouco reflectido no exagero que leva a uma nova aquisição!
Não estou com tudo isto a dizer que tem mal ou é incorrecto fazê-lo (e há que perceber as palavras para não cair nesse erro), nem a colocar todos no mesmo "saco"...e muito menos estou para aqui numa de "A mulher e a sardinha, querem-se da mais pequenina", mas o tema do real e consistente uso ou até mesmo das skills (ou falta delas) para a compra e consequente condução do motociclo adquirido, não tem de ser tratado como tabu...