Test-Ride » Kawasaki Z900RS
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O teste a uma moto, num convite que surge de um momento para o outro, pode ter muito de gratificante.
E foi isso mesmo que sucedeu comigo.
Numa recente passagem pelo concessionário Moto Spazio e com uma ideia diferente na cabeça, acabei por ser convidado pelo gerente do concessionário a ir dar uma volta (sem ficar limitado a tempo ou quilometragem) numa moto que tinham recebido há relativamente pouco tempo.
Aliás, passados menos 5min. depois de ter entrado no concessionário, já o sempre prestável gerente me estava a encaminhar para a zona da oficina, onde tinham guardada a moto que me encantou por completo e de que tenho rasgados elogios a fazer: a Z900RS.
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Mas vamos por partes…
O seu design é inquestionavelmente o de uma neoclássica, conseguindo prender o olhar com enorme facilidade.
Creio que é difícil não se gostar deste modelo...daquele "retro styling" que esta moto demonstra a quem quer que se depare com a sua presença.
Não fosse somente o look da mesma, mas até a cor da unidade que testei - preto e laranja - evoca de imediato a Z1, modelo dos anos 70' e que tinha na altura um esquema de cores muito semelhante àquele que se pode ver agora nesta Z900RS.
Qualquer que seja o ângulo que sirva de ponto para se admirar esta moto, ela consegue mostrar uma harmonia e leveza de formas excepcional. Eu confesso que fiquei rendido a esta moto...
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E um dos detalhes mais marcantes deste modelo, no que toca ao design, é precisamente o seu depósito onde de forma directa se percebe a opção pelo lado clássico...mas elegante.
Diria que o seu depósito muito bem concebido é um elemento central do look deste modelo, dando a esta bonita máquina e juntamente com outros elementos e detalhes do seu design, a capacidade de nos fazer assimilar sem pressas o cuidado colocado nesta moto Japonesa.
O seu farol redondo e muito "colado" à Z1, a sua elegante e minimalista traseira, assim como os colectores de escape num tom amarelo-alaranjado, compõe o design de uma moto muito bem conseguida no seu género.
Saí do concessionário pela "porta das traseiras", que é como quem diz....pelo portão da oficina que fica no extremo contrário à entrada neste concessionário e, pouco antes de iniciar o teste que me levou a fazer algumas dezenas de Kms, apercebi-me de algo que não esperava de forma tão vincada nesta neoclássica: o som deste motor!
Aquele escape cromado, assim que foi ligada a moto, fez ecoar por todo aquele espaço a sonoridade produzida pelo seu motor de 4 cilindros em linha.
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E é um som que não poderei "catalogar" como seguindo a abordagem de moto clássica, mas sim a de moto moderna, potente e desportiva. Foi o que senti...
Umas "gazadas" ainda dentro da oficina e a moto parecia zangada com a ousadia de lhe rodar o punho de forma brusca, produzindo um som cheio e poderoso, quase como um sopro mais rouco.
Já aos comandos desta moto da Kawasaki tudo me pareceu extremamente fácil.
A marca indica um peso de 215Kg em ordem de marcha e mesmo estando parado, pouco se sente...
É bem possível que haja uma relação com o facto de eu conduzir uma moto que pesa seguramente +20% que esta, mas mesmo assim a sensação é a de que estava sentado a bordo de uma moto ágil e fácil de controlar.
E a isto não é de maneira nenhuma alheia a sua posição de condução e que achei muito natural, com as peseiras a permitirem-me levar um ângulo de pernas que me agradou (para a minha estatura) e que por sua vez permitia que os meus joelhos se mantivessem perfeitamente encostados à lateral do seu longo depósito em forma de gota.
O guiador está colocado seguramente uns 20cm mais alto do que o assento, permitindo-me circular com as costas numa posição quase direita. E digo quase...porque a projecção do corpo para a frente tinha um certo ângulo e sentia-o. Possivelmente alguém mais baixo que eu terá uma perspectiva (e sensação) ligeiramente diferente.
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E já que falo do guiador, o mesmo parece fazer questão de mostrar o seu reluzente cromado e que neste tipo de moto garanto que fico mesmo muito bem. Andei num dia de sol e com céu limpo, onde o cromado sobressaia e de que maneira!
Quanto ao painel de instrumentos é bastante completo, mesmo tendo um traço marcadamente clássico e de manómetros analógicos, mas no centro o ecrã digital permite informações tão variadas como mudança engrenada, temperatura do motor, nível de combustível, odómetros e parciais, nível do KTRC (existem dois)...
E para quem não sabe ou sequer ouviu falar deste KTRC, presente também noutros modelos de cariz desportivo da marca, traduz-se numa explicação muito simples em...2 modos de controlo de tracção, com intervenção diferente, sendo um voltado para uma condução mais empenhada no extrair o máximo da sua mecânica e outro tipo "anjo protector", permitindo uma condução mais segura e confiante em pisos mais escorregadios.
Tem um sensor de rotação colocado na roda traseira e detecta de imediato uma qualquer derrapagem dessa roda ou então diferença na velocidade face à roda da frente, intervindo imediatamente na ECU do motor.
Isto claro que se passa numa fracção de segundos para que a roda volte imediatamente a ganhar tracção, mas foi com agrado que vi esta neoclássica com um sistema que ajuda de forma efectiva na segurança, sendo mais intervindo em pisos que impliquem perdas de tracção, como p.ex. circular em zona de empedrado molhado.
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Em marcha, aquele som "cheio" que descrevi acima, acompanha-nos a todo o momento, mesmo sem ser necessário recorrer a rotações muito altas para se fazer ouvir.
E aqui naturalmente tenho de falar do seu motor, que foi destacadamente aquilo que mais me agradou nesta moto, a par da sua sonoridade.
Começando desde logo na 1ª relação, a descrição que posso fazer e para vosso melhor entendimento da sensação, é a de ir buscar um substantivo…elasticidade!
Sim, o motor desta moto começou logo a mostrar agrado numa 1ª relação que não demonstra o mesmo tipo de reação que tive noutras motos que já testei, ou seja, pode-se puxar bem por esta relação tal a elasticidade demonstrada pelo motor, e sem que se denote aquele necessidade de mudar imediatamente para a 2ª.
O arranque desta moto é fabuloso para algo que a marca indica como tendo 110cv.
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A forma como o motor desta moto brinda a condução, parece colocar o condutor como a sua prioridade máxima, dando-lhe todas as condições para um explorar das rotações seguro, mas fazendo-o com um ganhar de velocidade rápido e determinado, se for essa a vontade.
Qualquer ultrapassagem que fiz neste teste, em que estive quase 1 hora com a moto, mostrou-me sempre uma boa reserva de potência para "despachar" qualquer situação. Não direi que a 6ª ou a 5ª seriam o bastante, mas uma 4ª nesta moto é mais do que suficiente para rapidamente passar p.ex. dos 70kmh aos 150kmh, sem ser necessário mais nada senão rodar o punho.
O motor irá responder muito bem e "despacha" qualquer situação com grande à vontade.
Claro que com uma 3ª o resultado é ainda mais brusco no ganhar de velocidade, mas nem sequer chega a ser necessário para a maioria das ultrapassagens comuns (exceção feita a regimes elevados), já que as retomas de velocidade são bastante boas e dão confiança.
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É um bloco muito expedito, tem a elasticidade de que falei acima e agradou-me bastante a sua condução, especialmente quando se sente que o binário da moto abunda nas baixas e médias rotações, ou seja, provavelmente onde se circula com este tipo de moto na maioria das vezes.
Diria que até um pouco acima das 6.000Rpm este motor está "em casa", com a potência a fazer-se notar de forma determinada e sem vibrações que me tenham desagradado ou mesmo especialmente notórias.
Terei aqui de mencionar a temperatura a que chega este motor e que, acreditem…é muito elevada.
Quando entreguei a moto foi uma das coisas que indiquei, por ser tão evidente, e se eu imaginar um passeio de 300kms no Verão com esta moto…bem…deve fazer-se sentir e de que maneira.
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Quanto à suspensão da Z900RS também se mostrou perfeitamente à altura do motor, tendo uma suspensão invertida de 41mm na frente que oferece uma boa filtragem e ao mesmo tempo, grande estabilidade e capaz de me fazer sentir seguro numa travagem mais forte onde existe uma transferência de massa repentina. A compressão oferecida no setting que a moto trazia era-me mais do que suficiente.
Atrás a marca optou pela colocação da suspensão de forma muito horizontal e que é perfeitamente visível de um dos lados da moto, tendo afinação da pré-carga.
A nível de travagem, naturalmente que não abusei desta moto de teste ao ponto de fazer accionar o ABS num dia seco como aquele em que andei, mas são muito doseáveis e nota-se muita força na travagem à frente e onde existe trabalho (bem) feito por parte do duplo disco semi-flutuante de 300mm, com 2 pinças de 4 êmbolos opostos. Atrás..."cumpre os mínimos olímpicos" como costumo dizer, servindo de bom complemento ao setting de travagem que esta moto tem na frente.
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Deixo no entanto aqui uma nota menos boa para algo que notei, tanto nos discos (especialmente atrás) como na jante da frente...
Em primeiro lugar - nesta moto que tinha muito pouco tempo - encontrei logo na primeira paragem para sessão de fotos vários pontos muito iniciais de ferrugem, com alguns milímetros, no disco traseiro (ver p.f a imagem); depois estive a olhar para a jante na zona central junto ao eixo e, além da indicação "Made In Japan", não pude deixar de reparar numa pintura com o preto muito "texturizado"...muito irregular.
São pontos negativos, especialmente o primeiro já que a moto tinha muito pouco tempo (teria um par de meses talvez). Acredito que, sendo ainda superficial, com uma boa lavagem e algum produto de limpeza a coisa desapareça, mas não podia deixar de o referir. Provavelmente agora que escrevo estas linhas e em que já passaram umas semanas deste o teste, já o assunto estará resolvido.
Quanto a pneus a marca optou por algo que me satisfez em pleno no teste que fiz, se bem que somente uma análise muito mais variada me permitiria tecer conclusões mais seguras… Falo dos Dunlop GPR 300. Belas borrachas...
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Se acaso pretendem saber de consumos, foi algo que não me dei conta nem liguei ao longo deste teste em que ia puxando pela máquina, mas ao rever as fotos dei-me conta que no parcial colocado a reset me deu um consumo final de 6,5L/100Kms…
Parece-me bastante bom e revelador que numa condução diferente de um test-ride, pode perfeitamente baixar dos 5L.
Por fim nota positiva para a caixa de velocidades com slip&assist, muito precisa e extremamente fácil de accionar. Basta apertar um pouco a embraiagem e as mudanças na Z900RS entram sem o mínimo esforço. Uma caixa brilhante!
A esta moto da Kawasaki é difícil apontar-lhe defeitos, mais ainda uma máquina que me rendeu por completo e prendeu as atenções num motor muito disponível, assim como numa óptima travagem e suspensão.
Sim…a eterna questão do preço!
São quase €13.000 de moto e muitos dirão: "Prefiro um género diferente. Tareias de vento, não obrigado! Agarro nesse dinheiro e dá-me quase para uma Versys 1000".
Mas a Z900RS é diferente. É uma moto que não precisa de se esforçar para atrair e agrada à sua maneira, vendo eu o seu público alvo com sendo, de alguma forma, mais maduro...com outro tipo de gosto.
E com isto termino esta descrição de test-ride, deixando um ditado - relacionado com a minha frase anterior - que pode ser que o percebam e associem a este fantástico modelo da Kawasaki. ;)
"Uma pessoa imatura pensa que todas as suas escolhas geram ganhos. Uma pessoa madura sabe que todas as escolhas têm perdas."
(https://s15.postimg.cc/6iukq7157/WP_20180428_11_07_02_Pro.jpg)
NOTA: deixo um agradecimento merecido ao gerente e colaboradores do concessionário Moto Spazio, pela simpatia demonstrada e pela possibilidade que me foi dada em experimentar esta fabulosa Kawasaki.