O lado obsessivo das marcas..."desculpem, mas a minha é a melhor!"
A "discussão" em torno das marcas, do seu valor, dos seus problemas, da sua qualidade, do local onde são feitas, do que são capazes e todo um conjunto de argumentações que ocasionalmente grassam pelo fórum, são na verdade cíclicas.
Podem passar semanas ou mesmo meses sem haver este tipo de comentários de parte a parte sobre qual a melhor ou qual escolher, mas quando volta ao de cima este tipo de escrita que por vezes leva a uma particular atenção e crivo da moderação, a sua base encontra-se...com naturais excepções, numa certa cisma enredada de que aquilo que temos é que é bom, de que a marca da moto ou scooter que temos lá pela garagem é que se deve comprar e que as comparações com outras pouco ou nenhum sentido fazem. Isto que acabei de dizer vale para todas as marcas e modelos, não há aqui excepções ou outsideres.
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Existirá algum vício, camuflado de preconceito, de que apenas existe um punhado de marcas....e as outras todas?
Quando era mais novo ouvia o meu pai dizer uma expressão que não mais esqueci e que aqui também terá algum paralelismo no que concerne aos modelos de 2 rodas: Filho, existem dois tipos de automóveis, os Mercedes e os outros...
Naturalmente que os tempos eram outros e não desfazendo dos conhecimentos e paixão por automóveis que sempre vi no meu pai, concordando ou não com o que na altura afirmava, a informação que me transmitia fazia-o também por experiência própria.
Não havia fóruns, nem internet, nem milhentas informações (acertadas ou não) capazes de ser obtidas à distância de um click, como agora.
No fundo, a quantidade de informação que temos hoje ao dispor, se por um lado nos une nesta paixão global que são as 2 rodas, por outro lado infelizmente não evita um certo cimentar de atritos entre marcas e emblemas. É uma pena que tal suceda, mas é uma realidade que muito dificilmente alguém poderá negar.
Há 25 ou 30 anos atrás não tínhamos no mercado nem um 1/5 dos modelos de veículos de 2 rodas que temos hoje, não tínhamos nem 1/20 dos locais onde obter informação detalhada sobre os modelos que nos interessavam, não tínhamos nem 1/100 da facilidade com que actualmente e com um simples click num botão do rato de computador, nos é permitido obter imagens, especificações, comparativos, testes e contactos com os modelos que nos interessavam.
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A globalidade da informação e, mais importante ainda, o crescente número da oferta disponível e com preços tão distintos entre si, levam ocasionalmente a que se gere alguma discórdia que é difícil de estancar quando se inicia.
"Tenho €2.500 para gastar numa scooter. O que me aconselham?"
Uma pergunta tão normal e desprovida de malícia por qualquer qualquer membro que a colocasse no fórum, pode e infelizmente tem levado (mais uma vez digo, com excepções), a que se sigam uma série de comentários mais ou menos com cada um a "puxar a brasa à sua sardinha".
Não havendo mais dados a ser indicados por um futuro comprador que se encontre sem saber muito bem para onde se voltar, o normal seria que lhe pedíssemos mais indicações para bem o aconselhar, nomeadamente sobre que tipo de percurso fará, qual a quilometragem expectável numa base diária, se precisará de alguma capacidade de carga, se valoriza os consumos, se prefere uma scooter leve e ágil para o trânsito ou uma mais estável para andar em Nacional e Auto-Estrada...
...e o que se verifica é: compra uma SYM GTS, que tenho uma e isso é que é bom!; ou então, compra uma Yamaha que aplicas melhor o teu dinheiro; e também, se fosse a ti nem pensava duas vezes, optava era por uma Kymco; ou mesmo, se comprares uma Honda ficas melhor servido; etc...etc...
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É claro que tenho consciência de que não posso cair no erro nem no absurdo de dizer que são todas iguais e que valem todas o mesmo enquanto máquinas que são....mas TODAS TÊM UM LUGAR AO SOL e todas elas são merecedoras de atenção.
O eu gostar de um punhado de marcas não me pode tornar viciado nessas marcas ao ponto de fechar os olhos à existência de outras e, pior ainda, aconselhar a alguém esta ou aquela sem olhar àquilo que o incauto comprador, carregado de dúvidas, realmente precisa para o seu dia-a-dia.
Na mesma categoria de modelo, aceito que uma Daelim não seja o mesmo que uma Honda, uma Kymco não seja o mesmo que uma Yamaha, uma Sym não seja o mesmo que uma BMW...mas, a relação custo-benefício das primeiras está num patamar bom q.b., para que seja mais do que natural a escolha e até muitas das vezes, direi eu sem quaisquer complexos, se tornem naquilo que usualmente se designa como "uma compra inteligente".
O único vício que deveremos ter enquanto motociclistas é precisamente o gosto que temos em andar neste tipo de veículos e que tanto prazer nos dão. Esse sim....esse vício pode ser consumido numa base diária e os únicos efeitos nefastos estarão nas visitas mais frequentes ao posto de combustível.
Ontem andava numa scooter de marca "X", hoje ando num modelo da marca "Y" e amanhã....amanhã quem sabe se não estarei a andar numa outra scooter, enquanto proprietário da mesma, de uma marca de quem tão mal escrevi...
P. F. não leiam com 2 pedras nas mãos estas palavras que aqui deixei!
O que escrevi é para todos e não é para ninguém em particular!
Todos nós temos passagens na nossa vida em que por vezes escrevemos, respondemos ou ripostamos, aqui no fórum ou na nossa vida, de uma forma em que possivelmente mais tarde nos arrependemos ou somos levados ao entendimento que poderíamos ter dado um esclarecimento da nossa visão de uma forma distinta.
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