Clube Português Motociclismo
GERAL => Legislação e informações relevantes na área do motociclismo => Tópico iniciado por: Pianoman em Agosto 26, 2016, 14:16:06, 14:16
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(http://uploads.tapatalk-cdn.com/20160826/1d5415896c73a4f84b372472d0e4db62.jpg)
EURO 4 PARA MOTOS
A normativa Euro 4 para motos já está em vigor. É mais restritiva em relação aos gases poluentes e obriga a que as motos e scooters tenham ABS (cilindradas superiores a 125cc) ou CBS (cilindradas inferiores a 125cc). Este ano não se poderá fabricar nenhuma moto que não cumpra a norma Euro 4 e em 2017 não se poderá matricular nenhuma moto fora do Euro 4.
Que consequências tem isto tudo para nós?
Antes de mais, uma pequena história:
1992: começa o Euro 1, aplicado aos carros. Para as motos só se aplicou em 1999.
2003: Entra a norma Euro 2 para as motos.
2006: Euro 3, que se mantém em vigor por 10 anos. Neste período foram controladas fundamentalmente duas coisas: os limites das emissões de CO e os hidrocarbonetos não queimados. Aqui se incluem, por exemplo, os óleos dos motores de 2T ou a gasolina que sai directamente pelo tubo de escape (quando o motor está muito frio, por exemplo.
OS TESTES
Os testes (desde este ano mais complexos e especificos para os motociclos) classificam as motos em 5 grupos:
- Motos com cilindrada inferior a 150cc e com velocidade máxima que não ultrapasse os 100km/h
- Motos com cilindrada inferior a 150cc e com uma velocidade que supere os 115km/h
- Motos de qualquer cilindrada mas que não superem os 130km/h
- Motos de qualquer cilindrada mas que não superem os 140km/h
- Motos de qualquer cilindrada e que superem is 140km/h
Estes testes agora incluem (para além das já existentes provas urbanas e prova de estrada) uma prova interurbana. Assim, as motos são testadas a 60km/h (urbana), entre 53 e 100km/h (interurbana) e entre 111 e 120km/h (estrada).
Para além destes testes também são feitas outras medições e verificações, como por exemplo:
- As emissões do cárter para a atmosfera (que devem ser zero)
- A obrigação de a moto não ser contaminante parada (imaginem uma moto ao sol que deixa escapar vapores de gasolina)
- Que as peças usadas com a função de não contaminar (o catalisador, por exemplo) tenham uma duração garantida
- A verificação dos consumos de combustível
- Os sistemas de informação e diagnóstico a bordo (OBD)
AS CONQUISTAS DO EURO 4
Com esta normativa as motos estão obrigadas a emitir MENOS 56% de CO do que as motos do Euro 3, ou seja, se a uma moto com Euro 3 era permitido emitir 2,620 g de CO por quilómetro, com o Euro 4 só poderá emitir 1,140.
No caso dos hidrocarbonetos não queimados (THC) as reduções entre o Euro 3 e o Euro 4 andam na ordem dos 50% (é aqui que as motas de 2T têm mais dificuldades...)
ENTÃO E AS CONSEQUÊNCIAS PARA NÓS?
Pois...posso lançar algumas ideias:
Como os fabricantes terão que lançar motores mais complexos e com mais elementos que limitem a contaminação e que façam o diagnóstico do motor (mais sondas e catalisadores), de início será difícil controlar isto tudo sem um sistema de injeção, logo uma das primeiras consequências será a substituição dos sistemas se carburadores por sistemas de injeção (lembro-me aqui da SYM GTS 125 evo...)
Todo este aumento de complexidade e processos terá outra consequência: o aumento do custo de fabricação
Isto poderá levar a uma pressão extra aos pequenos fabricantes que não terão capacidade para suportar este aumento se custos e, eventualmente, terão que comprar motores aos grandes.
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Bom aqui posso contribuir com o que sei da minha kxct.
O motor é o sk25aqui na versao b que ja faz esta norma.
Em relaçao as downtown por ex o construtor diz no manual que esta um tubo no cárter a aproveitar possíveis gases contaminantes e envia para a admiçao outra vez.
Resumindo ,ha menos potencia declarada no mesmo motor .
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Bom post companheiro! Algumas coisas que não estava ao corrente!
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Obrigado pela partilha destas informações tão importantes e esclarecedoras.
João :scooter: :scooter:
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Obrigado pela partilha.
Não estava ciente da diferença.
É um assunto deveras interessante numa altura em que se fala no desaparecimento de modelos míticos de alguns dos fabricantes e também dos escândalos da falsificação de testes.
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Desculpem o off mas tenho de desabafar,...
Tanta treta com Euros numerados e nunca mais avançam com motorização elétrica, estão à espera que o petróleo acabe ou que o mundo fique submerso com o degelo dos árticos ?
Já agora que metam um sensor no nosso traseiro para medir o nível de co2 e ai de quem passar do máximo admitido.
É tudo uma treta pegada para mostrar que se preocupam com o clima mas continuam a poluir com as suas fábricas de mentiras.
Quando se lembrarem do Euro 5 já andamos a cheirinhos.
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O que eu acho aqui é que se sabe qual é a solução mas não existe vontade económica em abaratar a solução.
O Hidrogénio é uma fonte quase inesgotável, que necessita de investimento e desenvolvimento para criar uma rede de distribuição e adaptar (isto é bué facil) os veículos para funcionarem com este tipo de combustível.
Existem no entanto grande lobby's que não querem que isso aconteça.
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O que eu acho aqui é que se sabe qual é a solução mas não existe vontade económica em abaratar a solução.
O Hidrogénio é uma fonte quase inesgotável, que necessita de investimento e desenvolvimento para criar uma rede de distribuição e adaptar (isto é bué facil) os veículos para funcionarem com este tipo de combustível.
Existem no entanto grande lobby's que não querem que isso aconteça.
Claro que sim. Os Lobbis mandam em tudo.
Um casal amigo meu regressou hoje de umas férias no Dubai. Lá, produzem 32 mil milhões de barris por dia e têm gasolina a 21 cêntimos. Não têm sequer gasóleo, salvo em sítios muito esporádicos para os camiões.
Estes, e outros, não querem de certeza perder o estilo de vida a que estão habituados...
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Obrigado pela partilha, Nuno.
Vários são os pormenores que eu desconhecia e que de forma fácil e bem explicada ali nos deste a conhecer. :nice: