Clube Português Motociclismo
Marcas de Motociclos => Honda => Tópico iniciado por: jlourenco27 em Dezembro 23, 2020, 21:53:17, 21:53
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Caros, acabei de trocar a minha NC750x, mas com as boas recordações que fiquei da mesma, achei partilhar os meus pensamentos em prole de outros que, tal como fiz no passado, andam à procura de informações para a sua próxima mota de dia-a-dia:
Para dar contexto:
Sou um amante de máquinas de qualquer tipo, sejam elas motas, carros, aviões, planadores, barcos (à vela) ou computadores! Um verdadeiro "engenheiro" de cabeça e coração... ;)
Tive alguma experiência com motas de todo o tipo no passado (CasalBoss, Lambreta 150, CBR600, Z1000, Virago 1100), mas passei por um largo hiato de 20 anos sem andar de mota (por escolha). Regressei numa intenção meramente utilitária, depois do crescimento infernal do trânsito e andar a perder 4h diárias no meio do trânsito, e decidi arranjar uma scooter para melhorar a qualidade de vida.
Na altura pensei na PCX mas por (boa) recomendação do vendedor, não era a scotter mais indicada para a minha estatura (dava mas ficaria cheio de "dores" em menos de 3 meses), pelo que fui para a "Forza 125" (gostei muto)
Mas depois de ter vários cenários pavorosos com a "scooter" (ex: AE com scooter no máximo, camiões de ambos os lados e, atrás um carro colado à traseira com uma meninas ao volante a olhar para o telemóvel) achei que para o proveito da segurança era melhor mudar para qualquer coisa que pudesse enrolar o pulso e sair rapidamente dali para fora.
Final 2019 foi a altura que mudei para a NC750x pelo preço da mesma e consumo de combustível (cabeça de engenheiro), mas com mudanças manuais a apelar à "alma" do passado. Além que a DCT era (e é) 1000 euros mais cara.
Problema foi que o "bichinho" começou a "morder": mais do que a mera poupança de tempo e maior segurança, o "ventinho na cara" e o ir por estradas que não me atrevia ir de carro, começou a ter um efeito de "relaxamento" quase terapeutico!
Ao ponto essencial:
Pontos fortes:
- Baixo centro de gravidade: muito fácil e maleável nas manobras, seja no meio do trânsito, seja no lugar de estacionamento.
- Met-in: sinto falta daquele espaço extra e prático. Estranha-se estar no lugar normals do depósito mas entranha-se (muito)
- Consumo: 3.4l/100Km é simplesmente imbatível quando comparado com qualquer deste segmento
- Mecânica: simples de baixa manutenção
- Fiabilidade: tem um motor pouco rotativo que torna uma máquina que vai durar por muito tempo, típico das Hondas
- Adaptação: muito fácil de "encaixar", especialmente com DCT
Pontos fracos:
- Caixa manual: é para ficar com "câimbras" a trocar mudanças. DCT é um "must" para esta mota
- Depósito: capacidade 12l limita um bocado a autonomia. Dava jeito ter mais uns litros
- Instrumentos: sei que é uma questão de gostos, mas achei um bocado "psicadélico"
- Altura: é feita claramente para pessoas altas
- Luzes: podia ter um pouco mais de luz
Quem deve comprar esta mota:
- Quem está a começar ou está a sair das "scooters"
- Quem quer mudanças automáticas neste segmento de motas
- Quem quer fazer deslocações urbanas e suburbanas da forma mais eficaz e económica (típco "Commuter")
- Quem precisa de um pouco mais de potência que a C500x (leia-se, os mais "pesados")
- Quem quer uma motas para deslocar do ponto A ao B, mas não quer gastar muito e anda à procura do melhor balanço qualidade/preço
Quem deve evitar:
- Quem gosta de mudanças manuais (alternativas C500x, Versys ou VStrom
- Pessoas de estatura baixa
- Quem quer mais emoção (Naked, Sport-Bike, etc.))
- Quem quer fazer "off-road"
- Quem quer fazer viagens confortáveis de longa duração
- Quem quer "barulho"
Sumário:
Pelagiando muitos escreveram e disseram sobre a NC750x, é uma mota que faz tudo sem ser boa em nada, que é basicamente comum a outas motas deste segmente (Adventure).
Para aqueles que se preocupam com esteriotipos e acham que a NC750x não é uma "mota", digo que pode ter só 50cv de potência, mas acelera, curva, trava e pesa como qualquer outra mota de 750cc. O motor é que é um género de "diesel" das motas, com um pico de 6000 rpm.
O baixo consumo e a grande ligeireza compensam largamente o pouco rotativo motor. Transmite confiança e é confortável para as deslocações dos "suburbanos" (como eu), e serve para fazer passeios ou viagens de qualquer distância desde que não seja de muitas horas seguidas.
Agora a pergunta é: se assim é tão boa mota, porque troquei?
Porque gosto de mudanças manuais e a NC750x é feita claramente para DCT, e a relação da caixa manual é extramente curta, o que faz andar constantemente a subir/descer. Volto a frizar que o DCT é mesmo um "must" nesta mota.
Sobretudo porque a escolha da NC750x foi feita com a cabeça, mas esqueci-me que tenho um coração que pertence ao mundo das motas simples e imperfeitas! :)
Abraços e segurança nessas curvas!
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Bom resumo. :nice:
Somos todos diferentes, procuramos e damos valor a coisas distintas, assim como pretendemos de uma moto 'coisas' que não são necessariamente próximas daquilo que outros procuram.
E esse longo hiato de tempo pode diferir também muito naquilo que depois se procura para regressar aos comandos de um motociclo.
Uma opinião bastante abrangente.
Obrigado pela partilha.
Já agora, mais acima mencionas 12L, mas permite-me a correcção para dizer que são 14.1L de capacidade de depósito. :nice:
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Tudo dito. Partilho da opinião do jlourenco27, a NC é isso mesmo. Saí de uma scooter 250, para a NC, coisa que já andava debaixo de olho como a futura opção em caso de mudança.
De facto eu, que já tinha saudades de meter mudanças, quando deparei com esta máquina, não pensei duas vezes. A caixa manual tem uma relação curta nas baixas, o que em percursos de pára-arranca e baixas velocidades, gastam-se os dedos e a bota esquerda a trabalhar. A DCT é um must nesta moto, de facto.
Muitos Kms com a nova montada.
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Quando passei da Forza 125 para a NC750X, precisamente pelas mesmas razões..
Nunca tinha tido nenhuma moto, mas avisaram-me logo que se quisesse ir para mudanças a NC era a pior opção. Optei por DCT.
Mais tarde, já bem farto das "maravilhas" da DCT (ou fui apenas eu que nunca me adaptei bem!), num misto de querer mais controlo e feeling através das mudanças e o bichinho a pedir outro tipo de pujança, troquei para a CB650R.
Plenamente satisfeito com a CB, mas ainda assim a NC deixou saudades. Especialmente pela desenvoltura em trânsito devido ao muito baixo centro de gravidade, consumos e uma capacidade de arrumação/transporte fora de série, assim se meta uma top-case a complementar o met-in 
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Não concordo que a versão manual seja assim tão castradora e que seja rotulada dessa forma tão redutora. Nunca experimentei a versão DCT, agora a minha curta experiência com a de caixa manual (versão de 2019) diz-me que é uma mota muito sólida, suave, bastante ágil para o peso que tem, boas acelerações, económica (tanto ao nível de consumos como de manutenção). As únicas coisas negativas a apontar, até agora, são o banco pouco confortável e o vidro relativamente pequeno que, a velocidades acima de 140 kms/h, se torna incomodativo - coisas que se podem contornar no mercado de reposição. Como já se tem vindo a repetir, não sendo excepcional, é muito competente em praticamente todos os aspetos.
Concluindo, estou bastante satisfeito e, neste momento, não a trocaria.
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Essa queixa é muito frequente em malta que costuma fazer segunda-circular, ou zonas de grandes engarrafamentos diariamente.
Dos relatos que li, afirmam que ao fim de algum tempo torna-se cansativo e incomoda.
Como a minha tinha DCT não sei se é mesmo assim, e/ou se depende também do estilo de condução de cada um.
Imagino que quem ande mais apressdo a filtrar trânsito obrigue a trocas constantes de caixa, devido ás relações tão curtas.
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Gostei da review e pareceu-me ser bem completa (apesar de resumida) e honesta "sem filtros" face ao que é realmente a NC750X e que já foi a NC700X.
Nunca experimentei uma destas coisas (não me levem a mal pois é por mera piada que indico esta referencia que muitos a usam), apenas me sentei e de facto não é moto para mim que não sou beneficiado de duas pernas mais compridas...
Em todo o caso é um modelo que pouco ou nada serve falar bem ou falar mal pois as vendas estão aí para comprovar que tem características e qualidades que são ou foram capazes de cativar os actuais e futuros proprietários a a adquirirem.
MAS se o trajecto de um motociclista não começar nas scooters, ou as detestar (eu não detesto mas não me sinto confortável pelo tipo de condução ligeiramente diferente), será que são esses que terão mais anticorpos a aceitarem estes modelo como um outro qualquer de cilindrada não tão diferente?
Quando todas as motos forem eléctricas, este deverá ser um conceito que irá morrer pois deixará de fazer sentido a questão do consumo... pois entretanto deverão todas ter um consumo eléctrico não tão diferente entre si...
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O novo modelo 2021, fruto de alterações que ditam maior potência e binário ao modelo, muito provavelmente ditará sensações de condução algo diferentes.
Pelo menos na desenvoltura do bloco.
Quanto à cx automática e tendo experimentado ambas no modelo (na 700 ou na 750), sem dúvida que lhe vejo muitas vantagens.
Além de que cada vez está mais evoluída e permite modos bem distintos de condução.
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A Honda França, depois de ter verificado que praticamente só vendia a versão DCT, vai propor apenas esta versão no modelo 2021.
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O novo modelo 2021, fruto de alterações que ditam maior potência e binário ao modelo, muito provavelmente ditará sensações de condução algo diferentes.
Pelo menos na desenvoltura do bloco.
Quanto à cx automática e tendo experimentado ambas no modelo (na 700 ou na 750), sem dúvida que lhe vejo muitas vantagens.
Além de que cada vez está mais evoluída e permite modos bem distintos de condução.
Pelo que pesquisei, vai ganhar 4cv e 1Nm. Não acho que isso, mesmo aliados aos 3Kg de emagrecimento, possam trazer diferença nas sensações transmitidas.
Continuo a acha-la uma mota que oferece pouco para o valor pedido, sendo apenas viável na opção DCT para quem por N razões possa valorizar a caixa automática numa mota normal.
Está entre dois segmentos de mercado, mas não consegue encaixar na perfeição em nenhum dos dois... Falta-lhe potência para ser uma "das grandes" e falta-lhe ser mais barata para ser uma "das pequenas". Além do mais, falta-lhe conforto para se comparar tanto a umas como a outras.
Com valores tão semelhantes aos da Tracer 700 (+700€), Versys 650 (+990€) e V-Strom 650 (+999€) e performance tão semelhante à Cb500x (-1100€), TRK 502 (-2000€) e Macbor XR5 (-1500€), garantidamente nunca a NC entraria na minha lista de possíveis motas.
Muita gente (tenho casos que me são próximos) vai iludida com os 750cc, tive inclusive um caso de um amigo genuinamente me perguntou por que é que não comprei a NC em vez de ter comprado a TRK que é só uma 500cc. Quando lhe mostrei as specs, ele ficou boquiaberto da diferença de potencia ser tão curta. A seguir mostrei-lhe as specs e preço de uma Tracer, e mais boquiaberto ficou.
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A questão esteve sempre na forma como parte das pessoas olhou quase em exclusivo para as prestações de um modelo e com isso 'catalogou' como melhor ou pior, ao olhar para outros modelos. :)
Acontece muito isto e já o li várias vezes neste fórum.
No entanto e particularizando aqui à NC, com gerações pelo meio e vários anos passados desde que foi lançada inicialmente como 700cc, a realidade é que continua a agradar q.b. a um grande número de motociclistas.
Significa isto, muito simplesmente, que specs não é algo que seja visto de forma igual por cada um de nós.
E isso é perfeitamente normal, atenção.
Mal do motociclismo se procurassemos todos a mesma coisa, ou tivéssemos pretensões por igual. :nice:
Os números de venda do modelo têm sido relevantes desde há anos.
Veremos se esta renovada 750X consegue (ou não) o mesmo...
Aquilo que aconteceu em França e agora li mais acima quanto às vendas em exclusivo da versão DCT, é bastante curioso. Muito mesmo...
Aqui há uns anos atrás aposto que nem 50% venderiam com cx automática.
La mentalité change vraiment... :)
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Estou de acordo mas a aproximação comparativa pelas specs é apenas uma das muitas variáveis que influenciam uma compra e os volumes de vendas, aliás tal como o preço de venda.
Pelas specs, e pelo preço, e só por estes, também ninguém compraria uma X-ADV, uma TMAX, uma Forza 750 e muitos outros exemplos de modelos bem sucedidos, passados, presentes e futuros.
Há vários conceitos, nas motos e mais ainda nos automóveis que não se valem, nem de perto nem de longe, só por dois critérios. Diria que no fim, o que predomina e é importante é a variedade de oferta e o sucesso de cada conceito, por vezes também a exclusividade, e sem dúvida que a família NC é um bom exemplo; se fosse um mau produto, globalmente, não vendia como vende, ano após ano, de record em record de vendas e a nível quase mundial (com algumas excepções).
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Estou de acordo mas a aproximação comparativa pelas specs é apenas uma das muitas variáveis que influenciam uma compra e os volumes de vendas, aliás tal como o preço de venda.
Pelas specs, e pelo preço, e só por estes, também ninguém compraria uma X-ADV, uma TMAX, uma Forza 750 e muitos outros exemplos de modelos bem sucedidos, passados, presentes e futuros.
Há vários conceitos, nas motos e mais ainda nos automóveis que não se valem, nem de perto nem de longe, só por dois critérios. Diria que no fim, o que predomina e é importante é a variedade de oferta e o sucesso de cada conceito, por vezes também a exclusividade, e sem dúvida que a família NC é um bom exemplo; se fosse um mau produto, globalmente, não vendia como vende, ano após ano, de record em record de vendas e a nível quase mundial (com algumas excepções).
Sem duvida. Eu, pessoalmente, estava interessado numa maxiscooter, e especificamente na Honda Integra, pois: tinha o mesmo quadro, as mesmas rodas e o mesmo motor da NC... mas olhando para o facto de gostar de scooter e depois de ver a diferença de preços, comecei a fazer contas: mesmo com o combustivel a 1,5€, com 2000 euros do diferencial de preço, comprava 1.300 e tal litros; para uma moto que gasta 4 aos 100, faço uma carrada de Kms à pála desse diferencial.... e foi o que fiz! fiquei com a mesma máquina, só que com a "chaparia" diferente.