Autor Tópico: Operações "Stop" em rotundas  (Lida 8169 vezes)

Abril 12, 2018, 12:43:52, 12:43
Lida 8169 vezes

carlos-kb

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Boas...

Já em outro forúm abri em tempos um tópico acerca deste tema. E como se tocou neste assunto ali no tópico das "turbo-rotundas", surgiu-me a ideia de também meter esta questão aqui a debate.

O C.E. proíbe determinantemente a paragem e o estacionamento em rotundas.

No nº1 do seu art. 49º:
«1 – É proibido parar ou estacionar:

a) Nas rotundas, pontes, túneis, passagens de nível, passagens inferiores ou superiores e em todos os lugares de visibilidade insuficiente;»


No entanto, e como todos sabemos, o local privilegiado para a GNR / PSP fazerem operações de fiscalização (aka operações "stop") são precisamente as rotundas...



Bem sei que as ordens dos agentes de autoridade se sobrepõem às restantes prescrições do Código da Estrada. Mas ainda assim, não entendo este convite a uma infracção, e pior de tudo, colocando em causa a segurança de quem é mandado parar, dos próprios agentes e de quem mais circula no local.

É certo que quem não deve, não teme! No entanto, apanho com frequência e diariamente este tipo de procedimento das autoridades a serem realizados dentro de rotundas, em muitas das quais já fui inclusivamente mandado parar e fiscalizado.

A única razão que vejo para tal, por inerência, é que qualquer condutor numa rotunda, pela sua morfologia, é forçado a reduzir a velocidade (ou mesmo a parar),  possibilitando assim da parte das autoridades, a  "triagem" dos condutores que pretendem fiscalizar.
No entanto, depois são os vários veículos a ser fiscalizados, mais as viaturas da autoridade, os agentes como peões e o restante aparato, tudo num local aonde de si já é um ponto crítico e propício a acidentes.

Será que não existem outros locais para fazer os ditos (e necessários) controlos de trânsito? Para além da infracção ao C.E. (que só não o é especificamente por ser imposta como ordem de um agente regulador de trânsito), complica imenso a vida a toda a gente e são obstáculos altamente perigosos para quem está a conduzir e para quem está parado do interior da rotunda.

Em tempos abordei um amigo meu, militar da B.T., com esta questão... ao que ele me respondeu prontamente:

«Se o CE proibe é porque é perigoso, se é perigoso não deve ser um local para se fiscalizar, ocupar a faixa de rodagem em "curva" é perigoso, ainda para mais quando a atenção do condutor está direcionada no sentido do transito (esquerda) .»
Mas isto é a opinião de um agente. Contrariamente continuamos a ver que o procedimento geral é o oposto.

Considero assim uma operação "stop" no interior de uma rotunda, um procedimento de fiscalização impróprio e que pode comprometer bastante a segurança e fluidez rodoviária.
Se a legislação existe para garantir essa segurança e fluidez, contrariar essa legislação "só porque dá jeito", promovendo o risco, anda mais de quem deveria dar o exemplo, penso ser do mais incongruente.

Deixo aqui o assunto a debate. Gostaria de saber as vossas opiniões.
« Última modificação: Abril 12, 2018, 12:45:59, 12:45 por carlos-kb »

Abril 12, 2018, 14:11:59, 14:11
Responder #1

TMXR

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A paragem em rotunda, adicionava uma que ate me parece bem mais perigosa que é a paragem em Auto-estrada que é o modus operandi das brigadas de controle de velocidade com os veiculos descaracterizados equipados com o Provida (curioso e "eufemistico" nome... pro-multa parece-me bem mais ajustado  ;)) em  que me parece que colocam os condutores em situacao bem mais perigosas do que a que eles se expoem ao circular em excesso de velocidade/uso telemovel/etc




Dá-me ideia que para o MAI todos os meios sao justificáveis para conseguir os objectivos e que neste caso particular conseguem justificar todas as suas accoes em nome de uma pseudo-seguranca











Yamaha Tmax 500/530 * BMW C Evo/R1200GS/1250 GS/1200 GSA/1200 RT * KTM 1290 SAS *  Trimph Tiger 800 XRT / Street Triple RS * Ducati Multistrada 950S/1200S/1260S/Enduro *  Kawazaki Z900  * MV Agusta Turismo Veloce Lusso * Honda Crf300l

Abril 12, 2018, 15:08:17, 15:08
Responder #2

dfelix

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...uma que ate me parece bem mais perigosa que é a paragem em Auto-estrada...

Uma bela manhã saio da Repsol da A8 no sentido de Loures... entro na faixa da direita, enrolo punho e siga...
Devo ter passado uns 20 carros que circulavam mais lentamente nas faixa central e esquerda. Como é prática corrente.

Algumas centenas de metros à frente...  sirene e pirilampos.
Tinha atrás de mim um carro da BT. E mandaram-me encostar.

Encostei poucos metros antes da saída para a A9/CREL.
A berma ali é estreia. E cada camião que passava provocava uma deslocação de ar que tudo abanava.

Perante aquela situação... e logo após um valente abanão o diálogo foi:

Eu: Xor guarda... estamos bem parados aqui?
Bófia: Quem é que manda aqui? Sou eu ou você?


E é isto...


Abril 12, 2018, 17:15:24, 17:15
Responder #3

JViegas

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Também já me mandaram parar em rotundas para ser fiscalizado.

Existe uma rotunda por onde passo quase diariamente (Frielas por debaixo do viaduto) e no sentido oposto por onde saio (na rotunda) está regularmente um carro da policia a mandar parar carros. Ainda não fui mandado parar aí... mas lá acontecerá.

A situação não é a melhor pois os policias estão expostos, sujeitos a levar com uma "mocada" de um carro que passe ou poderá ocorrer algum embate entre veículos "estacionados" na rotunda com o trânsito que ali circule.

Também não acho normal esta situação no entanto não questiono os agentes da autoridade. Numa próxima "oportunidade" irei questionar o agente.

Já fui mandado parar depois de rotundas (Olival Basto - Póvoa de Santo Adrião) e em segurança para o policia e para mim foi realizada a operação de fiscalização.

Quanto a autoestradas e com os meios tecnológicos ao dispor dos agentes da autoridade (foto/filme) do veículo transgressor, para quê mandar parar o veículo quando pode ser enviada a nota de ocorrência/culpa/multa para casa do proprietário do veículo.

Abril 12, 2018, 17:21:27, 17:21
Responder #4

Moto2cool

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Por muitos anos que se tenham passado ainda temos resquícios da ditadura fascista na sociedade, uma delas é o excesso de autoridade e a  impunidade das forças policiais.
É verdade que se tem evoluído mas ainda temos muito que fazer para que a sociedade tenha uma polícia civilizada que respeite os direitos dos cidadãos.
Outro exemplo semelhante é a paragem de veículos com radar nas bermas.
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Abril 12, 2018, 17:27:44, 17:27
Responder #5

carlos-kb

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Quanto a autoestradas e com os meios tecnológicos ao dispor dos agentes da autoridade (foto/filme) do veículo transgressor, para quê mandar parar o veículo quando pode ser enviada a nota de ocorrência/culpa/multa para casa do proprietário do veículo.

Neste caso específico, é mais rentável e menos moroso do que depois mandar a notificação para casa. O infractor é autuado "em flagrante delito" e por norma, a coima é liquidada no momento seguinte à infracção.

A notificação via postal só acresce tempo e custos ao processo, dando ainda azo ao tempo para que o infractor seja identificado pelo proprietário do veículo (pois é este que é notificado).

Abril 12, 2018, 23:04:46, 23:04
Responder #6

jmartins13

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Uma vez multaram-me por ter a moto estacionada mesmo colada à passadeira. Não estava em cima, mas não estava a 5 metros como manda o código, mas em lisboa, quem respeita isso?? Entretanto estaciona um carro e o agente nada....rebelguei e não me respondeu. Depois disse no fim que iria concerteza multar toda a rua, pois sendo de um só sentido, não se podia estacionar dos dois lados. Respondeu que eu não tinha nada a ver com o trabalho da Polícia :megafeliz:

Doutra vez estacionei  o carro um pouco em cima da passadeira com os piscas, nem demorei 5 minutos e por azar o reboque passou e quando cheguei já estavam no activo. Tudo bem, o mais cómico foi enquanto me passavam a multa outro carro chegou e ali nas barbas do aparato todo, estacionou no mesmo sítio e  foi à vida dele.....rebelguei, e levei a resposta que a polícia não pode estar em todo o lado ao mesmo tempo! E eu disse, como eram 2, se era necessário os 2 para passarem a multa? Lolol ficaram todos respigados e foram mesmo embora e deixaram lá o outro carro. Olha ao menos ainda levaram " uma boca" ! Fazem o que querem como querem. É assim.

Abril 12, 2018, 23:36:11, 23:36
Responder #7

Sapiens21

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    Queira o bem. Faça o bem. O resto vem...
Indo eu de carro e na noite (madrugada melhor dizendo) em que sai do copo-d´água do casamento do meu cunhado, fui mandado parar também numa rotunda. Foi apenas uma das 3 únicas paragens que tive de carro por indicaçáo da autoridade.

Dois militares da GNR faziam fiscalização e a escolha foi mesmo na faixa exterior da rotunda.

Ou por ser demasiado tarde ou porque o local já estava mais do que "batido" pela malta que bebe uns copos e sabe onde eles estão, posso dizer que não passou nem um único veículo enquanto ali estive em fiscalização.
Mas o local de facto não era o melhor... Nem de perto.

Valeu o facto de não me mandarem soprar...
Não sei se foi por ter dito que vinha de um casamento do meu cunhado. A coisa ficou apenas pela apresentação da papelada e a que se seguiu um "faça boa viagem". :)
"Pouco importa o julgamento dos outros. Os seres humanos são tão contraditórios que é impossível atender às suas demandas para satisfazê-los.
Tenha em mente simplesmente ser autêntico e verdadeiro."

Dalai Lama

Abril 14, 2018, 13:49:59, 13:49
Responder #8

Moto2cool

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Quanto a autoestradas e com os meios tecnológicos ao dispor dos agentes da autoridade (foto/filme) do veículo transgressor, para quê mandar parar o veículo quando pode ser enviada a nota de ocorrência/culpa/multa para casa do proprietário do veículo.

Neste caso específico, é mais rentável e menos moroso do que depois mandar a notificação para casa. O infractor é autuado "em flagrante delito" e por norma, a coima é liquidada no momento seguinte à infracção.

A notificação via postal só acresce tempo e custos ao processo, dando ainda azo ao tempo para que o infractor seja identificado pelo proprietário do veículo (pois é este que é notificado).
Além de que deve dar "premium" para os objectivos do guarda
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Abril 18, 2018, 10:47:32, 10:47
Responder #9

dfelix

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Neste caso específico, é mais rentável e menos moroso do que depois mandar a notificação para casa. O infractor é autuado "em flagrante delito" e por norma, a coima é liquidada no momento seguinte à infracção.

A notificação via postal só acresce tempo e custos ao processo, dando ainda azo ao tempo para que o infractor seja identificado pelo proprietário do veículo (pois é este que é notificado).

Errado!
Por isso é prática cada vez mais comum enviarem para casa!

Tecnicamente o infractor é sempre apanhado "em flagrante delito"!
O que muda é o momento da entrega do auto. E atrasar a entrega é vantajoso para os agentes e sobretudo para o Estado.
Repara:

Acima de tudo porque se evita confronto directo no "calor do acontecimento".
Não há interacção entre os agentes e cidadãos zangados.
O que não só poupa a humilhação destes como impede a possibilidade de algumas "presas" serem "perdoadas" por simpatia ou mesmo por um hipotético suborno.

Isto permite também que a caça seja feita com uma menor logistica.
Basta um veículo e dois agentes.
Ao passo que na caça em que a vítima é abordada envolve pelo menos um segundo veículo. E habitualmente bem mais do que isso.
(Na passada 6ª fui atacado por uma matilha de alguns 10... que poderiam perfeitamente estar junto a escolas ou nos bairros problemáticos que há ali perto a serem úteis para a sociedade)

Outra grande vantagem de enviarem para casa é que na maior parte das vezes a multa quando chega já não é uma surpresa.
A vítima fica sempre com a sensação de que viu um flash. E ao longo de meses ou anos vai se habituando à ideia.
Mesmo quando é uma surpresa... a reacção dá-se no conforto do seu lar. Pode descarregar a fúria na esposa/marido e filhos, e dentro do prazo pagar via net ou no MB mais próximo... evitando novas interacções com agentes evitando assim estimular qualquer sentimento de culpa.

Por último mas não menos importante é o facto de que com o passar do tempo vamos ficando mais esquecidos.
O que significa que numa eventual contestação da multa já não estamos tanto a par do que realmente ocorreu. Ao passo que os caçadores têm tudo devidamente documentado.

« Última modificação: Abril 18, 2018, 10:49:38, 10:49 por dfelix »