Já existe tópico dentro do tema... 
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Ainda que não haja propriamente problema, julgo ser preferível manter-se a discussão do tema num só tópico.

O link não está correto. 
Ainda se lembram?? "Inspeção obrigatória a motos a partir de Outubro"
Para mim, está.
Tal como muitos outros, não sou contra as inspeções. São um "mal" necessário, tendo em conta as barbaridades que se vêm por esse Portugal fora. Mas é exactamente este aspecto que me revolta. As maiores barbaridades vistas são, quase em exclusivo, nas motos ABAIXO dos tais 250cc. Sim, também se vêm por aí alguns abortos de cilindradas superiores, mas a grande maioria começa logo nas 50cc. Falta de piscas, luzes, escapes "artesanais", pneus completamente carecas e travões a malhar no ferro são o "prato do dia" no sector das 50cc, 125cc e até as 250cc.
Quando se quer reduzir as mortes na estrada ( embora eu ache que o rabo nada tem a ver com as calças ) impondo inspeções aos veículos de maior performance e que são, em 99% dos casos, tratados melhor que um animal em vias de extinção mas deixando de fora os exemplos mais flagrantes de desleixo, como as motos abaixo dos 250cc, os tratores agrícolas e os chamados "mata-velhos" ou "papa-reformas", parece-me que existe uma certa incongruência e incompetencia.
Logo para começo de conversa, a razão do aumento do numero de mortes envolvendo motociclos é, no mínimo, discutível. Sendo um facto que o aumento das vendas implica um maior numero de pessoas a circular em motociclos, aliado ás condições metereologicas ( que foram, por altura do ultimo estudo efectuado, excelentes para a utilização de motociclos ) , seria de esperar um aumento dos acidentes, com as inevitáveis consequências ( se é que se pode dizer que todos os acidentes são inevitáveis ou o contrario ). Mais malta na estrada, de moto, de carro, a pé ou de gatas, implica mais acidentes, isso é um facto comprovado. Para acabar com todos os acidentes e vitimas na estrada, só interditando a venda de todo e qualquer veiculo e proibindo as pessoas de sair á rua.
Seguindo á frente, os acidentes com motos aumentaram porque há mais motos a rodar, certo? Em parte, sim. Mas os acidentes que envolveram motos, com ou sem desfechos de vitimas, foram exclusivamente provocados por motos? Quase de certeza que não! Sem ter a mínima duvida que muitos foram provocados por infelicidade ou desleixo dos motociclistas ( excesso de velocidade, abuso de substancias proibidas, um pneu furado, más condições da via publica, etc ) também não tenho a mínima duvida que a maior parte foram provocados por outros utentes da via publica. Falando por mim, num espaço de três dias ia malhando 4 vezes ( uma distração que me ia metendo na bagageira de um smart, duas vezes em que quase me abalroaram numa rotunda, estando eu a circular na minha faixa e a sinalizar para onde ia, e uma vez que tive que me armar em Rossi para não passar uma miúda a ferro, quando ela atravessou fora da passadeira, a seguir a um carro parado e com a porra dos fones enfiados nas orelhas ).
Qualquer uma destas 4 situações poderiam, não fosse a minha pouca experiencia e sorte, ter-me atirado para o hospital. E qualquer uma delas poderia ter consequência graves, até mesmo a morte, se tivesse um pouco de azar e fosse atropelado por alguém que viesse atrás de mim, fazendo da minha pessoa mais um numero nas estatísticas. Basicamente, 4 situações perigosas, 1 culpa minha ( andar atrás de carros na cidade enquanto se olha para as pernas de uma miúda, nunca dá bom resultado... felizmente, foi só o susto... ) e 3 provocadas por outros.
Ora, as inspeções não evitam NENHUMA destas situações. E, ao não evitarem NENHUMA destas situações, invalida logo á partida que a razão apresentada para inspecionar as motos seja a segurança dos motociclistas e a redução das mortes na estrada.
Mas adiante, como já disse não sou contra as inspeções "per se". Sou, pelos motivos apresentados anteriormente e, esta é das maiores roubalheiras que o Governo quer impor aos motociclistas, pelo processo que querem implementar.
Como todos sabemos, existem inúmeras marcas que vendem, nos seus stands oficiais, material oficial de embelezamento ou de melhoramento de performance do veiculo ( escapes personalizados e homologados para modelos em especifico, espelhos, piscas, suportes de matricula, luzes adicionais, etc ). Tomemos como exemplo, uma Yamaha MT-07. Esta moto tem toda uma gama de acessórios vendidos nos stands da Yamaha Portugal que são homologados. São acessórios que qualquer proprietário que assim o deseje pode obter nesses stands, grande parte deles com o logotipo da própria marca e outros, como no caso dos escapes, com uma gravação a laser personalizada para a moto em questão. Mas também todos sabemos, ou deveríamos saber, que todos esses acessórios, se não forem averbados no livrete, dão direito a multa e inspeção B. Isto acontece porque, segundo o código da estrada, toda e qualquer modificação feita ás características originais do veiculo, sem o consequente averbamento no livrete, é ilegal e passível de multa.
Até aqui estou a falar de peças compradas na MARCA, produzidas pela MARCA ou encomendadas pela MARCA para um modelo em particular. Já nem vou falar de peças after-market que não são da MARCA, feitas pela MARCA, vendidas pela MARCA, em stands da MARCA.
A moto vai á inspeção: Tem luzes que dão para ver e ser visto? Tem! Tem piscas que piscam e são visíveis? Tem! A matricula está iluminada e visível? Está! Tem espelhos que não excedem as dimensões e são funcionais? Tem! Tem pneus em condições? Tem! Tem travões que funcionam? Tem! O escape cumpre com as normas de ruido? Sim! Então, deveria passar sem problemas, certo? Errado!!! Tirando os pneus e os travões, que são o "seguro de vida" do motociclista, qualquer uma das outras, mesmo que cumpram as normas e funções, só passam na inspeção se estiverem averbadas no livrete. Os piscas, espelhos, suporte de matricula e escape, mesmo que cumpram as normas de homologação e ruido ( no caso do escape ) não servem para andar na estrada... se não for paga uma importância ( que deve ser coisa pouca ) no Instituto de Mobilidade e Transportes para eles escreverem lá no livrete que, efectivamente, fazem exactamente a mesma merd@ que as peças de origem.
O texto já vai longo, quase de certeza que ninguém o vai ler todo, por isso deixo o resumo:
Não sou contra as inspeções, sou contra o motivo no qual se baseiam para as fazer e contra os processos que querem seguir para as fazer. Seja como for, lá para 2021 ( ou talvez não ), logo falamos sobre isso.