Autor Tópico: Motociclo como puro veículo de trabalho  (Lida 2141 vezes)

Julho 31, 2017, 21:14:57, 21:14
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Sapiens21

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Motociclo como puro veículo de trabalho






Numa deslocação em família à pequena aldeia de São Bartolomeu do Outeiro, concelho de Portel, localidade extremamente agradável no contacto com a natureza que a rodeia e onde residem os avós e tios da minha mulher, deparei-me logo junto ao portão da garagem com um motociclo que - por aquilo que me foi transmitido - já foi passado entre familiares e continua  a ser-lhe dado um uso estritamente relacionado com o trabalho ou com deslocações.
Deslocações essas que, de alguma forma, têm também uma certa ligação com a dureza do trabalho do campo.


Trata-se de uma visão totalmente distinta (e que me parece igualmente válida) do uso dado a um motociclo, a qual se distancia bastante dos temas que encontramos na maioria dos fóruns ligados ao motociclismo...nomeadamente da recorrente afirmação do prazer, conforto, comportamento ou velocidade de um motociclo.


Ora neste caso o motociclo e a sua utilização reveste-se de algo muito ligado à sua vertente prática (dentro do seu contexto), uma visão muito ligada à procura de uma mecânica humilde e simples, na relativa facilidade concedida às deslocações mais usuais e nem sempre no melhor tipo de terreno, no custo relativamente baixo quanto às manutenções básicas, na constatação de um motociclo enquanto excelente auxiliar no sustento ou na capacidade de carga (com recurso ao engenho), capaz de envergonhar muitos motociclos com bem mais do que os seus humildes 50cc fariam supor.


Para o caso em apreço (e que volto a referir ser um motociclo pertença de familiares da parte da minha mulher), trata-se de uma Macal M80 Super, de fabrico nacional e com um motor verdadeiramente rock solid da conhecida Zundapp.


Para o seu tempo ( e estamos a falar de quase 40 anos), esta moto era algo de especial dentro da sua gama, com uma carenagem frontal - já não existente nesta unidade - que lhe dava um cunho muito forte e de desportividade.

Era assim quando nova....






O tempo passou, a utilização dada foi sempre do mais variada que é possível, o tratamento concedido à mecânica não o terá sido com especiais cuidados...e agora que estão passadas estas décadas, não consegui deixar de ficar impressionado pelo facto de, com uma manutenção que se vem cingindo ao essencial, ainda assim continua a pegar logo à primeira e sem esforço, conseguindo subir inclinações que custariam a qualquer uma e carregada bem para lá do que se faria supor.


Pelas imagens alguns ficarão impressionados pelo estado em que se encontram os órgãos mecânicos, mas há que olhar para esta realidade e compreendê-la no seu contexto, pois de outro modo e por mais argumentos que sejam dados, não se "encaixa" aquilo que é visto.


E digo isto porque basta saber ou tomar consciência  daquilo que ocorre p.ex. em muitas aldeias e vilas do interior do país, onde o trabalho do campo e das dificuldades da vida obrigam a sacrifícios que não permitem que sobre muito dinheiro ou mesmo a preocupação para tudo.
Trata-se de pessoas que, entre outras coisas, têm a honestidade como um grande valor, que colocam prioridades naquilo que compram, que não procuram aquilo que é supérfluo...e que olham para os motociclos como um verdadeiro veículo de trabalho. E não existe mal nenhum nisso!!


Este tópico não é assim para falar da negligência na manutenção, até porque alguém que perceba esta realidade verá no tópico um sentido bem diferente e de respeito por quem todos os dias faz um uso bem diferente daquele que faz a maioria de nós.





















Aqui estava já de regresso, após ter subido um "ladeirão" com a saca que pode ser vista em fotos anteriores...
"Pouco importa o julgamento dos outros. Os seres humanos são tão contraditórios que é impossível atender às suas demandas para satisfazê-los.
Tenha em mente simplesmente ser autêntico e verdadeiro."

Dalai Lama

Julho 31, 2017, 21:29:22, 21:29
Responder #1

Moto2cool

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Ora aí está uma máquina de um país real onde os habitantes provavelmente não fazem a saudação motard e não frequentam fóruns da especialidade.
Provavelmente essa maquina como antiguidade e para um coleccionador valerá bem mais que o valor atribuído pelo dono.
Às vezes aqui esquecemo-nos que existem países desses, onde nós também vivemos, com as nossas maquinas muito mais acarinhadas, muito mais belas e caras, com as nossas discussões das marcas "boas" e marcas "más".
É bom lembrar isso aqui ao pessoal ( eu incluído) :)  Bom trabalho
Spritmonitor.de" border="0 Suzuki VStrom 650
"Viver a vida não é esperar que a tempestade passe, é aprender a andar à chuva"

Julho 31, 2017, 22:52:09, 22:52
Responder #2

Sapiens21

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Convivemos com esta realidade muitas vezes mais perto do que pensamos, mas raramente lhe ligamos importância ou nos debruçamos a olhar para o seu contexto.

O motociclo enquanto veículo de trabalho ou facilitador de uma realidade em contexto rural, mostra-nos que por vezes devemos alargar a consciência e ver que existe quem não necessite do que é supérfluo...nem sequer liga muito a isso.
Tantas vezes se discute isto ou aquilo, se criam debates intensos em torno de temas que bem espremidos não teriam grande "sumo"...

Aceitar que um motociclo tem diferentes objectivos ou necessidades por parte dos seus proprietários, é encarar o tema genérico do motociclismo de uma maneira muito mais aberta e genuína. E não faz mal nenhum aceitarmos essas (enormes) diferenças no que diz respeito ao fito que é dado a um motociclo.
"Pouco importa o julgamento dos outros. Os seres humanos são tão contraditórios que é impossível atender às suas demandas para satisfazê-los.
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Dalai Lama

Agosto 01, 2017, 00:57:31, 00:57
Responder #3

jmartins13

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  • Marca Motociclo: BMW
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Felizmente que de há uns anos para cá, se tenha criado a consciência de preservar e restaurar estas máquinas que moveram tanta gente no nosso país.
Confesso que estas máquinas, as famel, as z2, as z3, as xf's e as v5 (principalmente esta) têem um lugar muito especial nas minhas recordações motociclisticas 😁 foram essas náquinas que, nas frequentes deslocações a familiares ou amigos dos meus pais, de zonas mais distantes da capital, que me possibilitaram os primeiros contactos com as motos. Sempre essas viagens, que normalmente eram uma seca, passaram a partir dos 14 anos a serem entusiasmantes pelo facto de possibilitarem as tais voltinhas de moto. E foi numa v5  que fui ao chão pela primeira vez. Graças a Deus, foi só pedal do kick que tinha ficado dentro da perna das calças e não me deixou por o pê no chão quando fou preciso fazer inversão de marcha...e sim foi graças a Deus, porque foi no perímetro de terra batida da igreja🤣🤣🤣.
Boas, marcantes e únicas sensações que essas motos me trouxeram... 😊

Agosto 01, 2017, 12:21:19, 12:21
Responder #4

Tiago Parracho

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Não é preciso ir muito longe.

Costumo dizer, meio a brincar, meio a sério, que basta chegarmos a certas terras do concelho de Sintra para vermos uma realidade bem distinta da que vemos em Lisboa e subúrbios mais próximos.

Motas como essa ainda se vão vendo aqui por estas bandas, algumas delas completamente infestadas de ferrugem devido à proximidade do mar, mas mesmo assim, continuam a funcionar e a levar os seus proprietários onde estes desejem se deslocar.

Atualmente já se vê poucas, mas ainda cá andam.

Outras semelhantes mas mais recentes que se vai vendo por aqui são as DT 50 e algumas scooters a 2 tempos, como é o caso da Target ou BWS.

Agosto 01, 2017, 15:08:48, 15:08
Responder #5

karloxilva

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Bonita estampa.
Sei de outras da mesma idade que também foram a sorte (ou o azar) dos burros.
Arrefecimento a ar, claro está, mas olhem-me só aquele espaço para "mexer no motor".
Repare-se no estado daquelas jantes de raios, com quê... "40 anos"?

Isto faz-me recordar um "post" de há dias do Sapiens sobre se os materiais empregues pelas marcas andam pela mesma bitola de antanho.
"Pontos de ferrugem, soldaduras feitas à mão, letras em autocolante..." Qual quê?, ali é dar um 'quick' e ter a expectativa de que ela pegue.
O drama? Uma vela "isolada" - nada que uma sopradela depois de uma escovadela normalmente não resolvam. E "Tá a andar".
Aquilo não é um cartão de visita nem uma fita para medir egos, é apenas um meio de transporte.
O que todas deviam ser.
"O bom senso é a coisa do mundo mais bem distribuída: todos pensamos tê-lo em tal medida que até os mais difíceis de contentar nas outras coisas não costumam desejar mais bom senso do que aquele que têm." René Descartes