https://www.jn.pt/opiniao/jose-manuel-diogo/interior/a-primorosa-de-alvalade-9894024.htmlA historia da Primorosa d’Alvalade A Primorosa de Alvalade·Sexta-feira, 9 de Fevereiro de 2018
Modesta historieta de um espaço dedicado à noite de Lisboa
Quando estes locais ainda se chamavam de boîtes', ou seja, “antros de perdição”, nasceu em Alvalade o Pope Clube. Sim, leu bem, PopE Clube. Isto, porque na altura o nome tinha de ser em Português. Pop Club, nunca! Estávamos a 29 de Julho de 1966.
Inaugurou e fechou no mesmo dia. Afinal de contas, colocava em causa a “dignidade habitacional”.
28 dias depois, uma amável visita nocturna ao “antro”, por um vizinho do prédio (na altura conhecido como Ministro do Interior), alterou a opinião geral. O Pope Club reabriu e assim funcionou até Dezembro de 1973, ao virar da esquina com novas liberdades.
A 28 de Dezembro de 1974, repete-se a história, com novo projecto. Repete-se, devido à governação da altura. Locais como aquele, afirmavam, tinham tendência a desaparecer, logo, para obter todas as licenças necessárias, teve de funcionar a imaginação.
Aí, o habitual 'desenrascanço do portuga' entrou em acção: formar uma cooperativa ou sociedade recreativa era o que estava
a dar, para passar nas malhas da mentalidade em vigor.
O espaço começa por se tentar chamar “Sociedade Recreativa HÓ I HÓ ÀI”, mas não podia ser, devido ao estatuto - sem fins lucrativos. Não dava jeito nenhum.
Tentámos então “A Primorosa d’Alvalade - Bailes”. E passou. Baralhámos o sistema e aquele espaço ficou condenado ao sucesso. Quer dizer, foi e vai ser a “discoteca mais chique cá do bairro”.
Curiosidade: antes de ser local de culto, leia-se, copos &música, foi a “Diamang” (lapidação de diamantes). Ou seja, só teve dois proprietários - o da tal empresa e depois o da “tasca”, que é teimosamente o mesmo, passados 55 anos do, Exmo senhor arquiteto Fernando Jorge Correia.
