
Imagem retirada da internet! (autor desconhecido)
Vou dizer isto sem anestesia, porque já cansa andar a fingir que não vemos o óbvio:
O maior inimigo do motociclismo em Portugal não é a PSP, não é a GNR, não são os radares, nem os políticos.
Somos nós.
Queremos ser respeitados na estrada, mas:
achamos normal andar colados ao carro da frente,
achamos que barulho é sinónimo de “presença”,
achamos que qualquer fiscalização é “caça à multa”,
e se houver uma falha técnica num radar… comemoramos como se fosse uma vitória da liberdade.
Depois ficamos muito ofendidos quando o resto da sociedade nos vê como irresponsáveis.
Queremos:
circular no BUS,
filtrar trânsito,
menos impostos,
menos inspeções,
menos multas,
mais tolerância.
Mas quando alguém fala em:
formação a sério,
responsabilização real,
regras claras,
ou até autorregulação da comunidade…
A resposta é sempre a mesma:
“Isso é conversa de quem anda de carro.”
E a cereja no topo do bolo:
Há quem defenda 280 km/h em estrada pública com o mesmo argumento com que critica quem anda a 120 a olhar para o telemóvel.
A diferença? Um sente-se um piloto incompreendido. O outro é só “um idiota”.
Depois admiram-se que:
a opinião pública nos caia em cima,
os políticos nos ignorem,
e cada proposta a favor das motos venha sempre embrulhada em desconfiança.
Pergunta simples para quem anda aqui há anos:
👉 Queremos ser uma comunidade adulta, respeitada e ouvida… ou apenas um grupo barulhento que só se une para reclamar multas e radares?
Porque enquanto continuarmos a confundir “liberdade” com “falta de limites” e “paixão” com “impunidade”, ninguém fora deste fórum nos vai levar a sério.
Agora força.
Chamem-me moralista, vendilhão, ou “mais um que devia comprar um carro”.
Mas ao menos discutam o tema — porque fingir que está tudo bem é o caminho mais rápido para continuarmos exactamente onde estamos.