Test-Ride: KTM Duke 125
A possibilidade de conduzir uma KTM Duke 125 modelo 2017 surgiu de forma um pouco inusitada, porque não fui eu que me predispus a deslocar-me para ir fazer um teste propriamente dito...mas sim o teste que de alguma forma veio ter até mim.

Passo a explicar...
Um grande amigo do meu irmão comprou a mais recente Duke 125 2017 e sabendo ele do meu enorme gosto por motos, acabou por me dizer aquilo que não esperava perante uma moto nova e acabada de comprar...
"Vai dar uma volta nela".
Mas o que querem que vos diga...tenho uma espécie de princípio quanto a motos que não sejam de test-ride ou pertencentes a algum familiar e que me levou naquele primeiro momento a dispensar a generosa oferta de ir fazer um teste, limitando-me a sentar aos seus comandos e mexer nos seus comandos.
Tirei nesse dia umas fotos e tal, mas não mais que isso..
Porém, passados 2 dias e já ao início da noite (com o sol a começar a esconder-se) voltei a encontrar o rapaz no mesmo local, tendo-se o convite proporcionado novamente.
E desta vez não deixei passar, não fosse arrepender-me a valer...

E começo desde já por dizer que esta moto tem um look absolutamente fantástico dentro da sua classe!
É uma naked bastante agressiva, desportiva em todos os detalhes, acutilante na forma como se apresenta...e aquele quadro em aço do tipo treliça pintado a laranja, dá-lhe um cunho muito forte, acreditem!
Trata-se de modelo de 125cc com presença e mesmo quem acaso até não ligue muito a motociclos, duvido que lhe fique indiferente.
Inclusivamente as jantes de braços finos e pintadas num preto com algum brilho, acabam por resultar muito bem e ficam enquadradas num conjunto que apela ao dinamismo e desportividade, especialmente quando vistas a alguma distância.
O farol dianteiro em led (cuja "assinatura" faz lembrar uns dentes de sabre) tem fortes semelhanças com outras KTM bem maiores na cilindrada e potência, produzindo uma luz muito forte, notando-se aquela imagem de marca mesmo em pleno dia, como pude constatar na primeira vez que a vi.
Atrás e de perfil nota-se novamente o cunho desportivo de um modelo que parece tudo menos uma 125cc e novamente com o LED ali a mostrar-se bem aplicado no farolim traseiro, colocado de forma elevada e a produzir uma luz intensa. Olhemos de perto ou a maior distância, é um dado adquirido que a sensação é a de que a Duke 125 não é uma moto pequena.
Aliás, se acaso tivesse um pneu traseiro um muito mais largo, dava ainda mais essa sensação de se estar perante uma moto de maior cilindrada e potência.
A Duke 125 tem assim, para mim claramente, um porte de moto de maior potência do que aquela que na realidade tem e isso, numa primeira análise, até joga bastante bem em seu favor.
E já que falei mais atrás nos pneus, informo que vem calçada de série com pneumáticos Michelin (infelizmente não me lembrei de ver o modelo) e que neste teste demonstraram estar perfeitamente à altura deste modelo da marca austríaca.
Também o próprio braço da suspensão traseira mostra cuidado em apresentar um produto que não se limita ao "
show off", notando-se um trabalho de maquinação muito criterioso para reduzir ao máximo o peso, o qual se salda nesta máquina em apenas 137kg a seco.
Gostei também do aspecto robusto do garfo da suspensão (invertida), que não me lembro de alguma vez ter visto assim noutra qualquer 125cc, no que toca ao aspecto corpulento que confere à moto.
Fiquei impressionado por aquilo que transmite ao vivo, até porque "os olhos também comem" e esta suspensão invertida de 43mm assenta-lhe muito bem.

Quando sentado, informo desde já que a altura é bem maior do que pensava. Causou-me até alguma surpresa!
Tenho 1,81m e imagino que alguém de estatura uns quantos centímetros mais baixa se sinta um pouco "à rasca", pois não só o banco tem alguma largura, como estamos a falar de 830mm de altura...sim, 830mm!! O que não é propriamente pouco numa naked.
Para se ter ideia, fica bem pertinho da altura de banco de uma 1090 Adventure, que tem 850mm.

Fotos tiradas em alturas do dia distintas...uma com sol a incidir e outra não.
Quanto ao painel de instrumentos é totalmente digital e do tipo tablet.

Por aquilo que consegui saber à posteriori tem 5,2' polegadas, coadjuvado por uma moldura também els com indicação de algumas sinaléticas...e visualmente encaixa ali na perfeição.
Todo o tipo de informação habitual pode ali ser encontrada, além de se poder também contar com indicação do consumo médio, da carga da bateria ou do indicador de mudança engrenada no canto superior direito.
Tem do lado esquerdo do guiador 4 botões que permitem a possibilidade de percorrer os "menus" com relativa facilidade, ainda que não tenha apreciado muito a quase ilegibilidade daquilo que me apresentava o TFT, tanto pelo tamanho diminuto da informação, como pelo facto de o sol retirar grande parte da visão do painel, situação que deixei de notar por completo na segunda vez que estive com a máquina e já após as 20h00.
E refiro isto quanto ao TFT montado na Duke, mesmo considerando o facto de este já ter um sensor que adapta a sua intensidade às condições de luminosidade exterior. Com sol não funciona nada bem, mas se a luminosidade do dia muda, o TFT torna-se bem mais visível.
Ainda assim e mesmo tendo esta crítica quanto ao tamanho da informação (letras e números muito pequenos) e da ilegibilidade com luz do sol a incidir, devo dizer que fica muito bem este tipo de painel de instrumentos numa máquina jovem e de design atrevido como esta, pelo que aquilo que a KTM fez com a Duke foi uma decisão, na minha opinião, inteiramente acertada.
Actualmente acho que o analógico, mesmo que utilizado parcialmente, talvez "chocasse" ali um pouco.
Quanto ao escape não se destaca por aí além em termos sonorod, mas acaba por resultar em termos de design nesta 125cc. O som proporcionado confesso que não o achei nada de especial, pois parece-me que resultaria ali algo menos "metálico"... Veria bem mais atraente ao sentido da audição algo mais encorpado, mas por certo estarei a ser demasiado exigente em pretender mais do que um modelo desta gama poderá proporcionar.
Mas vamos ultrapassar estas apreciações para descrever um pouco a sensação dinâmica e desde logo para dar relevo muito positivo para o comportamento.

Esta moto tem um comportamento que, dentro da classe das 125cc (e já conduzi algumas), o indicaria a qualquer pessoa como muito seguro e preciso.
Trata-se de uma moto que se leva com uma facilidade em curva que inspira confiança e nem a sua leveza - que se fica em precisamente metade da minha moto - deu azo a algum sentimento de que algo sucederia negativamente, ou que iria perder a compostura em plena curva se abusasse na confiança.
Aliás, minutos após ter iniciado este teste e já me estava a atirar para a primeira rotunda, descrevendo-a com grande confiança e sentindo uma boa resposta e leitura daquilo que se passava por baixo de mim.
Ao nível das suspensões, nada a apontar e mesmo no par de travagens que fiz um nadinha mais fortes (devo lembrar que era nova e por boa amizade me a tinham cedido, confiando na inexistência de exageros de condução), não senti que a frente afundasse mais do que devia.
O amortecimento pareceu-me ser o correcto, mas infelizmente não tive oportunidade de andar em piso de empedrado para perceber mais objectivamente a qualidade do seu trabalhar e de filtragem.
O manuseamento dos comandos é bastante fácil, a caixa responde razoavelmente bem (ainda que lhe vá apontar uma falha no final mais adiante neste texto) e não me lembro de ter ouvido quaisquer barulhos estranhos ao longo de todo o teste, o que não deixa de ser um pronúncio de solidez de todo o conjunto.
Já que falei dos travões e que são disco nas duas rodas com ABS da Bosch, limitei-me a fazer um uso normal na maior parte do percurso e de acordo com aquilo que puxei por ela. Não vejo crítica a fazer neste campo senão positiva.
Quanto ao motor...bem...
Tem um trabalhar e uma resposta que, em determinadas situações, não me entusiasmou por aí além em virtude de a subida de regime pecar pela necessidade de oferecer um pouco mais de fulgor a partir dos 60Km/h, obrigando a uma grande redução de caixa para lhe dar "alma".
Não ponho minimamente em causa que pudesse também estar um bocado presa visto ser uma unidade nova com apenas algumas centenas de Kms rodados, mas a ideia com que fiquei da moto a ganhar velocidade, foi talvez um pouco agridoce...
Dei mesmo por mim a explorar um pouco aqueles 15cv no curto teste que fiz, mas não fiquei com uma ideia de ser uma moto tão expedita na recuperação de regime, quanto a sua imagem faria supor.
Enquanto a conduzia e com o pensamento a tentar absorver todas aquelas sensações na sua condução, acabo por lá aceitar que o consumo declarado pela KTM, inferior a 2,5L por cada 100Kms percorridos, assim como o cumprimento do Euro4, poderão ter-lhe retirado algum do fulgor dos 15cv...
A marca curiosamente indica quanto a este ponto na sua página oficial algo que eu talvez só tenha sentido em parte, olhando para as palavras como um misto de verdade e uma certa pitada de marketing:
"With 11 kW (15 hp) it is right at the limit of the A1 driver’s license, making it the sportiest option out there for A1 riders. Thanks to the ingenious intake and exhaust system, the 33 mm throttle body and the meticulous fuel injection system, this strong stroker is ready to leave the rest of the city traffic behind at the twist of your wrist."E o que é que eu quero dizer com isto...
Que era mais o barulho que fazia, do que propriamente uma resposta carregada de genica...ou então quiçá estou a tornar-me injusto e a ficar demasiado exigente. Possivelmente!
Mas a verdade é que, ao contrário de uma aceleração que até considero razoável, estranhei sim as recuperações e a consequente subida de regime a partir de certa velocidade, obrigando muito ao recurso à redução. Para uma condução normal funcionará perfeitamente...mas o que querem? Estou numa de exigente!
Já depois do teste feito tentei procurar algo a que me "agarrar" para tentar ver se não estava mesmo a ser injusto e lá descobri umas medições feitas pela publicação
Motorradonline.de que davam conta de cerca de 22seg. para ir dos 50Km/h aos 100Km/h (presumo que em top gear). Para uma 125cc não será mau, mas desejei sempre mais vigor mecânico.

Não é uma moto lenta, atente-se! Mas como disse, não senti talvez o fulgor que esperaria (ou desejaria ter sentido) por parte da Duke 125.
Como nota interessante, devo referir algo com que não contava, mas que até resulta mesmo em condução...nem que seja pelo aspecto visual.
É que sempre que se puxavam as mudanças para lá de determinada rotação pré-estabelecida, no topo do painel de instrumentos a barra passava a vermelho e começava a piscar, como que a dar a entender que agora sim...
WTF! Race is on...

Sobre a ergonomia e à parte o facto de a moto ter realmente um banco assim para o rigito e estar colocado um pouco mais alto do que previa (relembro que são 830mm), até que me senti muito bem encaixado na mesma.
Os braços vão colocados num ângulo correcto, o guiador vai a uma altura perfeitamente normal para este estilo de moto, as pernas ficam bem encostadas aos flancos da moto e, em posição de sentado, fica-se apenas com uma ligeira inclinação para a frente, o que até me agradou.
No entanto e apesar de haver muito daquilo que vejo como merecedor de realce positivo para com a Duke 125, não deixa de haver algumas outras coisas que merecem um simples reparo...
Nada de grave para uns, mas possivelmente digno de alguma nota para outros.
E logo a começar com zonas pintadas a preto onde notei cordões de soldadura um pouco mais proeminentes do que aprecio, nomeadamente nos braços das jantes e nalguns pontos do quadro, que por sinal está muito exposto como se vê nas fotos. Picuinhices ou não, foi o que notei quando aproximei o olhar.
Bem pior foi o facto de o dono - sempre honesto na apreciação que também me deu da sua própria moto - ter dito que chegou sem um parafuso no guiador. É claro que deitei logo o olhar para esse "pormaior", notando-se em mais do que uma das fotos que tirei e que posto por aqui neste tópico...pois tem um de cor diferente dos restantes e que teve de ser colocado pelo concessionário.
De qualquer forma parece que está já encomendado outro igual.
A própria caixa, muito fácil de utilizar, revelou um contratempo no final do teste, pois não engrenava o "neutro" e desapareceu mesmo do ecrã qualquer indicação no canto superior direito, mas lá se resolveu por si mesmo passados uns instantes.
Apareceu-me também durante o teste o símbolo de avaria de motor (visível nas fotos) que o seu dono iria relatar ao concessionário pois tinha-lhe já aparecido o mesmo. Eu não notei qualquer tipo de falha, mesmo que mínima, mas algo terá feito despoletar o aparecimento do símbolo no painel de instrumentos...
Por fim apenas uma nota que é um misto de sensações...

Se por um lado acho o design do banco lindíssimo e perfeitamente no "espírito desportivo" de uma naked de aspecto agressivo, por outro lado o estofamento do mesmo deixou-me um pouco desapontado.
Tanto a dureza como a própria sensação do material - que faz lembrar plástico ligeiramente maleável - ficaram um pouco longe do meu agrado.
Com as devidas distâncias, leva ao sentimento de uma..."tábua".
Brevíssima conclusão:A esta 125cc não lhe faltam atributos e que não se ficam pela bonita estética...
Com um motor no limite da potência (15cv), um peso relativamente comedido, um comportamento bastante seguro e bastante rápida na transferência de massa para jogar com as curvas, umas jantes suficientemente dimensionadas e bem calçadas por pneus Michelin, um painel de instrumentos bastante completo e uma iluminação Full Led, esta Duke 125 acaba por se destacar onde quase não tem concorrência.
É verdade que, como mencionei neste extenso teste, existem questões que podem e devem ser apontadas, mas algumas são ultrapassáveis e outras podem dever-se ao facto de se tratar de uma das primeiras unidades de produção e por isso rectificáveis de futuro (aqui serei eu já a tentar desculpar a máquina).

Se gostei??
Sim, de uma forma geral a máquina tem muito para se gostar dela e a começar desde logo pelo seu look, que me arrebatou por completo.