Autor Tópico: O problema da fixação...e o decorrente aumento na probabilidade de acidente!  (Lida 3785 vezes)

Setembro 16, 2017, 18:06:35, 18:06
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Sapiens21

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    Queira o bem. Faça o bem. O resto vem...
O problema da fixação...
...e o decorrente aumento na probabilidade de acidente!






De certeza que o título causou algum tipo de estranheza para a maioria dos que o leram, mas refere-se este tópico concretamente à fixação num determinado ponto/alvo enquanto se conduz e que, infelizmente de forma bem real e comprovada, pode levar a que resulte num acidente!


Isto porque essa dita "fixação", ao invés de levar a que se tomem medidas (manobras) de evasão, acabam por levar - no caso de haver pouca experiência a andar de moto - a que se vá contra aquilo que se fixava, ou então a perder por completo a trajectória que se deveria ter.


O termo "Target Fixation" apareceu - como descrito no vídeo - para indicar aquilo que ocorria no treino de pilotos na 2ª Guerra Mundial e que levou a que pilotos colidissem directamente contra o alvo fixado.


O pânico na condução também pode levar a que, na descrição de uma curva em que se entrou p.ex. com excesso de velocidade, ao invés de ter da parte do condutor a correcta procura no corrigir da trajectória, o leve antes a olhar e a fixar-se desesperadamente naquilo contra o qual pode colidir mais adiante, levando-o a abandonar a trajectória e porventura a sair de estrada.


E não se pense que a fixação não ocorre quando se conduz numa estrada a direito, pois se o olhar se detém num ponto mais adiante e perde um pouco a percepção da dinâmica que daí pode resultar, então esse "baralhar mental" e uma velocidade em aproximação mal medida...pode levar ao embate contra a traseira de outro veículo.


As formas de o evitar são de ter em conta:


1- Ao olhar, virar a própria cabeça e não apenas o olhos..

2 - Evitar a fixação num único ponto de forma prolongada. Deve-se ir fazendo aquilo a que se designa por "leitura da estrada" e "leitura do comportamento do trânsito". Quase como uma precognição que nos leve a estar atentos a tudo e não apenas  a um único ponto...

3 - Falar connosco mesmos. Parece um pouco estranho, mas essa conversa interior - sobretudo quando o cansaço se começa a sentir - pode promover a atenção...pode incutir uma condução mais atenta ao que nos rodeia. Trata-se quase de um "obrigar" a parte mental a estar focada na condução preventiva. Em evitar os erros...

4 - Na descrição de uma curva, evitar olhar para os metros logo adiante...mas sim olhar para a descrição da curva. Este ponto é importantíssimo, pois permite ter a percepção das distâncias e adequar as reacções ou correcções a ter na descrição da própria curva.

5 - Conduzir sem stress e sem andar tenso! Se no ponto 3 encontramos a tal conversa interior que descrevi, a mesma deve ser feita com este objectivo também, ou seja, desfrutar da viagem ou passeio e sem colocarmos algum tipo de tensão na condução.


Bem...vejam o vídeo e vão perceber o que aqui também se deixa em palavras.  :)


"Pouco importa o julgamento dos outros. Os seres humanos são tão contraditórios que é impossível atender às suas demandas para satisfazê-los.
Tenha em mente simplesmente ser autêntico e verdadeiro."

Dalai Lama

Setembro 16, 2017, 19:14:06, 19:14
Responder #1

Moto2cool

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Falar dos problemas é sempre útil porque nos relembra da sua existência.
Preocupa-me também o target fixation dos GNR, principalmente quando recorrem a instrumentos de gravação ;)
Spritmonitor.de" border="0 Suzuki VStrom 650
"Viver a vida não é esperar que a tempestade passe, é aprender a andar à chuva"

Fevereiro 19, 2019, 22:00:14, 22:00
Responder #2

Sapiens21

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Já vi este vídeo umas quantas vezes...e continuo na dúvida como aconteceu este acidente.

Mas existe algo que me parece despoletar uma reação que se tornou difícil de corrigir... Uma junta de dilatação!

O que vos parece que aconteceu?  :pensador:

"Pouco importa o julgamento dos outros. Os seres humanos são tão contraditórios que é impossível atender às suas demandas para satisfazê-los.
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Dalai Lama

Fevereiro 20, 2019, 01:34:23, 01:34
Responder #3

dfelix

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Demasiada confiança no travão errado...

A junta deu a ajudinha necessária ao bloqueio da roda.
E o gajo deixou-se ir...
Dá perfeitamente para ver que devido ao bloqueio da roda até o motor "desligou". Pois a luz da pressão do lubrificante acende!


Fevereiro 20, 2019, 08:15:58, 08:15
Responder #4

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Faz sentido.

De outro modo o ABS (que naquela moto imagino que já teria apesar de modelo com uns bons anos) teria entrado em acção.

"Só" lhe desapareceu quase metade da frontal da moto.  :(
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Fevereiro 20, 2019, 08:57:58, 08:57
Responder #5

TMXR

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Parece que para além de uma junta existe uma compressão.


Movimentos da suspensão como estes não são amigas zonas de travagem, altura em que o próprio acto de travar em primeiro lugar precisa que todas as extremidades estejam em contacto com o chão e em que a moto esteja na posição mais neutra possível em termos de suspensão pois elas já acarretam estes movimentos e consequentes transferências de massa e mudanças de geometria  :nice:
Yamaha Tmax 500/530 * BMW C Evo/R1200GS/1250 GS/1200 GSA/1200 RT * KTM 1290 SAS *  Trimph Tiger 800 XRT / Street Triple RS * Ducati Multistrada 950S/1200S/1260S/Enduro *  Kawazaki Z900  * MV Agusta Turismo Veloce Lusso * Honda Crf300l

Fevereiro 20, 2019, 10:54:03, 10:54
Responder #6

dfelix

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Sim, numa moto com ABS o desfecho provavelmente seria diferente.
Claro que a forma de abordar a travagem continuaria a ser errada.
A ajuda electrónica iria apenas ajudar a "tolerar" esse erro. Porém, evitaria que o destino fosse a sucata.

Julho 01, 2019, 13:29:51, 13:29
Responder #7

Sapiens21

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Não somos todos iguais, é certo...

Mas este caso, por aquilo que está informado e que segue juntamente com a postagem do vídeo no Youtube, ilustra um muito recente condutor de motos (pelo que dizem nem sequer um ano tem em 2 rodas) e que se vê com uma GSXR nas mãos  :-\ cometendo o erro de tirar os olhos do ponto mais longe da curva, o que resulta nisto que se vê neste vídeo que tem apenas semana e meia.

"Pouco importa o julgamento dos outros. Os seres humanos são tão contraditórios que é impossível atender às suas demandas para satisfazê-los.
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