Autor Tópico: Quando se entregam motos (como retoma) quase sem quilometragem feita...  (Lida 547 vezes)

Agosto 10, 2019, 15:29:59, 15:29
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Quando se entregam motos (como retoma) quase sem quilometragem feita...






O tema parece-me pertinente existir em tópico próprio, pois na net encontram-se muitas motos com quilometragem realmente baixa.

E refiro-me a números de Kms feitos que por vezes nem sequer passam dos 3 dígitos, ou seja, sem sequer terem feito 1.000kms.

Pode ser por um sem número de razões e cada um, naturalmente, está no pleno direito de fazer como entende.
Mesmo sendo algo que acaba por resultar numa perda de dinheiro, por vezes substancial, num curto espaço de tempo.

Ora hoje, durante a manhã, numa situação casual ao ter passado por um concessionário aqui da cidade onde resido e enquanto estava a olhar para a R1200GS que podem ver nas fotos...fiquei a saber que a sua entrega como retoma se fez praticamente sem quilometragem.

Deitei o olho ao papel de venda no meio da curta conversa e confirmavam-se os pouco mais de 2.000kms feitos. Fiquei um pouco estupefacto, confesso...

Tratava-se de uma unidade de 2018, comprada poucos meses antes de chegarem as R1250GS e que foi entregue - como documentam as fotos que tirei - carregadinha de equipamento.

Mas a "ligação" entre proprietário e máquina parece que neste caso não terá sido bem a esperada (não pretendi esmiuçar a questão, se vos interessa saber!), pelo que passada esta pouquíssima quilometragem, numa moto cara e carregada com equipamentos na ordem dos milhares de euros...acabou por ser entregue, como retoma, por algo completamente diferente. E ainda mais cara.  :-X

Enquanto me era contado isto, foi-me feito sinal para a nova máquina que o proprietário teria comprado, num estilo e com um preço que me fez passar pela memória algo como "haja dinheiro":-\






Da anterior, que aparenta estar literalmente igual a nova, para esta outra...



Este é apenas um caso, mas uma visita por um qualquer concessionário ilustra "n" situações idênticas, em todos os estilos de motos, de qualquer marca...e com quilometragens que em muitos casos se ficam mesmo apenas pelas centenas de Kms.
"Pouco importa o julgamento dos outros. Os seres humanos são tão contraditórios que é impossível atender às suas demandas para satisfazê-los.
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Agosto 10, 2019, 16:01:52, 16:01
Responder #1

TMaxer

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Isso é um bocado como aquela malta que se casa e passado poucas semanas divorciam-se  :D


Pode parecer estranho para nós mas para eles pode ser perfeitamente logico.



Vou-te contar a historia da venda da minha Rallye anterior: um senhor comprou uma K25 GSA, entretanto passado poucos kilometros chegou a conclusao que a GSA tinha altura  e "caparro" a mais para aquilo que ele queria.

Meteu a GSA à venda... entretanto a GSA que ele tinha comprado tinha um problema na embraiagem que permitia a entrada de um pouco de oleo que fazia o disco patinar e teve de voltar ao vendedor para ser reparada...

entretanto o Sr comprou-me a Rallye que era precisamente aquilo que ele queria...   Mais tarde, vendeu tambem a GSA penso que precisamente pelo valor que lhe tinha custado


No meio disto tudo, houve alguem que comprou uma rallye com todos os extras e o connectivity... e passado 5 meses e 6 ou 7 mil Kms, chegou a conclusao que nao era aquilo que ele queria... e eu comprei-lha...



Portanto... em resumo: fez-se a felicidade a 3 gajos!   Se ninguém tivesse comprado ou vendido, seriamos 3 infelizes e insatisfeitos :nice: :nice:


 :D :D :D :D
« Última modificação: Agosto 10, 2019, 16:03:42, 16:03 por TMaxer »
Ducati Multistrada 1200S

Agosto 10, 2019, 16:09:33, 16:09
Responder #2

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É a parte realmente boa da questão... :)

Quando colocadas à venda, mesmo sabendo-se que estão como novas (e perfeitamente dentro do período de garantia do fabricante), a queda no preço torna tudo mais atractivo.  :cost:

É o caso desta.

Quando a "ligação" existente com a moto não é boa com um, passa a sê-lo com outro.

No meio disto existe por um lado muito dinheiro que se perde (quem vende)....e por outro lado quem ganha com isso e acaba por ver o negócio como muito mais atractivo (comprador dessa mesma unidade). :)
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Agosto 10, 2019, 20:21:25, 20:21
Responder #3

Moto2cool

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Às vezes a mota não corresponde ao que se pretende e não houve cuidado suficiente de preparar a compra. Às vezes a simulação financeira não foi bem feita ou não foi valorizada. Às vezes ocorre algo inesperado...
Spritmonitor.de" border="0 Suzuki VStrom 650
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Agosto 11, 2019, 11:05:51, 11:05
Responder #4

tiagofo20

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Terei sido o único que ao ler o título pensei imediatamente em quilometragem adulterada pelo dono ou concessionária?

A mim custa-me entender, porque sou mais do género "haja falta de dinheiro". Como tal, quando olho para uma mota, tenho de gostar dela, claro, mas também tenho consciência que a mota tem de trabalhar para mim e não o oposto.

Não tenho nada contra quem só pega na sua mota 1x por semana e apenas entre Maio e Setembro, simplesmente para mim não chega.

Falando em retoma, fiquei a saber à dias que a nossa mota, na mesma concessionária, pode valer mais ou menos euros dependendo da marca e modelo que queremos, porque há marcas onde têm mais margem de lucro, logo aí podem dar mais algum na retoma.

Agosto 11, 2019, 11:58:25, 11:58
Responder #5

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(....)
Falando em retoma, fiquei a saber à dias que a nossa mota, na mesma concessionária, pode valer mais ou menos euros dependendo da marca e modelo que queremos, porque há marcas onde têm mais margem de lucro, logo aí podem dar mais algum na retoma.

É uma situação comum...

Se se chegar a um concessionário e disser que é pretendido entregar como retoma uma CBF125, com vontade de comprar uma África Twin nova, as margens permitem-lhes outro tipo de "folga" e oferecer ao cliente a possibilidade de ser valorizada um pouco mais a retoma, ou oferecer equipamento até um montante mais elevado...ou mesmo as duas.  :)

Até posso dizer (por ter conhecimento) de casos em que a retoma é de tal forma dispensável - como a de uma Keeway Hurricane 50 - que o concessionário prefere não aceitar a unidade e dá na mesma um desconto generoso. :stuck_out_tongue_winking_eye:

Quanto ao título, lamento a eventual confusão gerada.  :convivio:
No caso de tópico de adulteramento de quilometragem, teria feito menção específica da mesma.  :nice:
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Agosto 11, 2019, 12:10:47, 12:10
Responder #6

Moto2cool

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A piada é que na retoma desvalorizam imenso, todavia quando vamos ver o mercado de usados o preço está obscenamente perto do valor como novo :(
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Agosto 11, 2019, 12:17:48, 12:17
Responder #7

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Por essa razão muitos preferem a venda a particular.
Existem sites cheios de unidades. Diria que serão...milhares. :)

No caso de um concessionário é diferente e ainda têm de (entre outras situações) de dar garantia e fazer também uma revisão geral quando tal se justifica, pelo que não deixa de existir razão para que estejam à venda por mais 200€ - 500 - 1.000€ - ****€ do que o valor dado como retoma.

Tive uma situação bastante evidente num veículo da família (automóvel) em que a diferença foi muito assinalável. Passado pouco tempo estava à venda por bem mais do que foi "oferecido" como retoma...  :-X
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Agosto 11, 2019, 12:21:55, 12:21
Responder #8

2low

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Atenção que há casos em que os compradores "investem em "leasings" e que lhes permite após 6meses a 1ano trocarem para modelo mais recente (mesma marca), transferindo o leasing para esse novo veiculo e as marcas/stands acabam por ficar com essas retomas...
A minha anterior moto deverá ter sido proveniente de algo do género pois nem sequer tinha 6000km e suspeito que terá sido uma moto de test drive/serviço do stand.

Contudo este caso (BMW R1200GS) parece ser diferente pois o stand é de outra marca...
Posso tentar especular sobre o assunto...
O proprietário dessa BMW deverá ter participado no "Lés a Lés" e artilhou-a tal como é costume de se ver por lá...
...mas não era o que realmente queria e agora muda de ares para talvez o que sempre queria...
Pelo meio perde umas centenas ou milhares de euros...



"É tudo uma cambada de pobretana [peço desculpa se ofendi alguém mas estava só a expressar a minha opinião]"
Obrigado Svitre pela ideia. :P

Agosto 11, 2019, 12:29:19, 12:29
Responder #9

tiagofo20

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A piada é que na retoma desvalorizam imenso, todavia quando vamos ver o mercado de usados o preço está obscenamente perto do valor como novo :(
Essa parte até entendo. Somos livres de vender a nossa mota a um particular, mas não sabemos quanto tempo vamos esperar até alguém pagar o que queremos, nem sabemos se nos vai calhar um comprador chato, que depois de comprar a mota, vai andar sempre em cima de nós por qualquer problema que a mota venha a dar.

Entregando à concessionária, eles dão te um valor por baixo, mas é na hora e sem se preocuparem muito com o tratamento que a mota teve.

Agosto 11, 2019, 12:43:39, 12:43
Responder #10

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2Low, não pretendi naquele momento esmiuçar a razão, mas por acaso até me será fácil de o saber se quiser. :)

O ambiente naquele momento em que tirei as fotos estava um bocado "estranho", até porque um cliente do concessionário e que tinha ido testar a nova CB650R...a deixou cair mesmo em frente, assim que chegou.

Nem sei como sucedeu aquilo, mas o Sr. ficou evidentemente aborrecido com o que lhe sucedeu.

O ambiente não estava o melhor para estar ali a perguntar razões que levaram à entrega daquela unidade como nova, se bem que pode ter sido por uma situação tão habitual como todas as outras do género.
Falta de adaptação ao modelo adquirido.

É algo perfeitamente normal.
Quando há uns anos tirei a carta Cat. A, também me passou pela cabeça adquirir uma desportiva.

Sabendo agora como foi depois a utilização que dei ao modelo que adquiri na altura, sei que a compra de uma desportiva seria no mínimo...."desadequada".  :writing:

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Agosto 13, 2019, 17:51:10, 17:51
Responder #11

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Ora nem propósito...

Tem-me dado para ir espreitando uns anúncios de motos no Standvirtual e dei-me então conta de uma outra que se "encaixa" perfeitamente neste tópico.

Uma bela MV Agusta F4 com 9 aninhos e os Kms que se podem ver abaixo...

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Agosto 13, 2019, 18:24:14, 18:24
Responder #12

dfelix

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A questão dos quilómetros é sempre muito relativa.
Tenho 3 motos em circulação e NENHUMA delas tem no mostrador o correspondente ao real.
Pois todas elas em tempos tiveram algum problema com os mesmos, ou caso da que tenho mais recente que é a Scrambler.. sofreu com vandalismo.

Ainda assim é perfeitamente natural aparecer motos com poucos quilómetros.
Pelo simples facto de que ainda há uma quantidade considerável de malta para quem é apenas um objecto de lazer e para voltas ocasionais.
Sobretudo se entrarmos em modelos mais "exclusivos" como a F4 colocada acima.

Apesar de aparecer muita oferta com uma aparente baixa quilometragem, infelizmente a grande realidade é que nem por sinal se conseguem bons negócios.  :-\
Muitas semi-novas estão praticamente ao preço de novas.
E mesmo algumas com já bastante uso (fenómeno comum nas MT's) aparece a diferenças tão pequenas que não entendo como alguém aceita pagar quando por poucas centenas de euros a mais tem novo à estreia.

Agosto 13, 2019, 18:34:02, 18:34
Responder #13

ThatsMe

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Este é um tema que me faz alguma comichão.

Sigo alguns grupos de FB específicamente relacionados com a minha mota e é relativamente comum ver-se indivíduos que anunciam que vão colocar a sua mota à venda porque vão subir de cilindrada.

Até aqui tudo bem, afinal de contas é uma 500cc com 215kg a seco. Se eu quiser ir ao Tibete com 3 malas carregadas e pendura, naturalmente que convém ter algo mais capaz.

No entanto (passo a generalização, suportada por mais do que uma mão cheia de casos semelhantes), como curioso que sou, vou ver o anúncio e reparo que é uma TRK cheia de autocolantes do DAKAR, médio e máximo em LED, faróis auxiliares, dois conjuntos de crashbars, protetores de depósitos e laterais, rosas dos ventos coladas nas malas e etc. Uma vez mais, até aqui tudo bem. Cada um é livre de artilhar a mota como quer e bem lhe apetece.

Mas, como sou meeesmo curioso, vou ver quantos km tem a mota, e é aí que reparo que tem apenas 3000km.

Apesar da generalização que estou a fazer, foi bem mais do que um caso que vi em situação muito semelhante a esta. Se não foram 3000km em todos eles, foram 4000 ou 5000km... Vocês entendem onde quero chegar.

Agora, tento-me por nos sapatos dessa pessoa e perceber o que o levou a este conjunto de atitudes (comprar uma mota submotorizada de 6000€, gastar 1000€ em artilharia e vender antes da segunda revisão).

Pelo menos um dos casos que vi tinha precisamente 3000km:

Desses 3000km, 1000km foram feitos em rodagem com RPM limitadas.
Sobram assim 2000km, para perceber que a compra + investimento em equipamento foram claramente erradas, de tal forma que justificam fazer a venda e perder N dinheiro. Sim, porque mesmo que anunciem a mota mais cara do que nova (basta irem ao OLX para verem isto acontecer), duvido muito que alguém lhas compre.

Agora vem a minha pergunta: Será que em 2000km dá para perceber que o nosso investimento é claramente inferior ao que necessitamos?

Será que o que a pessoa usufruiu da mota foi o suficiente para criar a frustração de que a performance da mota é insuficiente?

Eu falo por mim... Tenho a mota desde Março e, como alguns de vocês sabem, não lhe dou muito descanso.
Todas as "grandes" viagens que fiz (à exceção da que fiz a Baião na companhia da Tracer do @el_pinto) foram com pendura e top case.
Boa parte dos percursos que fiz em passeio, foi por montanhas e, na sua grande maioria, acompanhado de motas mais capazes (Tracer 700, Versys 650 e R1200GS).
Nunca tive que acelerar a fundo para acompanhar ninguém e nunca sequer levei a mota em demasiado esforço (nem mesmo na subida da Senhora da Graça).

Quase todos os fins de semana vou a Baião com a patroa e, como a N101 desperta o meu lado menos calmo, ultrapasso todos os carros à primeira oportunidade que tenho, seja ela numa subida ou não.

Comprei a TRK maioritariamente pelo facto de que não tenho dinheiro para uma Tracer 900GT, ou para uma R1250GS, ou para uma R1200RT.
No entanto, tenho a perfeita noção de que teria mota a mais (em relação de preço vs usufruto) para a utilização que lhe faço... Que não é propriamente leve, não tivesse a TRK mais de 8000km desde 16 de Março deste ano.

Da mesma forma, tenho um Focus com 125cv, que facilmente trocaria por um Focus RS com 350cv, se tivesse dinheiro para ele.

Sempre que vejo um anúncio no OLX de uma mota nova com meia dúzia de km, a menos que seja de serviço fico com um ligeiro sentimento agridoce, pelo facto de que acredito piamente que muita gente sobe de cc para mostrar ao vizinho do lado.

É feio dizer que tenho uma 500cc, e quando me perguntam quantos cv tem a minha mota não posso aplicar o meu melhor sorriso de canto da boca e dizer "mais do que o meu Focus"... Mas acredito que quem diz que uma 500cc é sempre (e sublinho o sempre, porque acima neste post digo claramente que uma 500cc é ou pode ser curta para ir ao Tibete) insuficiente, nunca conduziu uma.
A minha é das 500cc mais pesadas do mercado atual e posso dizer com toda a certeza que acelera e recupera MUITO mais rapidamente que o meu carro (que arrisco dizer que tem uma potência superior à média do nosso parque automóvel). Faço ultrapassagens com a mota (o facto de ser mais curta que o carro ajuda naturalmente) que nunca sonharia fazer com o carro, nem em 2ª que me leva até aos quase 100km/h em menos de 10s.

O dinheiro de cada um é... de cada um e, como tal, ninguém tem o direito de falar ou criticar sobre as suas escolhas. Mas fico triste pelo facto de que boa parte das motas que por aí andam (ou que por aí estão paradas em garagens) são R1200GS de jante raiada e depósito grande que fazem o Lés a Lés, vão ao café domingo à tarde e... É tudo.

Afirmo com toda a certeza (apesar de não ter números para isso) que para os donos de uma larga percentagem das R1200GS/R1250GS registadas em Portugal, uma "mera" 750GS chegaria ou até mesmo uma pequena 500cc... Mas damn it, uma 1200cc é uma 1200cc.

E contra mim falo, tivesse eu dinheiro para isso :D  Como não o tenho, lá me contento com a minha bicicleta.

Desculpem o texto longo.
« Última modificação: Agosto 13, 2019, 18:35:55, 18:35 por ThatsMe »

Agosto 13, 2019, 18:35:36, 18:35
Responder #14

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Muitas semi-novas estão praticamente ao preço de novas.
E mesmo algumas com já bastante uso (fenómeno comum nas MT's) aparece a diferenças tão pequenas que não entendo como alguém aceita pagar quando por poucas centenas de euros a mais tem novo à estreia.



É o que me tenho dado conta nas pesquisas que vou fazendo no Standvirtual.

Os preços estão, na generalidade, muito elevados.
Isto tirando uma ou outra marca (com scooters sobretudo).

Existem alguns "abusos" nos preços pedidos... :zangadoregras: :nempenses:
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Agosto 14, 2019, 09:40:32, 09:40
Responder #15

danteMdie

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Vale o que vale. Como já disseram acima e bem, existem muitas razões pelas quais isso possa acontecer e existe também o fenómeno da redução mágica da quilometragem.

O caso mais gritante que eu vi foi o da R6 de 2018 que está à venda na Antero Motos em Gaia com apenas 700kms feitos. A mota não tinha um único risco e parece que a única coisa que aconteceu é que o ex-dono teria dinheiro para "pagar para ver" o que era uma R6 das novas...

Depois também conheci um tipo que viu a mota dele a ser vendida 2 anos mais tarde de ele a ter vendido, só que com menos 20 mil kms em cima...

Agosto 14, 2019, 09:58:31, 09:58
Responder #16

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Nada como ter o "historial" completo das revisões e onde consta a quilometragem.

Pelo menos no caso da minha anotam sempre a quilometragem no livro.

Aí não há muito que enganar... :)
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Agosto 14, 2019, 10:24:37, 10:24
Responder #17

NunoMt

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A maioria das marcas têm um sistema de registo onine das revisões que se feitas na marca permite conhecer o historial da mota. Creio que a BMW tem isso. A Kawasaki também o tem. Muitas vezes esqueço-me do livro para carimbar e fica registado no sistema. Quando lá volto podem sempre carimbar à posteriori.

Conheço alguns casos que donos de GS1200 que compraram as motas em stands com campanhas de marketing/financiamento quase coercivas e que depois da primeira revisão ou chegam à conclusão que não é mota para eles, ou não têm dinheiro para a manutenção das mesmas. Acredito que com as superdesportivas aconteça o mesmo. Pessoal sem unhas para elas ou que o sonho de miúdos depois em termos de condução não é tão cor de rosa.

Obviamente que cambalachos com os conta kms também os há... mas não acredito que seja a maioria...  acho que é um caso claro que ter mais olhos que barriga  :stuck_out_tongue_winking_eye:

Agosto 14, 2019, 10:29:03, 10:29
Responder #18

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Exacto, também não creio mesmo que seja a norma haver casos com quilometragem adulterada. Eventualmente tomar-se o todo pela parte, pode pecar por excesso...

No caso da minha, além do livro assinado, anotado e carimbado, tem também os registos informáticos.  :nice:


EDIT: em motos que não vão à marca e também outras mais antigas, a coisa já é diferente...
« Última modificação: Agosto 14, 2019, 10:46:41, 10:46 por Sapiens21 »
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Agosto 14, 2019, 10:59:39, 10:59
Responder #19

dfelix

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Agora, tento-me por nos sapatos dessa pessoa e perceber o que o levou a este conjunto de atitudes (comprar uma mota submotorizada de 6000€, gastar 1000€ em artilharia e vender antes da segunda revisão).

A resposta a isso é muito simples: Expectativas demasiado altas.
Nos últimos anos o "estilo aventureiro" tem despertado enorme paixão. E naturalmente muita gente se identifica.

E o problema nem é tanto uma TRK ser submotorizada.
Ou mesmo levantar as habituais questões de fiabilidade necessárias para uma viagem ao... Tibete!
Não podemos ignorar que antes do Charlie e do Ewan catapultarem o fenómeno GS já muitos outros (anónimos ou menos mediáticos) o tinham feito.
A grande maioria recorrendo a opções bem mais modestas. (estes fizeram-no nos anos 90 em DR350!)

Portanto, o problema nem é tanto a moto.
O derradeiro problema é que para entrar em aventuras é preciso dinheiro para as despesas da viagem e sobretudo... DISPONIBILIDADE!
Tempo e disponibilidade são os bens mais escassos para qualquer adulto que tenha emprego e vida familiar.

Até podes ter uma moto que (mesmo não sendo o expoente máximo do que o segmento proporciona) permite embarcar numa aventura.
Mas se não tiveres a disponibilidade necessária para avançar... resta-te uns passeios pelos trilhos à volta de casa.
Num fim de semana mais folgado podes ir um pouco para lá de Badajoz, comprar caramelos e no regresso passar em Lisboa no Martim Moniz que é o mais parecido que devemos ter com o Tibete.  :)
(ou pelo Samouco pois está cheio deles na apanha da ameijoa)
E enquanto algo maior não se proporciona, à noite depois das tarefas domésticas vais colando uns autocolantes alusivos aos países onde não se viajaste.
Ou ir artilhando com mais uns acessórios do aliexpress.
Sonhar não custa.
E não há qualquer mal nisso. Para a maioria de nós, a vida é mesmo assim!

A ironia é que existindo a possibilidade de trocar de moto por algo supostamente mais adequado e aventureiro... a falta de disponibilidade mantém-se!
E o ciclo recomeça.

Depois também conheci um tipo que viu a mota dele a ser vendida 2 anos mais tarde de ele a ter vendido, só que com menos 20 mil kms em cima...

Em 2011 vendi uma moto com 5 anos que marcava 220.000km
Algo que naturalmente levantou desconfiança e sobretudo curiosidade de muita gente que me contactou.
De aspecto estava nova. Tinha melhor aspecto que outras mais recentes usadas pois foi sempre bem cuidada. Apenas teve bastante uso!
Anunciei-a 5000eur. Os valores habituais de outras desse modelo andavam nos 6/7k para algo que custava 11k novo.
E conhecendo a moto tão bem, vendi-a com o compromisso de a aceitar de volta e devolver o dinheiro caso tivesse algum problema de motor nos 6 meses seguintes.
Nunca mais soube nada dela, até que há uns tempos atrás (penso que 2016) a vi à venda no standvirtual com 40.000km por 6000 euros.

 :)
« Última modificação: Agosto 14, 2019, 11:02:45, 11:02 por dfelix »

Agosto 15, 2019, 21:55:21, 21:55
Responder #20

Raminhos

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Muitas vezes pode ocorrer o fenómeno das circunstâncias se alterarem.
Tive um exemplo com o meu carro. Comprei-o novo porque trabalhava a 45min de casa. Com algum trânsito, queria ter um carro automático.

Ao fim de uns 5 meses, troquei de emprego e passei a trabalhar a 10min de casa. Passei a ir sempre de mota. O carro ficou encostadissimo, passava-se semanas que nem lhe tocava. Com 1 ano e pouco tem 9000km, tinha que o vender.

Perco dinheiro? Claro. Mas deixou de ser uma necessidade aquele carro.

Acredito que alguns casos possa acontecer o mesmo, especialmente com motos alta cilindrada / grande porte.