Autor Tópico: Japão pensa restringir ou mesmo retirar idosos da estrada  (Lida 152 vezes)

Agosto 12, 2019, 09:26:09, 09:26
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tiagofo20

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No Japão, discute-se a possibilidade dos condutores de terceira idade poderem ter restrições em termos de horários e locais onde podem conduzir. 

Vários países estabeleceram como meta a atingir a médio/longo prazo zero acidentes rodoviários fatais, trabalhando em diferentes variáveis para que isso seja concretizável.

Noticia completa: http://www.circulaseguro.pt/condutor-e-ocupantes/japao-pensa-restringir-ou-mesmo-retirar-idosos-da-estrada

Agosto 12, 2019, 09:33:55, 09:33
Responder #1

tiagofo20

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Desculpem, postei assim meio à pressa, se não abrirem o link podem não perceber bem, mas a decisão que está em cima da mesa é limitar horarios e locais onde os idosos poderão conduzir, de forma a evitar que causem acidentes.

Agosto 12, 2019, 10:41:58, 10:41
Responder #2

replicantz

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Medidas desta natureza provocam sempre acesas discussões, especialmente se a implementação for genérica - como aparenta na noticia, mas também não aprofundam.

Pessoalmente já assisti a certas situações na via que me deixam perplexo como ainda não há mais limites desses em vigor.

Na minha modesta opinião, para mim não se trata apenas da faixa etária em si mas igualmente o grau de diminuição (ou não) das capacidades físicas e cognitivas do condutor em questão.
Se essa parte não entra na equação, algo está mal.

Há por aí muito velhote de 70 e poucos anos com um grau avançado de incapacidade no que toca a destreza e capacidade de percepção da realidade, que (infelizmente) ainda conduz.
Tal como os há com 70 e muitos sem qualquer sinal de degradação dessas capacidades.

Impôr limites e/ou restrições ou proibições dentro de certa faixa etária sim, contando que seja obrigatória uma avaliação à séria das capacidades de cada condutor.

E nem estou a contabilizar a questão da percepção própria: tentem confrontar um desses condutores de idade avançada com a triste - e muito perigosa - figura que anda a fazer na estrada... E logo se apercebem que estão absolutamente convencidos que ainda estão perfeitamente capazes - e ninguém os convence do contrário   :napodeser:

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Agosto 12, 2019, 10:49:51, 10:49
Responder #3

tiagofo20

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A meu ver, o problemas que enfrentamos cá é a facilidade com que se arranja um médico que te passe um atestado que te permita continuar a conduzir. Falo por experiência, o avô da minha mulher via mal como tudo e continuava a conduzir. Era sobretudo casa-tasco-casa, mas mesmo assim tinha de passar por zonas complicadas, mais concretamente, uma rotunda de 2 vias, normalmente com grande afluência de carros.

Agosto 12, 2019, 11:33:18, 11:33
Responder #4

dfelix

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O Japão sempre foi muito estranho no que diz respeito a medidas para limitar o número de pessoas a circular.
Licenças de condução com diversos escalonamentos de forma a obrigar os condutores a escolher veículos mais pequenos e limitados, renovadas sempre em períodos muito curtos e seguros absurdamente altos.
(Ainda assim, foram arranjado sempre forma de dar a volta a à situação. Mas isso é outro assunto.)

Espero que a Europa não siga a mesma tendência opressora.
Eliminar habilitação a conduzir pela idade não é diferente do que restringir pela raça, sexo ou orientação sexual.

É certo que a velhice reduz drasticamente as capacidades psicomotoras.
Mas não há fórmula matemática capaz de as relacionar.
Até porque o que não faltam na estrada são não-idosos que pura e simplesmente não têm qualquer capacidade para operar um veículo.

Uma solução válida implicaria sempre uma validação das capacidades.
E os exames médicos que habitualmente são exigidos tanto a um jovem de 18 anos como na revalidação (penso que agora aos 60) valem o que vale...
Porém, é tão fácil criar um exercício prático para avaliar isto...



« Última modificação: Agosto 12, 2019, 12:27:48, 12:27 por dfelix »

Agosto 12, 2019, 11:37:49, 11:37
Responder #5

danteMdie

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O Japão sempre foi muito estranho no que diz respeito a medidas para limitar o número de pessoas a circular.
Licenças de condução com diversos escalonamentos de forma a obrigar os condutores a escolher veículos mais pequenos e limitados, renovadas sempre em períodos muito curtos e seguros absurdamente altos.
(Ainda assim, foram arranjado sempre forma de dar a volta a à situação. Mas isso é outro assunto.)

Acredita, entende-se o porquê da redução. Ano passado estive em Tokyo e Kyoto e a quantidade de pessoas é inacreditável. O que salva é que realmente eles têm uma rede de transportes (autocarros, metro e comboio) super desenvolvida e suprime em grande parte a necessidade de veículos próprios. Isso aliado ao facto de haver lugares de estacionamento MUITO limitados. Os que existem são a pagar e facilmente chegam a 10€ por uma manhã.

Na Europa e mais propriamente em Portugal, a situação é tão diferente que não vejo qualquer tipo de espécie de comparação. Acho que estamos salvos : p

Agosto 12, 2019, 11:48:02, 11:48
Responder #6

Lourenço

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Medidas desta natureza provocam sempre acesas discussões, especialmente se a implementação for genérica - como aparenta na noticia, mas também não aprofundam.

Pessoalmente já assisti a certas situações na via que me deixam perplexo como ainda não há mais limites desses em vigor.

Na minha modesta opinião, para mim não se trata apenas da faixa etária em si mas igualmente o grau de diminuição (ou não) das capacidades físicas e cognitivas do condutor em questão.
Se essa parte não entra na equação, algo está mal.

Há por aí muito velhote de 70 e poucos anos com um grau avançado de incapacidade no que toca a destreza e capacidade de percepção da realidade, que (infelizmente) ainda conduz.
Tal como os há com 70 e muitos sem qualquer sinal de degradação dessas capacidades.

Impôr limites e/ou restrições ou proibições dentro de certa faixa etária sim, contando que seja obrigatória uma avaliação à séria das capacidades de cada condutor.

E nem estou a contabilizar a questão da percepção própria: tentem confrontar um desses condutores de idade avançada com a triste - e muito perigosa - figura que anda a fazer na estrada... E logo se apercebem que estão absolutamente convencidos que ainda estão perfeitamente capazes - e ninguém os convence do contrário   :napodeser:

É a realidade, mas válida e verificável a todos os níveis acabando por ser uma regra geral a todos. Confrontemos o condutor que ingeriu álcool, o que com 20 anos tem a carta á alguns meses, o atleta no auge da sua carreira e que a cada 500 metros de condução pratica meia dúzia de manobras perigosas, no fundo a maioria dos condutores e todos não só vão estar convencidos que são os melhores condutores do mundo como vão afirmar que os outros não sabem conduzir.

As estatísticas de acidentes nos diversos níveis de consequências na escala de gravidade demonstram que não é a faixa etária dos mais de 70 que tem piores registos, longe disso; são muitas vezes estes  os que mais se preocupam de uma forma realista com as suas efetivas capacidades, os que mais condução defensiva praticam, e talvez por isto o alvo preferencial dos pilotos de competição na via publica, muitos deles os tais convencidos.

Sim, que existam exames rigorosos e realistas às capacidades individuais físicas, mas igualmente psíquicas e psicológicas a todos e não direcionados especificamente aos que não só não contribuem com um rácio significativo de risco como são por vezes os que mais dependem de um meio de locomoção para poderem continuar a viver saudavelmente e que menos possibilidades tem para se defender de medidas arbitrarias e de exclusão.

Isto para não entrar no campo da fiscalização, generalizada, efetiva, e correspondente cassação do título de condução decorrente de inadaptações individuais diversas e prática de manobras perigosas. Muitos de nós conhecemos pessoas que ainda com muitos anos de vida ativa pela frente não reúnem condições psicológicas mínimas para conduzir ou que cuja visão não lhes permite reconhecer alguém do outro lado da rua ou acompanhar uma conversa em termos auditivos, e continuarão a conduzir durante muitos anos...

Felizmente a notícia refere uma realidade num país não Europeu, o Japão, que de uma forma ou de outra tem mesmo de limitar as liberdades individuais de cada um para que seja possível continuar a existir como tal, e não fico admirado que "batam" onde o ricochete será menor ou inexistente.
Boa estrada e sejam felizes.
Mais uma mota menos um carro.

Agosto 12, 2019, 12:06:34, 12:06
Responder #7

replicantz

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Certíssimo!
Não quis alongar para fora do âmbito da notícia - idosos - mas sim, acaba por ser por aí.

É um facto mais que estudado e provado: todos nós, sem excepção, temos uma noção um pouco exagerada em relação ao real sobre o nosso nível de domínio da condução/pilotagem.

A questão da avaliação psicológica já entra em outros campos e complexidades (como identificar, quando mandar fazer, etc.). Talvez só fosse possível se obrigatória prematuramente, isto é, ninguém poder obter a carta sem passar antes por uma bateria de testes psicológicos, ou algo do género.

São temas complexos, com soluções igualmente complexas. E com todas as condicionantes de $$$, interesses instalados e politiquices à mistura, duvido que farão algo de jeito caso resolvam implementar algo assim por cá.
HʘND₳ NC75ʘX DCT "Alma Mater"

Agosto 12, 2019, 12:13:09, 12:13
Responder #8

replicantz

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Eliminar habilitação a conduzir pela idade não é diferente do que restringir pela raça, sexo ou orientação sexual.
(...)
Uma solução válida implicaria sempre uma validação das capacidades.
E os exames médicos que habitualmente são exigidos tanto a um jovem de 18 anos como na revalidação (penso que agora aos ) valem o que vale...
Porém, é tão fácil criar um exercício prático para avaliar isto...

Concordo e concordo. Daí serem temas tão complexos: mexem com coisas muito para lá da simples licença de condução.

Os exames médicos e como são obtidos segue a mesma linha que a insistirem em chamar "Escolas" aquelas coisas(?) onde supostamente as pessoas devem aprender(?) a conduzir...
É mais uma area que precisava de uma reforma à séria - se existisse realmente interesse em formar condutores e actuar do lado da prevenção.
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Agosto 12, 2019, 12:42:40, 12:42
Responder #9

dfelix

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Na Europa e mais propriamente em Portugal, a situação é tão diferente que não vejo qualquer tipo de espécie de comparação. Acho que estamos salvos : p

O problema é que Portugal é hoje em dia uma mera "região" da UE, e portanto sujeita a que sejam aplicadas regras comuns.
Não falta capitais na UE onde a circulação pode muito bem competir com o que se passa no Japão.
Basta que estas se tornem um problema que rapidamente os senhores de lancem alguma directiva capaz de atingir Portugal por tabela.

Até porque a redução do trânsito nas cidades já está há muito tempo em vigor...

É mais uma area que precisava de uma reforma à séria - se existisse realmente interesse em formar condutores e actuar do lado da prevenção.

Exacto.
O problema é que a formação de condutores é tutelada por entidades que na prática controlam um negócio muito lucrativo que não depende propriamente da qualidade da formação.
Se as receitas destes entidades fossem afectadas pela sinistralidade, certamente a abordagem seria outra.


Agosto 12, 2019, 13:56:07, 13:56
Responder #10

Nuno YB

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O meu velhote tem 73, já foi operado ás duas vistas. Já não leva o carro para lado nenhum exceto quando faz um pequena deslocação de 3 kilometros ( o Sapiens sabe, dos Canaviais ao Intermarché do Frei Aleixo ), uma vez por semana, e nunca se começa a aproximar-se a hora de escurecer.

Tem a plena consciencia que já não reune as condições necessárias para conduzir em segurança mas, por falta de disponiblidade dos filhos, não pode deixar de ir uma vez por semana abastecer o frigorifico. Sim, tem transportes publicos, é um facto. Mas se ele já quase não pode conduzir, como é que faz para carregar os sacos das compras no sobe/desce do autocarro e da paragem para casa?

Chamar um táxi, está fora de questão, acrescenta mais 25€ por semana de despesa ao orçamento familiar de 2 reformados. As dificuldades economicas, aliadas á falta de disponiblidade dos filhos, obrigam os mais velhotes a insistirem na condução quando já vêm mal, ouvem mal e se mexem mal. Alem disso, conheço dois velhotes com quase 90 anos que conduzem tão bem como eu, um pouco mais devagar ( porque têm consciencia que os reflexos já não são os mesmo ), mas conseguem fazer uma condução segura e civilizada.

O que aconteceria se tal restrição fosse aprovada? Como é que velhotes como o meu pai vão ás compras? É que eu posso abandonar o trabalho para ir com eles ao hospital, mas não o posso fazer numa base semanal para os levar ás compras.
Poderãp alegar que estas situações ficariam resolvidas se todos os velhotes fossem "enfiados" em casas de repouso, já não precisariam ir ás compras, ou ao medico, ou ao barbeiro... e seria assim mesmo? Vendo os sacrificios que os meus pais fizeram para ter, por poucos anos, os meus avós numa casa dessas ( e sabendo que os preços não baixaram, antes pelo contrário ) nunca na vida os meus pais aceitariam esse encargo em cima dos seus filhos.

É um facto, já tive sustos com idosos na estrada. Uns porque não me vêm, outros porque não me ouvem, outros porque se atrapalham. Mas tambem não é menos verdade que a grande parte dos sustos, não são velhotes. É pessoal mais novo, com os olhos postos onde não devem, com a mania que são Fittipaldis de bairro ou bombados do ginásio que fazem questão de mostrar que, em sentido contrário a outra coisa, têm um carro grande e largo ( ou grosso, para me explicar melhor ).

A solução... não sei, talvez apertarem mais com os atestados que passam a alguns já quase surdos e miopes, ao mesmo tempo que arranjam transporte comunitário, com ajudantes pagos pelos municipios, para levar os velhotes onde eles precisam e ajudar no que for preciso. Assim tipo... como se fosse um lar privado, mas pago com os € que esses mesmos velhotes descontaram durante toda a sua vida.

Agosto 12, 2019, 15:31:34, 15:31
Responder #11

Moto2cool

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Não tenho dados para confirmar isso, mas a julgar pelo que vejo na estrada existe mais probabilidade de acidentes no escalão 20-30 que 60-70. Vamos limitar a circulação a menores de 35?
Spritmonitor.de" border="0 Suzuki VStrom 650
"Viver a vida não é esperar que a tempestade passe, é aprender a andar à chuva"

Agosto 12, 2019, 15:45:31, 15:45
Responder #12

Sapiens21

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    Queira o bem. Faça o bem. O resto vem...
Um mapa que faz o balanço do que se verifica em toda a U.E. (em número por milhão de habitantes e também por idade) dentro deste tema aqui discutido e cuja fonte é o próprio Parlamento Europeu.



O mesmo artigo (que tem apenas meses) refere isto que cito e deixando abaixo o link:

"(....)Portugal registou uma diminuição significativa no número de mortes na estrada por milhão de habitantes desde 2010, mas a taxa de mortalidade aumentou 14% entre 2016 e 2017 para 62 mortes por milhão de habitantes.

De acordo com os números da UE, apenas 8% dos acidentes mortais ocorreram em autoestradas, sendo que 55% ocorreram em estradas rurais e 37% nas zonas urbanas.

Quase 14% das pessoas mortas nas estradas da UE têm idades compreendidas entre 18 e 24 anos, sendo que apenas 8% da população Europeia tem estas idades. Além disso, o número de vítimas idosas aumentou de 22% em 2010 para 27% em 2017 devido às alterações demográficas.

76% dos acidentes fatais vitimaram homens e 24% mulheres. Com menos de 15 anos contam-se 2%.(....)"


LINK...
"Pouco importa o julgamento dos outros. Os seres humanos são tão contraditórios que é impossível atender às suas demandas para satisfazê-los.
Tenha em mente simplesmente ser autêntico e verdadeiro."

Dalai Lama