Autor Tópico: Lei das 125cc < 13/08/2009 > Faz hoje 10 anos!!  (Lida 121 vezes)

Agosto 13, 2019, 01:16:29, 01:16
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Lei das 125cc
< 13/08/2009 >
Faz hoje 10 anos!!





Sim...
É mesmo verdade.

Há um par de semanas atrás, cheguei mesmo a colocar no calendário do telemóvel a data para não me esquecer de falar disto no fórum.

E faço-o porque considero ser uma data bastante importante no âmbito do motociclismo, independentemente do que outros possam pensar da mesma.


Foi precisamente há 10 anos atrás, dia 13 de Agosto de 2009, que passou a ser permitido conduzir motos com cilindrada até 125cc, com potência não superior a 11 kW (15 cv), bastando ter, como bem nos recordamos, a licença para condução de ligeiros (carta Cat. B).

Ainda assim, esta Lei criada em 2009 e que era uma transposição da Directiva nº 91/439/CEE, implicava desde logo ter pelo menos uma destas condições, juntamente com a "carta de carro":

- Idade igual ou superior a 25 anos.

- Ser titular de habilitação legal válida para a condução de ciclomotores.

O averbamento da categoria A1 passava a ser automático para quem tivesse 25 anos ou mais, não havendo necessidade de realizar qualquer tipo de registo.

Ora o boom de vendas nas 125cc foi, como bem sabemos.... verdadeiramente incrível.

Foi coincidente, se acaso se recordam, com a altura em que a PCX chegava ao mercado e a conjuntura económica não deixava de levar a que se repensasse no factor consumo de uma forma particularmente séria.

Mas, na minha opinião, rapidamente se percebeu que a Lei de 13 de Agosto de 2009 levaria a que muitos "dessem o salto" e sentissem necessidade de tirar a carta e comprar algo mais rápido, mais portente, mais seguro e que os satisfizesse mais.

E digo-vos uma coisa caros companheiros...

Eu não creio que esta Lei veio dar um grande impulso ao motociclismo em Portugal.
E digo-o assim de forma ardilosa porque...não se trata de um mero "crer", mas sim de uma evidência, na minha opinião, inquestionável!

Não foram centenas mas sim largos milhares que começaram a andar de moto ou scooter com 125cc e que muito provavelmente nunca o fariam se não fosse aquilo que aconteceu faz hoje 10 anos.

E depois deu-se aquilo todos sabemos e que abordei mais acima... A vontade de subir na cilindrada.

Não tenho números que possa apresentar nem os quero, mas tenho a certeza que uma muito relevante percentagem dos que começaram nas 125cc....foram depois tirar a carta Cat. A.

E fizeram-no porque, como se costuma dizer e de forma acertada..."ficaram com o bichinho das 2 rodas".


Faz hoje 10 anos!
Um marco símbolico que sinto ser mais do que merecedor de ser recordado em tópico próprio, nomeadamente pelas enormes mudanças que trouxe e por trazer tantos para as 2 rodas.
Estou convicto que de outra forma muitos nunca sequer equacionariam gastar um único cêntimo num motociclo.

13 de Agosto de 2009. :nice:


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Nota Importante:

Não esqueçamos que foi essencialmente (ou se calhar totalmente) graças ao deputado Miguel Tiago, o qual na altura se bateu na Assembleia da República pela “Lei das 125".
Respect. :nice:
"Pouco importa o julgamento dos outros. Os seres humanos são tão contraditórios que é impossível atender às suas demandas para satisfazê-los.
Tenha em mente simplesmente ser autêntico e verdadeiro."

Dalai Lama

Agosto 13, 2019, 08:47:11, 08:47
Responder #1

Nuno YB

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Não esquecendo os beneficios em termos de mercado e de aumento no numero de motociclistas que "nasceram" com esta lei, sempre torci o nariz a isso.

E a razão é simples: não consigo conceber a ideia de alguem ser autorizado a conduzir uma 125 sem antes ter formação para o fazer ( aliás, nem 125, nem qualquer outra cilindrada, nem qualquer veiculo a motor que seja ). Essa minha ideia, talvez retrograda, deve-se ao sem numero de asneiras que vejo cometer diariamente pelos "PCXistas" e afins. Alguem que não respeita as regras de transito num automovel, não as vai respeitar numa moto. E, para piorar isso, os "rambos" que antes não facilitavam a vida aos motociclistas ( sendo que, algumas vezes, até a dificultavam propositadamente ), abusam agora do seu "direito" de ser mais agil no transito, passando entre filas como se estivessem num autodromo.

Conheço várias pessoas que tiraram "vantagem" dessa lei. Algumas passaram para escalões superiores, outras mantêm-se na sua 125. Curiosamente e felizmente, e em contraponto á minha ideia, nenhuma dessas pessoas que conheço tiveram acidentes ( pelo menos, graves ) com as suas 125 ou upgrades. O que nega, em principio, essa tal minha ideia.

Ainda assim, não consigo olhar isentamente para alguns deles, sabendo eu como se comportam na estrada de automovel e, agora, de moto.

Agosto 13, 2019, 09:12:03, 09:12
Responder #2

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Entendo perfeitamente a questão da formação, ainda que fosse tão somente de um simples fim-de-semana.  :nice:

Mas nisto, há sempre uns mais conscientes e outros mais inconscientes com um motociclo aos comandos.
Mesmo com formação, a realidade é que não faltam comportamentos de risco com e sem carta de moto...

Depende também (...e bastante) da própria pessoa. Há de tudo...mas como disse, entendo a questão de uma possível curta formação.
Uns dispensariam...outros agradeciam essa possibilidade. :)
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Agosto 13, 2019, 09:43:43, 09:43
Responder #3

danteMdie

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Eu por exemplo, dificilmente teria pensado em tirar a carta sem ter começado com a 125cc.

No entanto, informei-me antes de comprar uma e facilmente percebi que mesmo uma 125cc de 15cv é mais do que o suficiente para ser uma mini-máquina suicida especialmente para quem gosta de velocidades. Portanto, preferi jogar pelo seguro, pagar 5 aulas de 125cc numa escola de condução e só depois avancei.

Muito honestamente, para quem nunca experimentou motas, este deve ser o curso de acção a seguir. De forma complementar, uns bons crash courses com alguém que perceba de motas em parques de estacionamento podem ajudar.

Eu até acho que me adaptei bastante bem e de certa forma sinto que tenho mais aptidão para motas do que para carros, mas isso não invalida que em 4 meses de 125cc tenha tido mais sustos do que em 10 anos de carro e a grande maioria das vezes por erros de terceiros.

A consciência/maturidade e a sorte andam de mãos dadas com o nosso dia-a-dia, mas faz parte.

Agosto 13, 2019, 09:49:18, 09:49
Responder #4

Lourenço

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Não esquecendo os beneficios em termos de mercado e de aumento no numero de motociclistas que "nasceram" com esta lei, sempre torci o nariz a isso.

E a razão é simples: não consigo conceber a ideia de alguem ser autorizado a conduzir uma 125 sem antes ter formação para o fazer ( aliás, nem 125, nem qualquer outra cilindrada, nem qualquer veiculo a motor que seja ). Essa minha ideia, talvez retrograda, deve-se ao sem numero de asneiras que vejo cometer diariamente pelos "PCXistas" e afins. ...



Comungo desta opinião e exponho-me conscientemente ao mesmo adjetivo: Retrogrado.

O meu testemunho de encartado A desde os anos 80:
- Conduzi na altura desde motorizadas até algumas motos relativamente potentes, nomeadamente algumas Honda que gostava de voltar a possuir hoje em dia e isto durante aproximadamente 5 anos.
Depois veio um acidente e foram quase 30 anos de automóvel sem conduzir moto e com receio de o voltar a fazer. No final do ano passado resolvi recomeçar e como primeiro passo comprei uma scooter 125.

Pois este recomeço provou-me que esta lei das 125 é demasiado simples. Nem falamos da cilindrada (ou potência), apesar da sua importância, mas ponho em causa sobretudo a condução de uma moto na componente de interação defensiva com a restante circulação comparativamente á condução de um automóvel.

Escrevo isto realçando que apesar dos muitos anos sem moto eu já tinha a experiencia longínqua de 5 anos.

Que seja simples o processo, mas em minha opinião é necessário algo mais. Em França por exemplo, um encartado B precisa de 7 horas de formação, num único dia, seguidas de um exame com certificado para ver averbada a autorização de condução de uma 125. Algures entre a nossa facilidade e esta realidade gaulesa estará algo mais sensato.
Boa estrada e sejam felizes.
Mais uma mota menos um carro.

Agosto 13, 2019, 09:53:03, 09:53
Responder #5

Moto2cool

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Tudo tem vantagens e desvantagens. A formação para conduzir motociclos centra-se no controlo do veículo e da falta de formação podem resultar quedas ou despistes.
Mas a maioria das asneiras que vejo fazer na estrada não depende de falta dessa formação: filtering em velocidade, circular na berma, cavalinhos, despique entre motociclistas, circulação em alta velocidade em vias urbanas, exibicionismo, etc.
A maioria dos motociclistas tem carta de carro também, muitos ainda mais antiga que a carta de mota, por isso tem obrigação de saber como se comportar na estrada, seja qual for o veículo.
Spritmonitor.de" border="0 Suzuki VStrom 650
"Viver a vida não é esperar que a tempestade passe, é aprender a andar à chuva"

Agosto 13, 2019, 10:06:29, 10:06
Responder #6

Nuno YB

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Tudo tem vantagens e desvantagens. A formação para conduzir motociclos centra-se no controlo do veículo e da falta de formação podem resultar quedas ou despistes.
Mas a maioria das asneiras que vejo fazer na estrada não depende de falta dessa formação: filtering em velocidade, circular na berma, cavalinhos, despique entre motociclistas, circulação em alta velocidade em vias urbanas, exibicionismo, etc.
A maioria dos motociclistas tem carta de carro também, muitos ainda mais antiga que a carta de mota, por isso tem obrigação de saber como se comportar na estrada, seja qual for o veículo.

Tens razão, em parte. As regras de transito aplicam-se a TODOS os veiculos que circulam na via publica. Mas as consequencias não são as mesmas, em caso de acidente.

Todos sabemos que a formação dada nas "escolas" de condução ( embora dentro do enquadramento legal ) é insuficiente. Ainda assim, alguma formação é melhor que nenhuma formação.
Se eu fosse proprietário de uma escola, não haveria aluno/a nenhum/a meu que não passasse pelas aulas. Se não as quisessem ter, seriam impostas por mim. 5 aulas não retiram assim tanto tempo de vida, muito pelo contrario, podem fazer a diferença nesse aspecto. E, claro, além de me focar no cumprimento do código da estrada, aproveitaria para contar algumas experiencias pessoais... menos agradaveis, digamos assim, aos comando de uma moto.

Não podemos mudar mentalidades, um louco será sempre um louco. Mas podemos alertar, loucos e são de mente, acerca das consequencias dos comportamentos errados e perigoso. Se possivel, com fotos e videos das consequencias a ilustrar essa formação.

Não me queiram convencer que o choque provocado por certas imagens e videos não influenciam as pessoas. Algumas, só por uns minutos, mas ninguem fica indiferente.

Indo a um extremo mais... "macabro", se eu mandasse nisto, toda e qualquer pessoa, de moto ou de carro, seria obrigada a visitar o Centro de Alcoitão. Se não se preocupam com os seus actos, talvez ficassem com uma ideia diferente depois de ver as consequencias desses actos. E, para os casos de acidentes com alcool, era visita obrigatória.

Agosto 13, 2019, 10:21:36, 10:21
Responder #7

Sapiens21

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Sem dúvida.
Existem muitas asneiras.

A questão da formação é importante, mas não significa que tenha capacidade de contrariar comportamentos. Muitos desses "comportamentos" aparecem com o ganhar de confiança.
E que os existem tanto nas 2 como nas 4 rodas, diga-se.

Vou dizer algo que parece estranho, mas sinto mesmo que foi necessário...

Ainda bem que caí de moto bem cedo...

Graças a essa queda e que me lambeu muita pele, aprendi muito.

Provavelmente dizer que uma queda foi uma situação "boa" a dada altura, será algo que muitos lerão como estranho, mas acredito que alguns entendem o porquê...

Passado um ano a andar em 2 rodas, ganhei uma confiança tal que me levou a cometer alguns disparates.
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Dalai Lama

Agosto 13, 2019, 11:23:38, 11:23
Responder #8

LCTN

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Também comecei a conduzir mota devido a esta lei e mesmo tendo beneficiado dela levanto os mesmos problemas. Algum tipo de formação deveria ser necessária, pelo menos para alertar para alguns perigos que se corre em cima de duas rodas. Especialmente os riscos do filtering e o utilizar ou não equipamento.

No meu caso quando tive a mota esperei pelo casaco e luvas para sair com ela, e fico "chocado" ao ver pessoal em motas grandes de calções e chinelos.

Até hoje o meu contacto com o solo ( :oops:) resume-se a uma queda a 30km/h mas deu para sentir as forças envolvidas e ficar ainda com mais respeito ao bicho de duas rodas onde me sento.

Também como já disseram, após o namoro com a 125 agora é a fase (após 3 anos e meio) que começo a equacionar o upgrade. Se não fosse a lei das 125 isso nunca poderia acontecer.

Cumps.


Agosto 13, 2019, 12:54:16, 12:54
Responder #9

Quico

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Essa tema da formação obrigatória é uma conversa infindável mas...
Na minha opinião de nada serve a formação, a menos que a pessoa tenha interesse nela e assim sendo, pagar por pagar só não frequenta quem não quer.
Para conduzir 125 toda a gente tem de ter carta cat B, logo o código da estrada deveriam-no saber, mas e respeitá-lo?
Passar no meio das filas de trânsito é respeitar o código da estrada? sabemos que não.
Saber ou não conduzir motas, rapidamente se aprende e no caso de correr mal o material é que sofre, em última análise quem paga o arranjo da mota é o dono.
Em suma, tal como nos carros, independentemente da formação obrigatória que possa ter, haverá sempre quem não cumpra, quem arrisque, quem prejudique os outros etc etc etc. Neste sentido a formação vale 0!
« Última modificação: Agosto 13, 2019, 12:55:23, 12:55 por Quico »

Devagar se vai ao longe!