Autor Tópico: Um terço das vítimas mortais de acidentes de viação têm álcool e 4,3% cannabis  (Lida 3655 vezes)

Novembro 17, 2016, 00:37:47, 00:37
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Sapiens21

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Um terço das vítimas mortais de acidentes de viação têm álcool e 4,3% cannabis



Artigo publicado no: https://www.publico.pt


Estudo analisou dados de autópsias entre 2012 e 2015 e conclui que presença de cannabis foi aumentando. Ou seja, apareceu em 115 vítimas, 72 com idades entre os 15 e os 30 anos.


As autópsias feitas a vítimas mortais de acidentes de viação têm revelado mais a presença de cannabis: em 2012, foram 24; no ano passado, 32. Ao longo dos quatro anos em análise, esta droga foi detectada em 4,3% dos 2691 mortos na estrada. Ou seja, em 115 pessoas, a maioria das quais com idades entre os 15 e os 30 anos.

Os dados constam de um estudo intitulado Se conduzir não bebo, mas um ‘charro’ pode ser…, que compara o consumo de álcool e cannabis em pessoas que morreram em acidentes de viação durante quatro anos, de 2012 a 2015, e que será apresentado na sexta-feira, último dia da III Conferência do Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses (INMLCF), na Universidade de Coimbra, que tem início nesta quarta.

O álcool continua com uma forte expressão: foi encontrado em 33% das autópsias, percentagem que se tem mantido regular ao longo dos anos, sendo que em 2014 e 2015 a maioria das vítimas apresenta uma taxa de alcoolemia superior a 1,20 gramas por litro de sangue.
Um dos autores, João Pinheiro, vice-presidente do INMLCF, sublinhou ao PÚBLICO que os números são baixos, mas que a subida tem sido consistente ao longo dos anos. E que a percentagem de 4,3% é bastante superior à de 1,39% encontrada num estudo que é uma referência na matéria, Driving under the Influence of Drugs, Alcohol and Medicines, feito em 13 países europeus, incluindo Portugal, entre 2006 e 2011.

Já em 2008/2009 essa percentagem era de 4,2%, segundo o Relatório Anual do Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências, A Situação do País em Matéria de Drogas e Toxicodependências.

Voltando à análise de João Pinheiro, Jorge Rosmaninho, António Castanera e Miguel Franco: das 115 autópsias que acusaram cannabis entre 2012 e 2015, a maioria apresentava combinação com outras substâncias – só 51 das vítimas tinha consumido cannabis exclusivamente. As restantes tinham feito misturas, a larga maioria com álcool (73%). A larguíssima maioria destas vítimas, 96%, pertencia ao sexo masculino.

Risco com álcool aumenta 15 vezes
No caso do álcool, a presença nas vítimas autopsiadas aumenta com a idade – dos 746 casos ao longo dos quatro anos analisados, 401 tinham mais de 50 anos – e no caso da cannabis diminui a partir dos 30 anos, chegando a números pouco expressivos na faixa entre os 55 e 60 anos, com apenas quatro casos.

Já vários estudos sobre a cannabis foram feitos. Segundo João Pinheiro, o risco de acidentes é duas vezes maior para quem consumiu cannabis, e conjugado com álcool aumenta 15 vezes.
Para o vice-presidente do INMLCF, os resultados sublinham a necessidade da prevenção. “Isto mostra que temos que apostar na prevenção do álcool mas na cannabis associada. É a droga mais barata, mais consumida, está banalizada e os efeitos são tidos como benéficos por algumas comunidades, factores que favorecem o seu consumo.

Há aqui razões que fazem com que haja aumento. Na acidentalidade rodoviária não tem sido encarada porque em termos numéricos é uma percentagem baixa, mas os nossos estudos apontam que deve ser encarada de outra forma.”
Os dados recolhidos mostram ainda que o número de mortos em acidentes de viação diminuiu de 2014 para 2015 em 17,23% — de 563 para 466 —, bem como as vítimas com menos de 24 anos (46 casos, em 2015, contra 67, em 2014).

Os mais recentes valores divulgados pela Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária sobre este ano revelam que houve até Setembro 305 mortos em acidentes, menos 22 do que no período homólogo de 2015. 
"Pouco importa o julgamento dos outros. Os seres humanos são tão contraditórios que é impossível atender às suas demandas para satisfazê-los.
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Dalai Lama

Novembro 17, 2016, 09:06:35, 09:06
Responder #1

The Old Rocker

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Mais uma peça para juntar ao puzzle.
Pena que no puzzle ainda ainda ao esteja a disciplina de segurança rodoviária  como matricula obrigatória no ensino português.

Novembro 17, 2016, 10:07:30, 10:07
Responder #2

Luis Salgueiro

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Cuidado com o pessoal não-fumador ou que só bebe Sumol e Ice Tea !
A concluir pela notícia, em dois terços dos acidentes estão directamente envolvidos indivíduos sóbrios e desintoxicados  !  :lolol:

Novembro 17, 2016, 11:51:59, 11:51
Responder #3

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Não necessariamente, caro Luís Salgueiro.
Como aliás saberás... :nice:

No tocante à notícia, vejo tão preocupante o facto serem cerca de 33% os envolvidos em acidentes tendo álcool no sangue, assim como - e agora no caso da cannabis - a maioria das vítima ter logo a partir dos 15 anos de idade.

Não estou a falar com desconhecimento do assunto (bem pelo contrário) e no meu local de trabalho lido com "cenas destas" e semelhantes demasiadas vezes, mas a verdade é que nem isso diminui a preocupação de ver que são cada vez mais jovens...

E acredito até que a referência a "15 anos" se faz apenas e só porque o estudo envolveu jovens a partir dessa idade, pois acredito plenamente que haja muitas mais vítimas e ainda mais novas.  :-X
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Dalai Lama

Novembro 17, 2016, 12:25:18, 12:25
Responder #4

Luis Salgueiro

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O 'ecosistema rodoviário' está a mudar e irá gradualmente mudar para um cenário que irá requerer atenção redobrada na estrada .
Com o envelhecimento da população cada vez irão haver mais idosos a conduzir (com as inerentes 'debilidades' na audição, visão, reflexos ; ..) bem como simultâneamente qualquer 'puto' (com a inerente imaturidade, rebeldia , ...) terá acesso ao carro dos pais .

Ainda ontem de manhãzinha um sujeito travou e parou repentinamente o seu carro à minha frente obrigando-me a uma reacção rapidissima de travões a fundo para não me enfaixar no sujeito. Ele permaneceu parado no meio da via e eu passei lentamente ao lado reparando que se tratava de um idoso a tentar desembaciar o vidro frontal com um lenço  :napodeser:

Novembro 17, 2016, 12:55:21, 12:55
Responder #5

Sapiens21

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A acrescer a esses bons exemplos, temos ainda os vários...vários medicamentos no mercado e com uma relação demasiado intrusiva com a condução.

Como "bons portugueses", serão demasiados a seguir o caminho do: toma-se primeiro o medicamento e lê-se depois a ficha do medicamento, a sua posologia, as suas indicações terapêuticas e...naturalmente, o desaconselhamento da condução durante o tratamento ou o seu efeito.

Aliás, a este respeito o Infarmed é muito rigoroso e numa das suas páginas iniciais indica:

"O uso de alguns medicamentos pode diminuir capacidades do condutor, fundamentais para a prática de uma condução em segurança.
Uma diminuição da atenção, da concentração, dos reflexos, das capacidades visuais e de raciocínio ou da coordenação motora e um aumento do tempo de reacção do condutor podem ser factores determinantes de acidente.
Esta realidade é agravada pelo facto de, com frequência, as pessoas não se apercebem que têm essas capacidades alteradas."
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Dalai Lama

Junho 23, 2019, 16:43:18, 16:43
Responder #6

Sapiens21

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E mais recentemente foram divulgados novos dados do Instituto de Medicina Legal, o qual dá conta que tem vindo a aumentar o número de vítimas mortais onde foi detectada, em autópsia, uma taxa de álcool no sangue considerada crime (igual ou superior a 1,2 gramas).

O mesmo acontece com o consumo de canabinóides...

https://www.google.pt/amp/s/tvi24.iol.pt/amp/sociedade/acidente/aumenta-numero-de-condutores-mortos-com-taxa-de-alcoolemia-crime
« Última modificação: Junho 23, 2019, 16:48:53, 16:48 por Sapiens21 »
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Dalai Lama

Junho 23, 2019, 19:38:00, 19:38
Responder #7

Rodrigues1

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Por vezes basta uma mistura mal feita para estragar tudo.
Conheço quem beba 10 cervejas e nem vacila mas basta beber meio wisque de seguida para o mar ficar agitado.
Depois é aquela conversa do costume,..
Conduzo melhor com uns copitos, pudera, as curvas desaparecem  :lolol:

Junho 23, 2019, 19:53:43, 19:53
Responder #8

Sapiens21

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Exacto!
O teor alcoólico do que se bebe também influencia bastante.

Ou seja, não é somente a quantidade por si....mas também o tipo de bebida, já que o teor alcoólico não é igual.

Depois existem outras variáveis que vão desde a compleição física até ao facto de ter sido (ou não) acompanhado de refeição.
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Dalai Lama

Junho 23, 2019, 21:54:48, 21:54
Responder #9

Moto2cool

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Infelizmente não são noticias novas, mas nada se consegue fazer para evitar isto :???:
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