Há um certo preconceito quanto ao número de quilómetros das motos...
E isto levou a que se tornasse habitual ao longo dos anos falsificações e burlas no mercado de usados.
Não sei porque razão, mas há uma barreira psicológica que uma moto com mais de 40.000 é velha.
Aliás, é muito comum encontrar motos com 10, 20 ou mais anos em torno desse valor.
E é curioso que muitas deles voltam ao mercado... rodam nas mãos dos donos, são eventualmente dadas à troca e qual fénix... ressurgem das cinzas com quilometragem idêntica ou menor ao que tinham.
Mas uma moto que tenha feito 60, 100 ou 200 mil sem chatices... sofrerá sempre desse preconceito.
Depois, esta questão dos "muitos quilómetros" agrava-se conforme a marca.
Determinados construtores europeus acabam por ser mais penalizados. Pois os 40 mil que para muitos é o "limite" na compra de uma japonesa pode ser extremo na compra duma italiana.
Felizmente isto tem mudado um pouco e já se começam a ver nos classificados motos com valores realistas face à idade.
Mas... porque começa a ser cada vez mais complicado martelar os valores.
O que são muitos quilómetros?
É relativo, mas nada impede que uma moto com poucos não tenha levado valentes esfregas, tenha se revelado problemática desde que saiu do stand ou simplesmente negligenciada.
Tal como uma moto com poucos quilómetros pode nunca ter andado o suficiente para evidenciar o quer que seja. Ou esteja degradada precisamente por ter passado demasiado tempo parada.
Em Portugal ou no estrangeiro, a quilometragem tem sempre peso no valor da moto enquanto usado.
Porém, cá somos um mercado atípico onde o usual é precisamente a sobrevalorização do quer que seja. E isso observa-se na quantidade de modelos com 2-3 praticamente ao preço de novos. E pela quantidade de modelos e marcas que parecem ter uma barreira a partir do qual os preço dificilmente descem.
Compras seguras?
Qualquer moto que não tenha passado décadas esquecida num canto da garagem e que evidencie cujos anteriores proprietários a tenham mantido dignamente.
Uma moto usada tem marcas de uso. Mas marcas de uso não é sinónimo de marcas de destruição.
Um livro de revisões de acordo com o plano fala por si. Uma minuciosa inspecção também.