Manter um motociclo! Quando os anos passam e a moto vai ficando...
Na semana passada tive de ir tratar de um assunto à zona centro e passei ali perto da Câmara Municipal de Évora, onde me deparei com um motociclo estacionado que me chamou mesmo à atenção...
E fê-lo pela marca, pela cor e por ser de alguma forma quase uma raridade nas estradas portuguesas...mesmo não sendo especialmente antiga.
Tratava-se de uma Ducati SuperSport 1000DS, modelo que foi lançado em 2004 e que, mesmo tendo já 13 anos, mostrava uma beleza e desportividade bastante actuais.
Como devem imaginar, foi basicamente sacar do bolso o telemóvel e "gravar" num par de fotos aquilo que via como uma moto linda...
E nisto veio-me à ideia se existe um momento a partir do qual compensará ou não manter um motociclo...
Com as novidades a sucederem-se e a atraírem um consumidor que não se faz rogado em as procurar ou mesmo testar, o início de um questionar interior que assola o potencial comprador poderá fazer algum sentido.
Não me parece que exista um tempo definido para que ocorram estas dúvidas ou tentações (seria surpreendente se o existisse), mas imaginando um motociclo com hipoteticamente 15 anos e que foi sempre nosso desde o início, conhecendo-lhe nós as suas manhas e as qualidades...será que se inicia então um processo em que nos questionamos sobre a altura de o trocar?
Será que o apego que se tem com o modelo compensa as eventuais trocas de componentes futuros e de que precisará?
Será que mesmo continuando a sair novos modelos e tecnologicamente mais avançados, não são motivos suficientemente fortes?
Será que a empatia com a máquina que vai acumulando anos lá por casa, nem sequer permite que ocorram grandes tentações para uma possível troca?
Estas e outras questões são válidas quando os anos começam a suceder-se, parecendo-me ser uma situação bem diferente do consumidor que troca a cada 3-4 anos ou mesmo numa cadência inferior.
Cada um tem a sua interpretação do assunto e entendo perfeitamente quem mantenha a sua "coqueluche" lá por casa, sem olhar a custos, sem querer saber se está ou não ultrapassada, sem se deter muito a analisar se dá já algumas despesas e dificuldade na procura de peças, sem olhar a possíveis ofertas, sem ceder à tentação de vender e ganhar ali alguns "patacos" por algo que tem para si muito mais valor.
Aliás, quando o valor material dá lugar ao imaterial sentimento...a troca não deve ser muito fácil de ocorrer.
