Autor Tópico: Porque queremos sempre mais? Damos uso ao real potencial do que compramos?  (Lida 4705 vezes)

Agosto 17, 2017, 14:06:48, 14:06
Lida 4705 vezes

Sapiens21

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Porque queremos sempre mais?
Damos uso ao real potencial do que compramos?






O título deste tópico não é agora uma reflexão tirada da cartola de um momento para o outro...

Trata-se de olhar para o que encontro como uma "vida motociclista" enquanto um todo algo vasto (e felizmente posso dizer que conheço um número razoável de motociclistas), admitindo perfeitamente que não poderei generalizar em demasia pois existem sempre excepções, mas acreditando que...preparem-se...não serão assim tantos os que realmente fazem uso - até mesmo aproximado que seja - do real potencial da moto que compraram.

Começo desde já por mim...
Acaso precisaria para a maior parte da minha utilização, de um mamute que pesa +270Kg, que tem uma protecção aerodinâmica ridícula, que me custa a manobrar a baixa velocidade e que só se sente realmente "como peixe na água" quando está em estrada? Que raio, gosto da moto (obviamente), mas roça um bocado o ridículo da coisa...

E prosseguimos...

Acaso o meu conhecido com uma RT1200 necessitaria mesmo de a ter, visto que só dá umas voltas muito de vez em quando, ganha imenso pó na garagem e quando eventualmente se lembra que a tem é para fazer trajectos relativamente curtos e com uma condução a que não faltam sinónimos para "calma"?

E o tipo que comprou uma moto p'ró mato, mas que só avista algum mato quando se aproxima ali da berma da estrada?

E nas desportivas, nas Adventures, nas pseudo-Adventures, nas chopper, nas grandes turísticas...sim, até nas maxiscooters?

A reflexão dir-me-ão estar muito assente em suposição, conjectura, ou que cai um pouco no exagero...mas será mesmo assim para um razoável número de motociclistas?

Sim...isto pode ter na base um pouco do caminho que leva à razão ou emoção (ou mesmo o equilíbrio da tal adequação), mas acho que vai um pouco mais longe do que isso. A sério!
Isto vai mesmo da própria utilização, do próprio proveito (ou falta dele), do benefício obtido com aquilo que se traduzem muitas compras...

Dizem-me..."Ah...e então o prazer que se retira quando se roda o punho direito? Dou por bem empregue os valentes milhares de €€€'s que dei por ela".

Muito bem...será uma resposta válida, assim como outro qualquer que responda que anda só ao fim-
de-semana e fazer uns 20Kms o ajuda a libertar do stress. Tudo bem!

Mas assim acabamos por voltar ao tema do tópico!!
Afinal dá-se um real uso - mesmo que somente aproximado - ao motociclo adquirido, ou não??
E se já temos algo que vai cumprindo, mesmo que fortuitamente, a função que lhe está destinada, então porque compramos a seguinte ainda com mais cilindrada, mais velocidade, mais potência do que a anterior...fazendo o mesmo tipo de utilização que já se fazia anteriormente?

Ou acaso os super fugazes momentos que alguns retiram com a sua nova aquisição, acabam por suplantar aquilo que foi/é uma compra desvirtuada da necessidade e utilização?

Deixo-vos o tópico à disposição e podem chamar-me o que quiserem! Na verdade estou-me lixando... :D
Mas acho que há temas que valem a pena a reflexão e não viro a cara a evidências e a coisas que acabam por fazer pouco nexo, mesmo que esteja a apontar igualmente para mim mesmo e tenha de dizer:

"Sim. Que raio! Estou no mesmo lote dessa malta! E pouco me importa...".

Somos consumistas puros!
E sim, caramba! Claro que há excepções e quem ainda dê um real e continuado uso daquilo que comprou, mas estamos a falar de um número mais diminuto por contraponto a quem não o faz.

Seja da cultura que se foi enraizando, ou de uma crescente propensão ao consumo de algo que na verdade se torna supérfluo em face da real necessidade/utilização, seja por via de uma diferente procura de momentos de felicidade ou bem estar, seja uma influência colectiva que nos leva a desejar sempre mais e melhor...enfim...seja pelo que for, a compra de um motociclo tem em muitos casos, algo de compulsivo e também, em certa medida e em determinados casos, de pouco reflectido no exagero que leva a uma nova aquisição!


Não estou com tudo isto a dizer que tem mal ou é incorrecto fazê-lo (e há que perceber as palavras para não cair nesse erro), nem a colocar todos no mesmo "saco"...e muito menos estou para aqui numa de "A mulher e a sardinha, querem-se da mais pequenina", mas o tema do real e consistente uso ou até mesmo das skills (ou falta delas) para a compra e consequente condução do motociclo adquirido, não tem de ser tratado como tabu...
« Última modificação: Agosto 17, 2017, 14:25:44, 14:25 por Sapiens21 »
"Pouco importa o julgamento dos outros. Os seres humanos são tão contraditórios que é impossível atender às suas demandas para satisfazê-los.
Tenha em mente simplesmente ser autêntico e verdadeiro."

Dalai Lama

Agosto 17, 2017, 14:27:25, 14:27
Responder #1

Black

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Só para dizer que se meteres a mulher em cima do Tubarão vais perceber que fizeste boa compra.

Por outro lado devo dizer que, no todo terreno mais é menos.

Agosto 17, 2017, 15:07:23, 15:07
Responder #2

APereira

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È uma reflexão que se for levada a sério tem pano para mangas pois o paradigma aplica-se não só ás motas como também a quase tudo nesta vida . Por isso ... não me vou alongar . È um tópico daqueles que se pode comparar a um tipo não arranjar emprego na caixa de um supermercado por ter habilitações a mais, isto é, com 'profundidade' a mais para ser tópico num fórum e motas !  8)
Não querendo deixar em branco uma das minhas opiniões sobre o assunto , Trouxeste á baila a sardinha e as 'damas' ... e de facto no caso das damas existe algum paralelismo com as motas :'os olhos também comem' ! e apesar de na hora de .... 'andar de mota '  :tornarseanjinho: 'todos os gatos serem pardos' , uma coisa é um gajo saber que está a 'andar de mota'  :tornarseanjinho: numa 'chiocleta'  e outra coisa é estar a ver-se 'montado' numa 'XR'   :megafeliz:

Agosto 17, 2017, 15:31:56, 15:31
Responder #3

JViegas

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Boas curvas APereira




Sabes o que aconteceu Sapiens21?

A massificação das duas rodas!
O acesso facilitado a algumas máquinas que antigamente apenas estavam na garagem de alguns felizardos.

A globalização, ou melhor ainda: o capitalismo que permitiu a que quase todos possam hoje ser motociclistas.

Motociclistas que viajam milhares de kms, motociclistas que vão às compras ao lidl ou pingo doce ou que vão à concentrações ou ao lés a lés.

É a possibilidade de escolher entre o parecer sem o ser e o de ser sem ser conhecido.

Mas há um ponto positivo:

Quanto mais motas se venderem, mais emprego irá surgir quer na venda de veículos quer nos produtos associados (então nas trail ui ui) e mais descongestionado estará o trânsito nas nossas cidades, e uma maior consciencialização existirá para os perigos da estrada e para a fragilidade do condutor em duas rodas.

Agosto 17, 2017, 15:40:08, 15:40
Responder #4

nuno

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Porque queremos sempre mais?

Porque crescemos com as escolhas que fazemos (ser correr bem)!  ;)

Agosto 17, 2017, 16:04:00, 16:04
Responder #5

Sapiens21

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(....)
A massificação das duas rodas!
O acesso facilitado a algumas máquinas que antigamente apenas estavam na garagem de alguns felizardos.

A globalização, ou melhor ainda: o capitalismo que permitiu a que quase todos possam hoje ser motociclistas.
(....)

Tu percebeste a "coisa"... :)
Trata-se de algo em crescimento e muito associado ao Mundo Ocidental.


(....)
Mas há um ponto positivo:

Quanto mais motas se venderem, mais emprego irá surgir quer na venda de veículos quer nos produtos associados (então nas trail ui ui) e mais descongestionado estará o trânsito nas nossas cidades, e uma maior consciencialização existirá para os perigos da estrada e para a fragilidade do condutor em duas rodas.


Emprego... Sim, vendo por esse prisma.

Se bem que quanto aos perigos da estrada e a fragilidade do condutor das 2 rodas, é coisa que não a "encaixa" toda a gente da mesma forma. Também já tive os meus excessos.
Quem já caiu (como é o meu caso), acaba por dar depois outro valor à pele... :D
"Pouco importa o julgamento dos outros. Os seres humanos são tão contraditórios que é impossível atender às suas demandas para satisfazê-los.
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Dalai Lama

Agosto 17, 2017, 16:05:13, 16:05
Responder #6

lmferreira

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As pessoas em geral associam o consumo aos momentos de felicidade, e somos diariamente manobrados por milhares de anúncios, onde a compulsão de comprar aumenta cada vez que os vimos. A nossa sociedade é estimulada a comprar muito, mesmo quando não precisamos, porque sentimos a necessidade de comprar para não nos sentirmos diferentes. Como se fossemos inferiores sem determinado produto, a velha história do vizinho têm eu vou ter mais e melhor.

O consumismo baseia-se no prazer momentâneo, que nos leva a comprar produtos sem terem uma necessidade real, tendo um prazer rápido e intenso, mas muito pouco duradouro. Este fenómeno é fruto do nosso cérebro que interpreta a compra de algo como um momento de intenso prazer.

Antes de fazer alguma compra, independente da condição ou promoção, é fundamental entender se realmente precisamos do produto. Quanto mais racional formos em relação à compra, mais rapidamente se estabelece uma relação direta entre a real necessidade de comprar e os centros de prazer do cérebro. Para isso é necessário que tenhamos perceção do que realmente é uma necessidade, porque somos levados a crer que artigos supérfluos, se convertem em artigos indispensáveis. Somos levados pelas estratégias das empresas para comprar por impulso, e muito das compras são baseadas apenas em prazer ou querer ter algo, mesmo não sendo de uma utilidade no momento da compra, para o utilizador. A compra e posse de objetos determinam o status. Já não é a função a que se dirige mas o que o objeto representa que passa a ser importante.

Este processo de consumismo excessivo pode determinar problemas a diversos níveis:
- Comprar coisas novas mesmo quando não são necessárias
- Gastar nas compras dinheiro que se destinava a outras finalidades
- Uso excessivo dos cartões de crédito e mesmo acumular dívidas.

O ciclo habitual de compras sem necessidade:
- Estado de ânimo alterado, ansiedade, tristeza, raiva, tédio.
- Compras de bens supérfluos ou mesmo desnecessários.
- Culpa e arrependimento. Baixa autoestima.
- Repetição do ciclo.

Deixa de ser relevante o que pessoa compra o que importa é comprar. Prazer imediato e sofrimento futuro.

Agosto 17, 2017, 16:23:20, 16:23
Responder #7

Tiago Parracho

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Houve vários "tipos" que se debruçaram sobre a temática das motivações dos seres humanos no que diz respeito a muita coisa e chegaram a algumas conclusões.

Não sou perito nisso, apesar de ser um tema que até gosto de ler algumas coisas.

Deixo apenas aqui um exemplo de uma teoria já antiga, mas que continua a ter bastante de atual, embora já existam muitas derivações da mesma:



Basicamente, muitas das nossas decisões dependem do ponto em que nos encontramos a nível de satisfação de necessidades. O que significa que para uns, decisões que têm tudo de racionais, para outros não têm nada, porque podemos estar em pontos diferentes de satisfação das nossas necessidades.

E depois, claro que entra a questão do gosto pessoal de cada um também para tornar a coisa ainda mais complexa.

Assim em termos genéricos eu diria que:

1- uma pessoa que decida passar a andar de mota porque simplesmente fez algumas contas e conclui que esta lhe permite chegar do ponto A ao B de forma mais económica que as alternativas que possui. Neste caso, eu diria que está no ponto 1, necessidades fisiológicas.

2- uma pessoa que tem um elevado poder de compra e que perante um novo lançamento de uma mota, a qual o deixou apaixonado, decide comprar a mesma, mesmo tendo já umas quantas motas na sua garagem, eu diria que está no estádio de auto realização.

And so on.

Isto não é ciência exacta, mas é uma maneira relativamente aproximada da realidade de explicar a coisa.

Agosto 17, 2017, 16:35:45, 16:35
Responder #8

Sapiens21

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Interessante forma de olhar para o tema, Tiago.  :pensador:

Claro que depende de pessoa para pessoa e são vários os aspectos - mesmo vivenciais e provindos de experiência - que determinam a explicação de uma realidade, mas essa Pirâmide das Necessidades é interessante, assim como os 2 exemplos (nos extremos) que deste no final da tua intervenção.
"Pouco importa o julgamento dos outros. Os seres humanos são tão contraditórios que é impossível atender às suas demandas para satisfazê-los.
Tenha em mente simplesmente ser autêntico e verdadeiro."

Dalai Lama

Agosto 17, 2017, 16:35:59, 16:35
Responder #9

Bruno Gomes

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Ora aqui está o porquê de eu não subir de cilindrada!

Para o uso que eu dou à mota, a que tenho chega bem, porque?

Porque eu uso a mota para me deslocar para o emprego e vice-versa, porque a minha loba me leva a todo o lado (mais devagar e desconfortável certamente, mas leva), porque ao fim de semana ando de enlatado com a familia, porque os custos de manutenção e combustivel são o que se espera de uma 125cc.

Se gostava de ter uma mota mais potente, claro que sim, mas não perco tempo a pensar nisso.

Quem tem possibilidades, acho muito bem que o faça.

Esta é a minha e só minha modesta opinião.

 :convivio:

Agosto 17, 2017, 17:13:29, 17:13
Responder #10

lmferreira

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Houve vários "tipos" que se debruçaram sobre a temática das motivações dos seres humanos no que diz respeito a muita coisa e chegaram a algumas conclusões.

Não sou perito nisso, apesar de ser um tema que até gosto de ler algumas coisas.

Deixo apenas aqui um exemplo de uma teoria já antiga, mas que continua a ter bastante de atual, embora já existam muitas derivações da mesma:



Basicamente, muitas das nossas decisões dependem do ponto em que nos encontramos a nível de satisfação de necessidades. O que significa que para uns, decisões que têm tudo de racionais, para outros não têm nada, porque podemos estar em pontos diferentes de satisfação das nossas necessidades.

E depois, claro que entra a questão do gosto pessoal de cada um também para tornar a coisa ainda mais complexa.

Assim em termos genéricos eu diria que:

1- uma pessoa que decida passar a andar de mota porque simplesmente fez algumas contas e conclui que esta lhe permite chegar do ponto A ao B de forma mais económica que as alternativas que possui. Neste caso, eu diria que está no ponto 1, necessidades fisiológicas.

2- uma pessoa que tem um elevado poder de compra e que perante um novo lançamento de uma mota, a qual o deixou apaixonado, decide comprar a mesma, mesmo tendo já umas quantas motas na sua garagem, eu diria que está no estádio de auto realização.

And so on.

Isto não é ciência exacta, mas é uma maneira relativamente aproximada da realidade de explicar a coisa.

Boa informação. Fez-me lembrar a cadeira de marketing. Também me fez pensar noutro assunto e relacionar a necessidade das compras com o ciclo de vida de um produto.
O ciclo de vida do produto pode ser descrito no seguinte:



1. Introdução – crescimento lento das vendas, pouca concorrência, riscos elevados, modestos retornos financeiros; estratégias assentes em: inovação, qualidade e incorporação tecnológica;
2. Crescimento: crescimento da procura e tendência para a massificação do produto, aumento da rentabilidade; estratégias assentes em: fortalecimento das redes de distribuição, ênfase na
comunicação e serviço ao cliente, criação de novas versões/modelos do produto para assegurar fidelização e quota de mercado;
3. Maturidade: abrandamento das vendas e aumento da concorrência; estratégias assentes em: qualidade a baixo custo, lançamento de novos produtos e serviços complementares para
diferenciação da concorrência;
4. Declínio: quebra da procura e dos lucros, abrandamento da concorrência; estratégias assentes em: revisão da carteira de produtos e possível esforço de rejuvenescimento

Com isto quero dizer, que um produto também nasce e morre, e procuramos sempre andar na “moda” ou na vanguarda da tecnologia. Certas carateristicas vao aparecendo, algumas delas muito uteis.
É o que fazemos quando vamos ás feiras ou exposiçoes…ver novidades…e as novidades passam por produtos novos que a maioria das vezes substituem os antigos, mesmo tendo eles a mesma função, podendo as vezes só mudando as cores ou algumas arestas.

Agosto 17, 2017, 17:36:56, 17:36
Responder #11

Black

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Pessoal eu acho que existem coisas que não se explicam de forma tão racional!
Aliás....
A única vez que fui infeliz numa compra foi quando fui racional na escolha.
Além disso, existem muitas pessoas que mesmo na idade do declínio continua a satisfazer os seus caprichos pessoais.
Porque é que queremos sempre mais e melhor!?
Esta um pouco nos nossos genes não acham?
Que um indivíduo tem sempre a necessidade de competir e ir mais além.
Eu por exemplo já estive no topo da pirâmide (não essa que foi publicada) mas sim aquela que desenhei para a minha vida, e a mesma vida depois orientou-me a descer de novo para continuar a construir outra pirâmide...
Vocês acham que vou ficar por aqui quando terminar de fazer a minha segunda pirâmide?
A sede de realização, quando existe a dose de ambição acertada, é inesgotável.

Mas claro, ambicionar ser o que se é, melhorar, ser verdadeiro é uma coisa.
Agora montar uma mota que te faz pensar que és importante, aventureiro e um gajo de arromba é outra coisa totalmente diferente.

E é aí que a vida nos ilude, onde próspera a hipocrisia, os posers e claro, as motos de fazer de conta.

Agosto 17, 2017, 18:28:35, 18:28
Responder #12

APereira

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Ora aqui está o porquê de eu não subir de cilindrada!

Para o uso que eu dou à mota, a que tenho chega bem, porque?

Porque eu uso a mota para me deslocar para o emprego e vice-versa, porque a minha loba me leva a todo o lado (mais devagar e desconfortável certamente, mas leva), porque ao fim de semana ando de enlatado com a familia, porque os custos de manutenção e combustivel são o que se espera de uma 125cc.

Se gostava de ter uma mota mais potente, claro que sim, mas não perco tempo a pensar nisso.

Quem tem possibilidades, acho muito bem que o faça.

Esta é a minha e só minha modesta opinião.

 :convivio:

Ora bem , não sou psicanalista mas perante este seu depoimento ... acho que vive MUITO triste relativamente ao mundo das motas . Escrevi 'muito' porque só 'triste' anda a maioria que tem mota (ou porque tem uma citadina e gostava também de dar umas escapadelas com uma no 'mato' , ou vice-versa , porque dá uma aceleradela e fica a pensar que lhe vai aparecer uma multa em casa , etc, etc, ) mas no seu caso é pior que isto !

Chama 'loba' à sua 125 c.c. e coloca um avatar a condizer ( o que pressupõe um gosto pela ferocidade e mundo selvagem) quando na verdade anda de 'ovelhinha' lamentando-se da lentidão e desconforto da mesma . Diz que não perde tempo a pensar nisto mas acho que 'no fundo' ..até pensa.

Se o facto de iniciar o projecto de comprar uma outra mota  iria ser algo que mandava abaixo a estabilidade económica familiar .. então tudo bem ! Mas olhe ... só se vive uma vez e quando chegar a velho a única coisa que vai 'possuir' que pode valer a pena são as suas memórias ! NADA MAIS !
Sou um 'remediado' , mas não me passa pela cabeça hipotecar grande parte da minha vida e dos meus 'sonhos' , a amealhar para depois gastar esse dinheiro em comprimidos a partir dos 70 anos ! 

Desculpe lá o desabafo !  :sportbike:

Agosto 17, 2017, 22:03:17, 22:03
Responder #13

Moto2cool

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Aqui está uma boa questão com várias respostas.
A mais simples é não
As outras dependem da análise que se faz ao fenómeno de consumo na sociedade. Na verdade consumimos mais que as necessidade fisiológicas,  o marketing é mesmo a criação de necessidade, que se satisfaz na medida do poder aquisitivo de cada um. Nas motos é como o resto, o mercado ajusta-se à procura e os fabricantes vivem da venda de motos novas, por isso tentam promover os seus modelos junto daqueles que as podem e querem comprar, com critérios de escolha que não são racionais (existe escolha racional?). O mercado expandiu-se, as motas usadas com características mais consensuais entre os connaisseurs, que melhor aproveitam o potencial da mota, torna-se cada vez mais residual e inexpressivo.  No resto vende-se a satisfação de um desejo, que não está ligada ao potencial uso da maquina, mas à manifestação publica do poder económico que se interessa cada vez mais por este mercado. No fundo cria-se um novo mercado a esmagar o anterior, os que podem vs os que sabem, com a agravante que o predomínio dos primeiros faz aumentar os preços afastando os segundos
Ultimamente tem-se visto um regresso a alguma racionalidade com aumento do segmento médio: as 600/800 atingem facilmente um desempenho acima dos limites legais, cada vez menos se vêem exemplos de condução a altas velocidades (a carta faz falta :) ) e o poder económico foi afectado com a ultima recessão, mas não tardará a dar a volta até rebentar a próxima bolha.
Spritmonitor.de" border="0 Suzuki VStrom 650
"Viver a vida não é esperar que a tempestade passe, é aprender a andar à chuva"

Agosto 17, 2017, 23:13:28, 23:13
Responder #14

Bruno Gomes

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Ora aqui está o porquê de eu não subir de cilindrada!

Para o uso que eu dou à mota, a que tenho chega bem, porque?

Porque eu uso a mota para me deslocar para o emprego e vice-versa, porque a minha loba me leva a todo o lado (mais devagar e desconfortável certamente, mas leva), porque ao fim de semana ando de enlatado com a familia, porque os custos de manutenção e combustivel são o que se espera de uma 125cc.

Se gostava de ter uma mota mais potente, claro que sim, mas não perco tempo a pensar nisso.

Quem tem possibilidades, acho muito bem que o faça.

Esta é a minha e só minha modesta opinião.

 :convivio:

Ora bem , não sou psicanalista mas perante este seu depoimento ... acho que vive MUITO triste relativamente ao mundo das motas . Escrevi 'muito' porque só 'triste' anda a maioria que tem mota (ou porque tem uma citadina e gostava também de dar umas escapadelas com uma no 'mato' , ou vice-versa , porque dá uma aceleradela e fica a pensar que lhe vai aparecer uma multa em casa , etc, etc, ) mas no seu caso é pior que isto !

Chama 'loba' à sua 125 c.c. e coloca um avatar a condizer ( o que pressupõe um gosto pela ferocidade e mundo selvagem) quando na verdade anda de 'ovelhinha' lamentando-se da lentidão e desconforto da mesma . Diz que não perde tempo a pensar nisto mas acho que 'no fundo' ..até pensa.

Se o facto de iniciar o projecto de comprar uma outra mota  iria ser algo que mandava abaixo a estabilidade económica familiar .. então tudo bem ! Mas olhe ... só se vive uma vez e quando chegar a velho a única coisa que vai 'possuir' que pode valer a pena são as suas memórias ! NADA MAIS !
Sou um 'remediado' , mas não me passa pela cabeça hipotecar grande parte da minha vida e dos meus 'sonhos' , a amealhar para depois gastar esse dinheiro em comprimidos a partir dos 70 anos ! 

Desculpe lá o desabafo !  :sportbike:

Apereira, isto e pura e simplesmente troca de ideias e opinioes proprias.

Nao vivo triste em relacao as motas, muito pelo contrario, ganhei muito desde que optei por este meio de transporte e ganhei felicidade com isso.

Em primeiro lugar, chamo loba a minha mota porque e o modelo dela (Sym Wolf) e o meu avatar foi escolhido com base nisso.

Depois, volto a dizer, para o uso que lhe dou (trabalho-casa) chega bem, claro que se fosse daquele pessoal que ao fim de semana fizesse uns passeios valentes, claro que ponderava trocar para algo melhor, mas nao e o caso.

Por fim, nao me estava a lamentar da mota ser lenta e desconfortavel para grandes viagens, e obvio que nao se pode comparar uma mota de 2500€ com uma de 10000€, e um facto.

Estas desculpado ate porque eu nao vivo de guerrilhas neste mundo virtual, depois pagas um copo e siga para bingo.

 :convivio:

Agosto 17, 2017, 23:41:08, 23:41
Responder #15

APereira

  • Visitante
Vá lá, vá lá...podia ter sido uma resposta mais 'assanhada' !   :D
Não associei essa coisa da Sym Wolf , pensei que era mesmo por ter uma 'costela' mais 'irreverente' . Eu adoro os lobos e sou 'padrinho' de dois que estão no Centro de Recuperação do Lobo Ibérico. Escolhi dois à toa, dou um donativo anual e mandaram-me para casa duas fotos deles  tipo poster, que tenho emoldurado e colocado na garagem.

Obrigado por ter desculpado e ..a próxima rodada é por minha conta !  :convivio:

p.s. de qualquer forma, há uma parte da minha 'mensagem' que continua válida : não ficar 'acomodado' no 'conforto da mediocridade' !
Cumps. :nice:

« Última modificação: Agosto 17, 2017, 23:44:38, 23:44 por APereira »

Agosto 17, 2017, 23:58:26, 23:58
Responder #16

carlospira

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Boas companheiros,

Este tópico serve mesmo para troca de ideias...Por isso aqui vai a minha  " razão " ...

Eu, tal como outros companheiros, iniciei-me no "mundo das duas rodas á pouco tempo -  " á apenas 3 anos e picos e já com uma certa idade ( 43 aninhos) ,  faço 1300/1700 kms /mês  com a minha Medley.  Inicialmente foi para poupar uns trocos ( por onde trabalho e nos horários que pratico nunca tenho problemas de transito..) 
Para os trajectos que utilizo, não preciso de mais CVs... Agora, ando mais em cidade e como tal esta é perfeita para isso além de económica...Tem arrumação mais do que suficiente...
Não vou a concentrações nem a passeios de grupos devido á minha profissão, sou vigilante e raramente tenho fins de semana...Quando os tenho, dedico-os á mulher e filha...Ás vezes dou uns passeios a solo e durante a semana.
Como tal, tenho a máquina ideal para o meu dia a dia...
Agora, se fizesse umas viagens maiores e frequentes...Aí, a música era outra...Uns CVs a mais eram bem vindos...

Uma coisa também senti quando comecei a andar montado em duas rodas...LIBERDADE, FLEXIBILIDADE, RAPIDEZ, PRAZER !!!!!

Mas, como disse, tenho o necessário para o momento actual.

Um abraço e boas curvas em segurança.

 :scooter: :scooter: :scooter:
Carlos Pires
Kymco Agility 125 - 4 000  até 32.000 kms
Piaggio Medley 125  -  0 kms   até...114.940 kms
Honda PCX 125  -   0  kms   - até  62 mil  para já...

Agosto 18, 2017, 03:21:12, 03:21
Responder #17

Black

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Como o pessoal está a utilizar o tópico para justificar as suas opções....

Porque é que vou restaurar uma pequena 250!?
Porque tenho lá em casa um velho de 70 anos, corcunda, de mau feitio e todo torcido que chora por ela.
Assim que o meu objectivo é ver um velho corcunda, todo torcido e de mau feitio de sorriso no rosto! ;)

E ele vai querer mais!?

Claro que sim!
Vai logo desafiar a velha para ir curtir uns km em cima dela!

Agosto 18, 2017, 11:57:11, 11:57
Responder #18

Tiago Parracho

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Interessante forma de olhar para o tema, Tiago.  :pensador:

Claro que depende de pessoa para pessoa e são vários os aspectos - mesmo vivenciais e provindos de experiência - que determinam a explicação de uma realidade, mas essa Pirâmide das Necessidades é interessante, assim como os 2 exemplos (nos extremos) que deste no final da tua intervenção.

Esqueci-me de referir que a teoria de Maslow é progressiva, isto é, o estádio 1, necessidades fisiológicas é o primeir, e uma vez satisfeitas essas necessidades passa-se para o estádio 2, and so on, podendo o ciclo voltar ao inicio, ou até mesmo haver regressões de estádios por diferentes circunstâncias da vida.

Como o pessoal está a utilizar o tópico para justificar as suas opções....

Porque é que vou restaurar uma pequena 250!?
Porque tenho lá em casa um velho de 70 anos, corcunda, de mau feitio e todo torcido que chora por ela.
Assim que o meu objectivo é ver um velho corcunda, todo torcido e de mau feitio de sorriso no rosto! ;)

E ele vai querer mais!?

Claro que sim!
Vai logo desafiar a velha para ir curtir uns km em cima dela!

Eu diria que andas no estádio das necessidades de estima  ;)

Agosto 18, 2017, 12:07:07, 12:07
Responder #19

Bruno Gomes

  • Visitante
Vá lá, vá lá...podia ter sido uma resposta mais 'assanhada' !   :D
Não associei essa coisa da Sym Wolf , pensei que era mesmo por ter uma 'costela' mais 'irreverente' . Eu adoro os lobos e sou 'padrinho' de dois que estão no Centro de Recuperação do Lobo Ibérico. Escolhi dois à toa, dou um donativo anual e mandaram-me para casa duas fotos deles  tipo poster, que tenho emoldurado e colocado na garagem.

Obrigado por ter desculpado e ..a próxima rodada é por minha conta !  :convivio:

p.s. de qualquer forma, há uma parte da minha 'mensagem' que continua válida : não ficar 'acomodado' no 'conforto da mediocridade' !
Cumps. :nice:

Companheiro, as respostas "assanhadas" deixo para alguns companheiros que são mais experientes nessa matéria, comigo esse tipo de comportamento não existe  :cool: :cool:

Fica descansado que quando sentir necessidade de algo mais, sairei do tal "conforto da mediocridade" que tu lhe chamas.

 :convivio: