O mercado doméstico no Japão é bastante peculiar.Com políticas fiscais muito pesadas. Licenças de condução difíceis de obter e bastante caras de manter pois são renovadas regularmente. E seguros a preços absurdos.Os construtores japoneses sempre foram predominantemente exportadores.Projectam e fabricam produtos destinados predominantemente para o mercado ocidental. E mais recentemente houve uma aposta em produtos para os países emergentes.Também porque tanto o dolar como o euro têm estado mais frágeis face ao yen, o que torna as importações mais caras e menos atractivas.Por outras palavras, independentemente das modas no Japão, os construtores japoneses vão continuar a dar ao mundo o que for viável nos respectivos mercados para onde exportam.
Sempre foram predominantemente exportadores? A balança comercial é quase equilibrada:
Até a China, que cresce sem parar, tem tido descidas de vendas no mercado interno.
Muitos Países "emergentes" têm salários médios semelhantes e até superiores aos nossos.
Desconhecia por completo esta realidade Japonesa e a médio/longo prazo irá influenciar significativamente, na minha opinião, a forma como os grandes construtores irão apresentar novos modelos ou modelos adaptados às realidades legislativas.
Se tudo correr como penso, vamos ter de levar os nossos netinhos ao museu do Caramulo para verem o que é uma moto pela primeira vez. Serão apenas permitidos veículos eléctricos autónomos de utilização partilhada. O canto do cisne é a condução autónoma, impraticável nas 2 rodas.
Provavelmente (e sem brincadeiras), o manter de uma moto algo rara pode vir a ser daqui por uns anos mais proveitoso do que a incerteza de se investir em bitcoins. Se calhar ainda mantenho o Tubarão para ver no que isto dá.
Este mercado também tem vindo a decair. No Japão, como na generalidade dos mercados "ocidentais maduros", as gerações mais novas têm uma relação com o transporte individual completamente diferente da que existia há 20 ou 30 anos. Conceitos como os de car share / scooter share estão para ficar, e estas gerações têm outras prioridades na lista que não comprar a sua moto ou mesmo carro. O fenómeno eléctrico, já, e o fenómeno condução autónoma, daqui a pouco tempo, só vem cavar ainda mais o buraco da "indústria tradicional".
Só para completar o que disse atrás sobre as motivações das gerações mais novas: no local onde trabalho, todos os anos entra uma leva de estagiários (licenciados com mestrados Bolonha), com idades por volta dos 22-25. Nesta última leva de 15, só 3 tinham carta de condução ! Onde é que isto seria possível há 15 ou 20 anos ? A razão é que esta não é uma prioridade para eles.