Autor Tópico: Com as Vendas no Japão a cairem que acontecerá ao porfolio das Japonesas  (Lida 4649 vezes)

Agosto 23, 2017, 21:24:23, 21:24
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Cross

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As vendas no Japão de motociclo cairam a pique. Hoje vendem-se 1/10 das unidade em comparação ao ano de 1982. Cerca de 300K unidades vs 3 milhoes em cerca de 25 Anos mais ou menos....

É a concorrência dos veiculos pequenos e da legislação. EM 2020 o Japão cortará as emissões ainda mais.... este ano já em 50%. Este ano alterações já criaram baixas pessadas e os custo des obrigatoridade de ABS para 2018, etc.

Valerá a pena o investimento? O grupo das Japonesas dizem que não!

Muito de nós continuam na espectativa que novos modelos iriam sair a subtituir os existentes mas não será o caso. O porfolio irá decrescer e bem.

Apenas 1/3 dos modelos da Honda que é lider de mercado está apto a cumprir as especificações. Ainda não anunciou os planos para os outros modelos.

A Yamaha tem nos seus planos para acabar 15 dos seus 47 modelos.

A Suzuki, apenas 11 dos seus 40 modelos são compativeis. No entanto dizem que vão trazer os outros modelos para serem compativeis com a nova legislação. Seguramente que alguns vão desaparecer tais como a yabusa e outras... que não vão ter novos modelos para o ano que vem.

A Kawasaki mais pequena, apenas 6 dos seus modelos satisfaz a novas regras. Anunciou que vai acabar com 5 modelos e actualizar os outros 6 restantes.

Estas mudanças no mercado interno no Japão vai afectar os planos para o resto do mundo seguramente.

Pois nada boas noticias mas que vão na direcção dos legisladores do mundo inteiro excepto nos Estados Unidos em que parece que a nova politica vai beneficiar os contrutores americanos.... HD...

Jornais Japoneses e outras fontes.
http://the-japan-news.com/news/article/0003892003


« Última modificação: Agosto 23, 2017, 21:31:29, 21:31 por Cross »
Bom Senso e Senso Comum nunca fez mal a ninguém!

Agosto 23, 2017, 23:12:45, 23:12
Responder #1

pedroareias

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Se tudo correr como penso, vamos ter de levar os nossos netinhos ao museu do Caramulo para verem o que é  uma moto pela primeira vez. Serão apenas permitidos veículos eléctricos autónomos de utilização partilhada. O canto do cisne é a condução autónoma, impraticável nas 2 rodas.

Agosto 23, 2017, 23:51:03, 23:51
Responder #2

Sapiens21

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Não tenho muitas dúvidas que o motociclo como o vemos hoje...tem os dias contados.
As elétricas vão mesmo criar mudanças na forma de mobilidade.

Quanto à notícia trazida pelo companheiro Cross, confesso que desconhecia tamanha diferença nas vendas em cerca de 3 décadas.
"Pouco importa o julgamento dos outros. Os seres humanos são tão contraditórios que é impossível atender às suas demandas para satisfazê-los.
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Dalai Lama

Agosto 24, 2017, 03:03:15, 03:03
Responder #3

dfelix

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O mercado doméstico no Japão é bastante peculiar.
Com políticas fiscais muito pesadas. Licenças de condução difíceis de obter e bastante caras de manter pois são renovadas regularmente. E seguros a preços absurdos.

Os construtores japoneses sempre foram predominantemente exportadores.
Projectam e fabricam produtos destinados predominantemente para o mercado ocidental.
E mais recentemente houve uma aposta em produtos para os países emergentes.
Também porque tanto o dolar como o euro têm estado mais frágeis face ao yen, o que torna as importações mais caras e menos atractivas.

Por outras palavras, independentemente das modas no Japão, os construtores japoneses vão continuar a dar ao mundo o que for viável nos respectivos mercados para onde exportam.
« Última modificação: Agosto 24, 2017, 03:06:07, 03:06 por dfelix »

Agosto 24, 2017, 08:56:58, 08:56
Responder #4

pedroareias

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Sempre foram predominantemente exportadores? A balança comercial é quase equilibrada: http://atlas.media.mit.edu/en/profile/country/jpn/

E o mercado interno tem 127 milhões de pessoas.

Mesmo dando essas informações como plausíveis, o mercado global de motociclos que nos são interessantes (+125cc) tem decaido imenso.

Até a China, que cresce sem parar, tem tido descidas de vendas no mercado interno. Estes dados são do Instituto Chinês responsável:

http://www.caam.org.cn/MotorCycleStatistics/20160815/0905197257.html


Muitos Países "emergentes" têm salários médios semelhantes e até superiores aos nossos. A população quer é um carrinho.

E na Europa é o que se sabe, nem vale a pena mencionar.

O mercado doméstico no Japão é bastante peculiar.
Com políticas fiscais muito pesadas. Licenças de condução difíceis de obter e bastante caras de manter pois são renovadas regularmente. E seguros a preços absurdos.

Os construtores japoneses sempre foram predominantemente exportadores.
Projectam e fabricam produtos destinados predominantemente para o mercado ocidental.
E mais recentemente houve uma aposta em produtos para os países emergentes.
Também porque tanto o dolar como o euro têm estado mais frágeis face ao yen, o que torna as importações mais caras e menos atractivas.

Por outras palavras, independentemente das modas no Japão, os construtores japoneses vão continuar a dar ao mundo o que for viável nos respectivos mercados para onde exportam.

Agosto 24, 2017, 09:42:56, 09:42
Responder #5

JViegas

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Desconhecia por completo esta realidade Japonesa e a médio/longo prazo irá influenciar significativamente, na minha opinião, a forma como os grandes construtores irão apresentar novos modelos ou modelos adaptados às realidades legislativas.

Quem apostou forte nos mais diferentes modelos e que ao fim ao cabo "modelou" o gosto de grande parte dos motards: Honda, Yamaha, Suzuki e Kawasaki (estes últimos em menor quantidade mas têm o seu impacto mundial) serão porventura os que terão mais que investir em reformulações/adapatações.

Provavelmente sairá mais barato acabar com os modelos cuja adaptação legislativa lhes corte as especificidades que os tornam modelos únicos e que já foram aqui falados.

Agosto 24, 2017, 10:36:16, 10:36
Responder #6

Sapiens21

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E a Índia ultrapassou, no número de veículos produzidos, a China.

http://www.visordown.com/motorcycle-news-general-news/india-overtakes-china-become-largest-motorcycle-manufacturer

Torna-se assim no país onde se produzem mais veículos no Mundo.

A maioria são de baixa cilindrada, mas em número parecem ter crescido bastante..
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Agosto 24, 2017, 11:51:14, 11:51
Responder #7

dfelix

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Sempre foram predominantemente exportadores? A balança comercial é quase equilibrada:

Balança comercial?
Num fórum de motociclismo em que o tópico é sobre as vendas de motociclos... será mesmo necessário especificar me refiro a construtores de motociclos?  ;)

Até a China, que cresce sem parar, tem tido descidas de vendas no mercado interno.

Há uns 2-3 anos que meio mundo está á espera que a bolha da econonomia chinesa rebente.

Muitos Países "emergentes" têm salários médios semelhantes e até superiores aos nossos.

Não me ocorre nenhum!

Ainda assim, tanto ou mais importância que os salários são as politicas fiscais.
Vejamos o Brasil, que pelo menos até há bem pouco tempo aplicava pesadas taxas sobre as importações que elevavam os preços para praticamente o dobro do que custavam na europa.

Actualmente os principais construtores estão instalados por lá e produzem alguns modelos locais e montam os restantes.
Não é à toa que por exemplo a BMW tem uma versão da GS chamada... Sertão!

Desconhecia por completo esta realidade Japonesa e a médio/longo prazo irá influenciar significativamente, na minha opinião, a forma como os grandes construtores irão apresentar novos modelos ou modelos adaptados às realidades legislativas.

Mas a realidade japonesa sempre foi muito diferente.
E não é por isso que os ocidentais deixaram de consumir motos que para o mercado doméstico deles sempre foram pouco relevantes.
Tal como chegaram a produzir modelos orientados sobretudo ao mercado interno.


Agosto 24, 2017, 12:28:22, 12:28
Responder #8

pedroareias

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DFelix:

Convém fornecer dados quando se escreve. Senão ninguém se entende.

Quando estive na China (em 2006) já se observava a mudança para os pequenos automóveis. Neste momento com grande poder de compra, poucas famílias estarão dispostas a manter as 2 rodas.

Os salários médios da China estão neste momento próximos dos Portugueses. A Forbes até é explícita em referir os 2 Países:
https://www.forbes.com/sites/timworstall/2017/03/01/chinese-wages-are-showing-paul-krugman-is-right-once-again/#a5023423fea4

O mercado interno Japonês sempre foi um grande consumidor de motociclos. Agora está em declínio, mas sempre foi importante. Já tinham indústria importante antes das exportações.
Aqui vai uma comparação entre regiões: https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/2/24/Bar_of_cars_motorcycles_population.png




Agosto 24, 2017, 16:00:52, 16:00
Responder #9

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A notícia tem apenas 2 dias:

"Motorcycle Sales Slump in Japan
Despite the fact that Japan is the place where motorcycles come from, bike sales in the Japanese domestic market are plummeting in the face of stiff competition from mini-cars and other small personal mobility vehicles."



São os pequenos automóveis que estão a ajudar a "matar" o mercado doméstico no Japão.
A malta quer ter um pequeno tecto com 4 rodas...  8)

https://rideapart.com/articles/motorcycle-sales-slump-japan
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Agosto 24, 2017, 18:14:43, 18:14
Responder #10

Moto2cool

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Todos os mercados têm curvas e os mais avisados são os que se adaptam. Provavelmente o mercado está a dizer qual não faz sentido oferecer um leque tão grande de opções, que se tiverem apenas alguns modelos obtém eficiências que baixam o custo de produção e cumprem as normas crescentemente exigentes de poluição.
As coisas nunca continuam iguais mas as vezes mudam mais depressa que noutras.
Spritmonitor.de" border="0 Suzuki VStrom 650
"Viver a vida não é esperar que a tempestade passe, é aprender a andar à chuva"

Agosto 24, 2017, 18:16:22, 18:16
Responder #11

dfelix

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O que será mini-cars?

Papa-reformas?
Ou automóveis estilo smart?

Curiosamente ambos tiveram também um efeito enorme em itália.


Agosto 24, 2017, 18:26:33, 18:26
Responder #12

Sapiens21

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Estamos a falar concretamente dos denominados "Kei cars" e que no Japão têm benefícios tributários.


Post editado para adicionar alguns exemplos de Kei cars...

« Última modificação: Agosto 24, 2017, 18:34:10, 18:34 por Sapiens21 »
"Pouco importa o julgamento dos outros. Os seres humanos são tão contraditórios que é impossível atender às suas demandas para satisfazê-los.
Tenha em mente simplesmente ser autêntico e verdadeiro."

Dalai Lama

Dezembro 19, 2017, 21:47:09, 21:47
Responder #13

pedroareias

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Escrevi isto há algum tempo, agora está sob o foco das luzes.

É plausível que as motos desapareçam.

Se tudo correr como penso, vamos ter de levar os nossos netinhos ao museu do Caramulo para verem o que é  uma moto pela primeira vez. Serão apenas permitidos veículos eléctricos autónomos de utilização partilhada. O canto do cisne é a condução autónoma, impraticável nas 2 rodas.

Dezembro 19, 2017, 22:59:33, 22:59
Responder #14

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Provavelmente (e sem brincadeiras), o manter de uma moto algo rara pode vir a ser daqui por uns anos mais proveitoso do que a incerteza de se investir em bitcoins.  8)

Se calhar ainda mantenho o Tubarão para ver no que isto dá.  :D
"Pouco importa o julgamento dos outros. Os seres humanos são tão contraditórios que é impossível atender às suas demandas para satisfazê-los.
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Dalai Lama

Dezembro 19, 2017, 23:08:49, 23:08
Responder #15

pedroareias

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Tens de "hotrodar" esse tubarão.

A propósito, à chegada a Torres vi que uma das carenagens interiores (da direita) estava solta na Biffer (acho que o Limpinho reparou mas ficou calado). Há uns meses estive a lavar por dentro e simplesmente não apertei os parafusos.

Foi uma daquelas alturas clássicas "Peeeeedroooo, sai da garagem e vem jantar"  :???:

Conclusão: a obediência doméstica pode ser fatal.

Provavelmente (e sem brincadeiras), o manter de uma moto algo rara pode vir a ser daqui por uns anos mais proveitoso do que a incerteza de se investir em bitcoins.  8)

Se calhar ainda mantenho o Tubarão para ver no que isto dá.  :D

Dezembro 20, 2017, 10:00:34, 10:00
Responder #16

VCS

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Os Kei cars talvez sejam os últimos responsáveis (ou os menos relevantes) pelo decréscimo das vendas de motos no japão.

OT: Com excepção dos anos 70, na fase de penetração no mercado, os japonenes nunca exportaram com carácter regular para a Europa os kei cars.
Nos anos 70 fizeram-no, a Honda com os N360 (que era a cilindrada à época com benefícios fiscais) e depois com o N600, especificamente para a Europa. A Daihatsu também com o 360, e alguns modelos que eram kei cars com motores maiores para a Europa. O meu primeiro automóvel foi um kei car, um Honda N600.
Actualmente o comprimento máximo são 3,4mts e a cilindrada máxima são 660cc, sendo que os modelos apetecíveis usam motores 3 cilindros turbo alimentados são apenas JDM, por exemplo o actual S660, ou o seu antecessor Beat.
(fim de OT)

Este mercado também tem vindo a decair. No Japão, como na generalidade dos mercados "ocidentais maduros", as gerações mais novas têm uma relação com o transporte individual completamente diferente da que existia há 20 ou 30 anos. Conceitos como os de car share / scooter share estão para ficar, e estas gerações têm outras prioridades na lista que não comprar a sua moto ou mesmo carro.
O fenómeno eléctrico, já, e o fenómeno condução autónoma, daqui a pouco tempo,  só vem cavar ainda mais o buraco da "indústria tradicional".

 
« Última modificação: Dezembro 20, 2017, 10:02:07, 10:02 por VCS »

Dezembro 20, 2017, 10:08:29, 10:08
Responder #17

VCS

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Só para completar o que disse atrás sobre as motivações das gerações mais novas: no local onde trabalho, todos os anos entra uma leva de estagiários (licenciados com mestrados Bolonha), com idades por volta dos 22-25. Nesta última leva de 15, só 3 tinham carta de condução ! Onde é que isto seria possível há 15 ou 20 anos ? A razão é que esta não é uma prioridade para eles.

Dezembro 20, 2017, 11:36:48, 11:36
Responder #18

Tiago Parracho

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Este mercado também tem vindo a decair. No Japão, como na generalidade dos mercados "ocidentais maduros", as gerações mais novas têm uma relação com o transporte individual completamente diferente da que existia há 20 ou 30 anos. Conceitos como os de car share / scooter share estão para ficar, e estas gerações têm outras prioridades na lista que não comprar a sua moto ou mesmo carro.
O fenómeno eléctrico, já, e o fenómeno condução autónoma, daqui a pouco tempo,  só vem cavar ainda mais o buraco da "indústria tradicional".

Só para completar o que disse atrás sobre as motivações das gerações mais novas: no local onde trabalho, todos os anos entra uma leva de estagiários (licenciados com mestrados Bolonha), com idades por volta dos 22-25. Nesta última leva de 15, só 3 tinham carta de condução ! Onde é que isto seria possível há 15 ou 20 anos ? A razão é que esta não é uma prioridade para eles.

É isto mesmo VCS. Já no tópico onde postei o artigo sobre a reflexão feita nos EUA sobre como revitalizar a indústria motociclista, este é indubitavelmente um dos pontos fulcrais que terá de ser resolvido.

As gerações mais novas, e futuras, pura e simplesmente não valorizam as mesmas coisas que nós. O conceito de propriedade para eles não tem nem por sombras a mesma importância que para nós.

Car-sharing ou scooter/moto-sharing são coisas que daqui por uns anos vão ter ainda mais expressão nos centros urbanos.