Autor Tópico: Um "desleixo" da oficina ocorrido numa reparação...pode conduzir a um acidente  (Lida 3651 vezes)

Maio 27, 2018, 11:14:54, 11:14
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Sapiens21

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Um "desleixo" da oficina ocorrido numa reparação...pode conduzir a um acidente






Neste caso o tópico aqui em causa não retrata uma mera hipótese (antes fosse…), mas sim a ocorrência de um acidente com consequências muito graves em virtude de um desleixo mecânico aquando da revisão a uma moto.

No passado mês de Abril, na localidade de Sóller, que fica na comunidade autónoma das Ilhas Baleares (Espanha), um motociclista teve um acidente "sem causa aparente" a bordo da sua BMW 1150GS e que o levou a internamento hospitalar devido ao estado grave em que ficou. Partiu uma perna na zona do fémur e cortou a artéria femoral, tendo perdido muito sangue no local. Só sobreviveu porque no momento passava um médico que  presenciou o acidente e lhe aplicou de imediato um torniquete.

Levava pendura na altura do acidente (que felizmente ficou melhor deste acidente) e porventura pensar-se-ia que este acidente era, no fundo….mais um com as causas comuns que por norma se apontam.

Mas neste caso havia algo diferente…

O condutor indicou à equipa da Polícia que investigou meticulosamente aquele acidente que na altura estava a ultrapassar e "(….)quando eu queria voltar para a via da direita, não podia. A moto fez algo estranho e nós fomos ao chão".

Além disso foi por ele mencionado algo que voltou as atenções dos agentes da polícia…a moto tinha vindo da oficina há pouco tempo, onde tinha sido consertada para uma inspeção da ITV.

As circunstâncias estranhas do acidente e o facto de um dos garfos da suspensão dianteira ter saído do lugar, levantou suspeitas. De tal forma que depois de especialistas terem analisado a moto, concluíram que aquele estado em que se apresentava o garfo da suspensão, não tinha resultado de qualquer tipo de embate naquele acidente.

A investigação posterior levou-os à oficina em questão onde falaram com o responsável da mecânica e onde ficaram a saber (admitindo-o) que, por uma questão de economia para o cliente, foram utilizadas anilhas comuns.

A questão é que a investigação concluiu serem e cito.. "totalmente inadequadas" para consertar uma porca na suspensão dianteira. Fixação que deveria ter sido feita, somente, por meio de uma "anilha de pressão".
É algo parecido com um anel cortado num ponto e dobrada de forma helicoidal. Este seu formato permite exercer resistência à rotação.

Se acaso vos aflorou dúvida sobre a oficina em questão, devo já aqui indicar que em nenhum ponto dos 2 artigos que li sobre este tema é mencionado que tipo de oficina foi...ainda que esteja inclinado para alguma multi-marca e não oficial.

Independentemente de onde foi feita a reparação, este desleixo mecânico resultou num acidente muito grave, com o próprio garfo da suspensão a sair do sítio.
O condutor, em virtude da gravidade dos ferimentos e abundante perda de sangue, mantém-se hospitalizado.

Tentei sintetizar (e traduzir) aquilo que poderão, querendo, ler nestes 2 artigos:


https://www.cronicabalear.es/2018/05/la-chapuza-de-un-taller-al-arreglar-una-moto-causa-del-grave-accidente-de-la-carretera-de-soller/

https://www.soymotero.net/un-error-de-reparacion-en-un-taller-provoca-un-grave-accidente-en-baleares-26014
« Última modificação: Maio 27, 2018, 11:35:36, 11:35 por Sapiens21 »
"Pouco importa o julgamento dos outros. Os seres humanos são tão contraditórios que é impossível atender às suas demandas para satisfazê-los.
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Maio 27, 2018, 11:53:18, 11:53
Responder #1

Moto2cool

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Se fosse uma oficina oficial a culpa era de certeza do motociclista. Seria a própria marca a verificar e testemunhar.
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"Viver a vida não é esperar que a tempestade passe, é aprender a andar à chuva"

Maio 27, 2018, 12:02:46, 12:02
Responder #2

Sapiens21

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(...)Seria a própria marca a verificar e testemunhar.

Não sei se assim seria... :)

De qualquer das formas, estou também em crer que não foi de facto uma oficina da marca, mas sim uma multi-marca (não oficial).

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Maio 27, 2018, 13:42:36, 13:42
Responder #3

carlos-kb

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Tenho o conhecimento de um caso próximo, ocorrido com um colega e amigo pessoal meu, em seguimento de uma assistência realizada num concessionário BMW, com resultados graves.

A moto (uma K12R) teve nas oficinas de um conhecido concessionário BMW (que nao divulgarei o nome, por motivos óbvios), a fazer uma normal revisão. Cerca de uma centena de kms depois da mota ter saído dessa revisão, esse meu amigo, num semáforo, começou a notar um intenso cheiro a gasolina. Ainda parou e contactou o concessionário, ao que lhe disseram para passar por lá quando pudesse para se ver. Mas a mota continuou intensamente a cheirar a gasolina. Ele entretanto ia a caminho do trabalho, chegou, estacionou a moto no parque da empresa aonde trabalha, e foi trabalhar. Cerca de meia hora ligaram-lhe a dizer que a mota tinha-se incendiado e que o segurança do estacionamento teve de despejar dois extintores de pó químico em cima da moto.

Alegadamente (e depois de investigada a origem), o incêndio começou por perda de gasolina desde as tubagens sob o depósito, que derramou no motor quente e acabou a provocar o incêndio.
Nunca se provou a eventual responsabilidade (ou não) da oficina. Mas deixa a pensar como é que uma moto sai de uma revisão oficial (que tem um plano de manutenção e uma check-list de verificações), a perder gasolina pela tubagem?

A mota foi dada como perda total, e entre o litígio gerado, o não assumir de responsabilidades, e o meter a BMW Portugal ao barulho, foi dada a possibilidade ao rapaz de adquirir outra BMW (e outro modelo) com um desconto grande e algumas vantagens.... que é a mota que ele tem actualmente (S1000R).

Sei ainda de outro caso, de após a revisão de uma K16GT também num concessionário BMW, o condutor em viagem, ter perdido o controlo da moto começando esta a escorregar e sem responder à travagem. Com alguma perícia e sangue frio, conseguiu abrandar, encostar e evitar a queda.
Ao indagar qual o motivo, deu conta que a mota começou a derramar óleo pelo orifício de drenagem do cárter, e o óleo salpicado em andamento para diversos orgãos como pneus, travões, etc... foi o motivo dessa perda de controlo e aderência. Pelos vistos, havia sido o parafuso bujão que desapertou, originando a dita perda de óleo.
A moto também havia estado na oficina dias antes... e possivelmente, por negligência ou distracção, o bujão não foi devidamente apertado pelo mecânico, que acabou a fazer com que em andamento e com o aquecimento do cárter, desapertasse.

Claro que qualquer situações destas, tornam-se algo complicadas de provar e atribuir responsabilidades. Errar é humano... mas existem certas tarefas em que um simples erro ou omissão (seja premeditado ou negligente) pode ter consequências nefastas em terceiros, seja no material, seja mesmo na integridade das pessoas.

Maio 27, 2018, 14:14:26, 14:14
Responder #4

Sapiens21

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    Queira o bem. Faça o bem. O resto vem...
É um facto...!

Errare humanum est (uma locução em latim que significa "errar é próprio do homem").

Sei de um caso com uma Africa Twin XRV750 que teve de sofrer umas intervenções em concessionário da marca e...depois de sair da oficina e andar durante alguns minutos, assim que chega a uma zona de empedrado, o painel de instrumentos começa a vibrar por todo o lado ao ponto de dar a sensação de querer sair da moto.

Teve de voltar para trás, com a mão em cima do painel...
Os parafusos não tinham sido apertados no final da intervenção.

Há umas coisas piores que outras...

Soube de um caso há vários anos de uma moto desportiva (desconheço a marca) ter mudado um pneu para ir daí a dias à Concentração de Faro e....essa mesma roda saltou nessa viagem. A consequência foi o mais trágica possível. :(
« Última modificação: Maio 27, 2018, 16:28:33, 16:28 por Sapiens21 »
"Pouco importa o julgamento dos outros. Os seres humanos são tão contraditórios que é impossível atender às suas demandas para satisfazê-los.
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Dalai Lama

Maio 27, 2018, 16:38:20, 16:38
Responder #5

carlos-kb

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Soube de um caso há vários anos de uma moto desportiva (desconheço a marca) :confetti: ter mudado um pneu para ir daí a dias à Concentração de Faro e....essa mesma roda saltou nessa viagem. A consequência foi o mais trágica possível. :(

Não preciso de ir muito longe... e com essa do "mudar um pneu", acabei de me lembrar de outra, de um grande amigo e camarada de viagens, que alguns de vocês aqui também conhecem, e que tem a mais famosa Versys 1000 laranja de Lisboa e arredores.  :D

Pois acabou de fazer há poucos dias precisamente 1 ano, na véspera de uma volta internacional que realizámos, esse camarada foi a essa conhecida oficina para montar um pneu à frente, antes das muitas centenas de km que iríamos fazer nos dias seguintes.

Até aí tudo muito bem... montam o pneu, ele paga, pega na mota e arranca.... e mal acaba de fazer umas dezenas de metros, a luzinha do ABS começam a pimpilar em modo "arvore de natal". What the fuck???? Ele imediatamente dá a volta ao quarteirão e regressa à oficina.

Então o que aconteceu? O "esperto" do mecânico, montou o pneu na jante e depois ao montar a roda, fê-lo ao contrário, ou seja, a roda virada 180º (no sentido contrário ao da rotação). Como a cremalheira do ABS ficou do lado contrário ao sensor, ela mal arrancou, deu sinal imediato de avaria. Vai então de desmontar e remontar tudo novamente...

O problema é que a roda foi calibrada também na máquina de equilibragem, ao contrário. E ao remontá-la na mota, correctamente, depois de se ter dado conta do primeiro erro, a roda não foi novamente calibrada. Como a calibragem estava para o sentido de rotação contrário, ao remontar a roda correctamente, esta ficou totalmente desequilibrada.

Isto tudo ao final do dia, numa sexta feira. Pois no dia seguinte, sábado, iríamos partir para a dita viagem, desde o Porto, aonde estava definido o ponto de encontro e partida.

Ele depois de sair da oficina, passa por casa, carrega a mota com a bagagem, e logo a seguir, mete-se na A1, com a mota completamente carregada e com a namorada a pendura. Já em viagem, em velocidades maiores, é então que nota que o trem frontal a partir de dada velocidade, trepidava e vibrava tornando a mota quase "inguiável". Claro que ficou completamente fornicado da vida (como é lógico), e com algum cuidado e desenvoltura, lá chegou ao Porto, reunindo-se connosco e naturalmente furibundo. Ao contar-nos o sucedido, alguns amigos "tripeiros" que também iriam participar, lá lhe indicaram uma oficina na zona de Gaia, aonde ele teve de ir logo pelas 9h da manhã, antes de arrancarmos, para lhe voltarem a calibrar a roda devidamente.

Por um erro estúpido e de desatenção, ele estava a ver que iria ficar com a viagem estragada. Felizmente conseguiu no Porto, resolver a trampa que lhe haviam feito aqui em Lisboa, no dia anterior e seguir viagem.

No regresso, claro que voltou à oficina para lhes dar conta da boa porcaria que fizeram (para além daquela que já se sabia, quando ele saiu da oficina com a roda montada ao contrário). E motivo para a riscar da lista para toda e qualquer intervenção futura.

Maio 27, 2018, 16:42:22, 16:42
Responder #6

2low

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Por vezes, há oficinas que são encaminhadas para negligências apenas para fazerem o favor aos clientes, que costumam achar muito caro os serviços da oficina.
Contudo, não me parece que seja este o caso.

Aqui, há negligência clara da oficina e total falta de conhecimento: isto não é uma oficina, é uma sucateira trambolha, com um merceeiro a atender e um faz tudo, que de fazer tudo, nada sabe fazer bem.
É o jeitoso e típico desenrasca tuga (terá sido mesmo em Portugal???).
"ah isto é só por uma anilha e tá pronto. as marcas é que fazem estes rebordos apenas para cobrarem mais aos clientes"

Por isso, acho que dou o devido valor ao meu mecânico. Tudo o que acha mal, mais dia menos dia estará resolvido o "ainda não problema".
E claro, há negligências mas da minha parte pois tenho conhecimento de coisas para mudar e apenas as vou fazer quando for oportuno (€).
Mas coisas que coloquem em causa a minha vida, jamais deixo para depois.

De resto... BMW não significa que o serviço pós-venda seja tão equivalente à imagem de marca nas vendas.
Deve haver boas e más oficinas, como em tudo e há ainda livros de reclamações e outros procedimentos legais.

« Última modificação: Maio 27, 2018, 16:51:26, 16:51 por 2low »

Maio 27, 2018, 16:45:24, 16:45
Responder #7

Luis Salgueiro

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.....................
No regresso, claro que voltou à oficina para lhes dar conta da boa porcaria que fizeram (para além daquela que já se sabia, quando ele saiu da oficina com a roda montada ao contrário). E motivo para a riscar da lista para toda e qualquer intervenção futura.

Carlos, acho que faltou dizer a oficina que fez esse 'lindo' trabalho : Motocenter ! 

Maio 27, 2018, 20:21:27, 20:21
Responder #8

Africandruglord

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Acontece aos melhores. Na última troca de pneu não me apertaram bem os esticadores, em menos de nada coisinha para 60€. Algo que pode também provocar despiste

Maio 27, 2018, 20:59:46, 20:59
Responder #9

Cross

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Quanto mais complicada é a maquina mais fácil é de avariar. Verdade universal.
Quando ouço os tais conhecedores de mecanica de ouvido... fujo logo.

As marcas tiveram que gastar o que fosse necessário para o que eu chamo "estupidificar" a manutenção para cumprir a lei, exclusividade de trabalho e peças não é possivel hoje em dia. Ou seja apesar dos manuais e check lists, software e  etc... de sistemas e processos existem sempre alguém que sabe mais da poda... e depois acontecem coisas!

Todas as marcas estão sujeitas, umas mais que outras mas é algo que me preocupa sempre.


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Bom Senso e Senso Comum nunca fez mal a ninguém!

Maio 27, 2018, 21:39:11, 21:39
Responder #10

carlos-kb

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Carlos, acho que faltou dizer a oficina que fez esse 'lindo' trabalho : Motocenter !

Luís.... abstive-me de o fazer, por isso não se ter passado comigo... da mesma forma que sei quais os concessionários BMW envolvidos nas situações que descrevi acima, mas preferi não dizer quais eram.

Na última troca de pneu não me apertaram bem os esticadores, em menos de nada coisinha para 60€. Algo que pode também provocar despiste

Se o veio da roda estiver devidamente apertado, o facto dos afinadores do braço oscilante ficarem desapertados, não interfere em nada, pois é o veio que mantém a roda e a transmissão no sítio. Os afinadores apenas servem para deslocar a roda, deixando-a no sítio "certo" e alinhada, com o veio desapertado, enquanto se verifica a tensão da corrente. Depois de reapertar o veio... a roda não "mexe mais".

Quanto mais complicada é a maquina mais fácil é de avariar. Verdade universal.
Quando ouço os tais conhecedores de mecanica de ouvido... fujo logo.

As marcas tiveram que gastar o que fosse necessário para o que eu chamo "estupidificar" a manutenção para cumprir a lei, exclusividade de trabalho e peças não é possivel hoje em dia. Ou seja apesar dos manuais e check lists, software e  etc... de sistemas e processos existem sempre alguém que sabe mais da poda... e depois acontecem coisas!

Todas as marcas estão sujeitas, umas mais que outras mas é algo que me preocupa sempre.

Acho que isto não passa tanto com o saber um pouco mais ou um pouco menos de mecânica, mas sim com uma postura profissional de eficiência e objectividade, sem possibilidades de ocorrências externas que em momentos chave, possam despoletar qualquer espécie de erro ou omissão.

Um bom exemplo... o mecânico está a trabalhar num reaperto "fulcral" em determinado componente.... e toca o telefone, ou é interrompido por um outro cliente ou tem que ir tratar de outra ocorrência qualquer. Ao regressar ao trabalho na moto, não se lembrou mais desse reaperto que ficou incompleto, e continuou o resto das tarefas que tinha de efectuar.
O cliente levanta a moto da oficina, e em consequência desse aperto não devidamente finalizado (por ter sido interrompido), origina uma chatice com consequências mais graves.

Uma boa atitude profissional é, após intervir em determinado componente, fazer uma posterior verificação se todos os "itens" da mesma ficaram devidamente consumados / finalizados (mas lá está é coisa que depois acarreta maior tempo (em prejuízo do valor final a pagar pelo cliente e do restante serviço que está para ser efectuado).

Outro exemplo aconteceu precisamente comigo, na minha ex-BMW F800ST. Quando tive de mudar a correia de transmissão, a mesma correia aftermarket, da Continental Contitech (que é quem a fabrica em OEM para a BMW), ficava a menos de metade do preço, do que a comprando na BMW (a única diferença é não dizer BMW). E depois contactei um mecânico da BMW, que na horas livres, faz os seus próprios serviços de mecânica, para a montar. E no dia e hora combinada, lá estava eu com a mota e a correia nova para montar. Na garagem dele, em cerca de 45 minutos , o assunto ficou despachado... ou melhor, pensávamos nós.
É que ao desmontar a placa de suporte da peseira e respectiva bomba do travão (necessário para montar a correia), o encaixe do tubo do óleo que já devia estar ligeiramente desapertado (e que não notámos), ao montar, o encaixe deve ter desenroscado ainda mais, o suficiente para vazar por ali. Quando fui rolar um pouco, para a correia acamar e voltar a verificar a tensão, dei conta logo numa das primeira travagens que não tinha travão de trás... ou seja, ao premir o pedal e o óleo entrar em pressão, acabou por sair e escorrer pela rosca do encaixe para o chão... e sem óleo... no brake!  :D



Neste caso não foi sequer negligência, omissão ou desconhecimento.... mas simplesmente ao mexer num componente, este acabou a "ofender" outro, sem se dar conta (e erámos dois a olhar para la... ele e eu).

Lá se fez então a purga total, re-enchimento com DOT4 e purga de ar no circuito. E logo a seguir uma abundante lavagem com água e spray desengordurante, para não ficar qualquer vestígio do corrosivo óleo de travões.
Isto que aconteceu ali, poder-se-ia também passar em qualquer oficina mais ou menos oficial.



Maio 27, 2018, 22:25:14, 22:25
Responder #11

TMXR

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Soube de um caso há vários anos de uma moto desportiva (desconheço a marca) :confetti: ter mudado um pneu para ir daí a dias à Concentração de Faro e....essa mesma roda saltou nessa viagem. A consequência foi o mais trágica possível. :(


O problema é que a roda foi calibrada também na máquina de equilibragem, ao contrário. E ao remontá-la na mota, correctamente, depois de se ter dado conta do primeiro erro, a roda não foi novamente calibrada. Como a calibragem estava para o sentido de rotação contrário, ao remontar a roda correctamente, esta ficou totalmente desequilibrada.



Carlos, desculpa corrigir-te:

Da forma como a MC calibra rodas, o sentido de rotacao é indiferente. Tenho aqui em casa uma e se quiseres posso-te fazer a demostracao.

A roda ficou mal calibrada por... nao queria dizer esta palavra... incompetencia... de quem a calibrou (ou porque algum peso nao ficou bem colado... hipotese um pouco mais rebuscada mas possivel)


Tambem me aconteceu o mesmo com a GS... equilibraram mal uma das rodas e tive lá voltar para recalibrar, o que fizeram mas insinuando que era da suspensao  :D

Quando sai de la dessaa 2 vez, as vibracoes mantiveram-se pelo que assim que cheguei a casa desmontei os 2 pneus e dei logo com um desequilibro no traseiro  :toma:
« Última modificação: Maio 27, 2018, 22:26:21, 22:26 por TMaxer »
Yamaha Tmax 500/530 * BMW C Evo/R1200GS/1250 GS/1200 GSA/1200 RT * KTM 1290 SAS *  Trimph Tiger 800 XRT / Street Triple RS * Ducati Multistrada 950S/1200S/1260S/Enduro *  Kawazaki Z900  * MV Agusta Turismo Veloce Lusso * Honda Crf300l

Maio 27, 2018, 22:36:44, 22:36
Responder #12

Africandruglord

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Se o veio da roda estiver devidamente apertado, o facto dos afinadores do braço oscilante ficarem desapertados, não interfere em nada, pois é o veio que mantém a roda e a transmissão no sítio. Os afinadores apenas servem para deslocar a roda, deixando-a no sítio "certo" e alinhada, com o veio desapertado, enquanto se verifica a tensão da corrente. Depois de reapertar o veio... a roda não "mexe mais".


Se essas peças ficarem desapertadas, tal como me aconteceu a mim, a peça vai acabar por saltar.

Enquanto não salta ( ou melhor, é cuspida ) fica atravessada, dando cabo do veio ( entorta completamente ), assim como possíveis peças na cremalheira.

Maio 28, 2018, 00:06:20, 00:06
Responder #13

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Estou a ver que são algo "comuns" por aqui problemas relacionados com intervenção nas rodas/pneus.

E logo num elemento tão importante, como aquele que liga a moto à estrada...
"Pouco importa o julgamento dos outros. Os seres humanos são tão contraditórios que é impossível atender às suas demandas para satisfazê-los.
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Dalai Lama

Maio 28, 2018, 01:12:13, 01:12
Responder #14

mneves

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E eu refiro uma recente num stand da linha de Cascais de uma marca japonesa em que o motor não partiu porque....
Ao invés de fazerem a troca de óleo numa scooter 125 , acrescentaram,ou seja o motor leva 0.8l levou mais 0.9l ,o cliente queixou-se que a máquina não tinha força,etc
Trocaram escape, vareador,etc e nunca viram o óleo.
Quando fiz a troca ,metia dó,levou a medida certa de bom óleo e voltou a vida.
Isto tudo ao abrigo da garantia numa marca conseituada,hein!!
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